um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 28 de abril de 2017

frase do dia

“Na segunda volta temos a escolha entre a extrema-finança e a extrema-direita”
APOIANTE DE JEAN-LUC MÉLENCHON, PÚBLICO

terça-feira, 25 de abril de 2017

Concessão da Medalha de Ouro do Municipio de Paredes e titulo de Cidadão de Honra do Municipio de Paredes




Dia 25 de abril de 2017

Intervenção

Exmos Senhoras e Senhores, aqui presentes
Digníssimos Autarcas de Paredes e restantes Autoridades de Paredes 
Distintos cidadãos homenageados
Queridos familiares
Meus amigos e caros camaradas

Quis a Câmara Municipal de Paredes, na pessoa do seu Executivo Municipal, homenagear-me neste dia simbólico do 25 de abril, o Dia da Liberdade.  
Agradeço a deferência e o reconhecimento de um percurso não acabado e de uma presença que sendo política foi também intervenção social e cívica. Sabia das provas de amizade e respeito de muitos que aqui estão, que julgo ter já muitas vezes retribuído.  
Serei breve.
Nasci na freguesia de Rio Tinto, concelho de Gondomar, de uma família normal, aquilo que se chamaria hoje de classe média baixa, pai Armando comerciante e mãe Delfina doméstica, felizmente ainda vivos e aqui presentes. Da educação familiar e escolar (escola primária e liceu Alexandre Herculano) obtive os valores e ensinamentos que me moldaram em vida adulta como ser humano.
Terminado o curso de Medicina, entrei na vida activa e profissional e então cresci como cidadão com identidade e projecto. Os desafios do exercício da Medicina aproximaram-me do ser humano doente, dos problemas da deficiência, da disfuncionalidade, da vulnerabilidade. Nasceu uma expressiva consciência social.
 Ao mesmo tempo tive uma outra escola, comum a camaradas e amigos, (muitos dos quais permanecerão para sempre anónimos), de um colectivo que me ensinou que é possível um Mundo melhor, uma sociedade de igualdade e progresso. E que a contribuição individual, baseada no estudo e na coerência, mesmo que nem sempre reconhecida, pode sempre antecipar o Futuro.
Em 1990 cheguei a Paredes onde passei a residir e a trabalhar. Como autarca, na Assembleia Municipal, atravessei as presidências de Granja da Fonseca e Celso Ferreira, a quem aqui cumprimento. Como político desempenhei cargos e funções, bem como fui candidato pela CDU a eleições legislativas gerais e locais. Perdi muitas vezes, ganhei algumas, poucas vezes, mas do sempre duro combate em Democracia se formou o homem político e resistente.  
Desde cedo coloquei ao serviço de amigos dirigentes de diversas coletividades diversas o meu tempo disponível e o meu compromisso social. São várias as instituições a que tenho tido o prazer de solidariamente ajudar, como Bombeiros, Associações Desportivas e Culturais (Cete, Lordelo, Vandoma, Recarei, Parada de Todeia). Saúdo aqui a disponibilidade ao serviço da comunidade de muitos desses dirigentes.
Assinalo, e perdoe-se-me a imodéstia da referência em sublinhado, a actividade voluntária desde há 15 anos com assistência médica á população de Parada de Todeia. Não esquecerei nunca a inter-relação entre as duas partes de um contrato assistencial mutuamente vantajoso.
Minhas senhoras, meus senhores
A responsabilidade de muitos anos como eleito da CDU transforma-me já num quase “dinossauro político” em Paredes. A quem se permite dois apontamentos neste momento importante na sua vida.
Tenho como certo que a Politica deve qualificar-se com uma componente ética, e com uma disponibilidade de com competência exercer responsabilidades delegadas pelas populações. Ao contrário do que dizem muitos (e o que não será o mesmo do que efectivamente pensam!), sei que se pudesse voltar atrás em atos e intervenções, certamente á luz do que a vida nos ensina permanentemente, fá-lo-ia certamente algo diferente, com o tempo a ser mestre de uma intervenção melhor.
Ao contrário do que dizem muitos de si próprios, certamente em muito errei, fiz por vezes juízos apressados, e mesmo terei sido injusto ou errado em tomadas de decisão. Mas tenho a noção de que nunca errei ou prejudiquei com intenção ninguém.
Neste 25 de abril, afirmo solene e sinceramente de que vale a pena ser de Paredes ou lutar por Paredes. E no pluralismo de opções concretas, nomeadamente do âmbito do Poder Local, encontraremos certamente uma vontade comum de servir.
Neste dia Inicial, inteiro e límpido como diz Sophia de Mello Breyner, permitam-me um Viva o 25 de abril!
Obrigado.


Cristiano Ribeiro

Sérgio Godinho- Só Neste País

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A EUROPA ELEITORALMENTE A FERRO E FOGO

A 1.ª volta das eleições presidenciais francesas decorreu sob o signo da incerteza e da desilusão dos franceses com os partidos que se alternaram no poder durante a 5.ª República. E para agravar, em plena campanha, na sua recta final, ocorreu um atentado terrorista em Paris, com influência no processo de decisão.

Significativamente, o socialista Presidente Hollande não se recandidatou, o que é inédito na tradição presidencial francesa. Durante a campanha das últimas presidenciais, Hollande prometeu a reversão das reduções fiscais sobre elevados rendimentos, a reposição da idade da reforma nos 60 anos ou a retirada das tropas francesas do Afeganistão. Durante a sua presidência, a idade da reforma sem penalizações foi mantida nos 67 anos e, apesar da retirada do Afeganistão, a França interviu militarmente no Mali, na República Centro-Africana ou na Síria. Hollande assumiu-se como um pilar forte do eixo franco-alemão que gere a Europa do Euro e da Austeridade. É portanto na sucessão de um exercício presidencial descredibilizado que decorrem as eleições. E aqui começam a ruir as tradicionais fidelidades.

 O representante da direita republicana, Fillon, ex-primeiro ministro de Sarkozy envolvido num escândalo relacionado com a contratação de familiares próximos para cargos públicos que nunca ocuparam e indiciado de uso indevido de dinheiros públicos, contou com 19,9% dos votos. O candidato oficial socialista, Hamon, traído por parte do aparelho PS e apesar de legitimado por umas eleições primárias no interior do Partido, tem uns miseráveis 6,5% dos votos. Macron, ex ministro de Economia de Hollande, banqueiro, agora “centrista independente,”, com 23% da votação, aparece como provável sucessor de Hollande. Diz-se o «único candidato pró-europeu» e promete aplicar uma política económica «amiga das empresas». Se internamente apresenta a novidade de querer reconstituir o centrão com novas roupagens, a política que segue é a da continuidade. Marine Le Pen, a líder da fascista Frente Nacional, representa a extrema direita populista, e xenófoba. Alicerçada numa “modernização do discurso” e em críticas justas á União Europeia, com um discurso centrado na soberania nacional, a declaração do estado de emergência em 2015 e os atentados caíram como sopa no mel na sua retórica. Por último, Mélenchon, o candidato das esquerdas incluindo o Partido Comunista, alcança perto de 20%, uma votação notável, apesar da barragem informativa da direita francesa dominante na Comunicação Social. No seu programa político defendia «a renegociação dos tratados europeus para tentar recuperar a soberania para os cidadãos franceses» e o lançamento da «6.ª República», através de um processo de elaboração de uma nova constituição. É igualmente defensor de mais investimento, da criação de mais emprego e da subida de impostos para os mais ricos.

Não por acaso os tempos da comunicação social (Rádio e TV) favoreceram Fillon e Hamon.

A 7 de maio, 2.º volta das presidenciais e eleições legislativas em junho. Esperemos.


CR

quinta-feira, 20 de abril de 2017

as misérias do jornalismo atual

O jornalismo sério e independente já teve melhores dias. Agora, alguns jornais, provavelmente já cansados das notícias falsas e dos silêncios encomendados, apostam na mobilização ativa das consciências dos cidadãos para as "verdades convenientes".
L' Express, um quotidiano francês, "descobriu" em exaustiva investigação que 7 dos 11 candidatos presidenciais franceses são "pró-Putin". Ficam de fora deste amplo "cerco russo" 2 candidatos trotskistas, o candidato "centrista" Macron e o infeliz candidato socialista, traído pelo aparelho de Hollande e Valls. E como obteve o influente jornal da direita francesa esse qualificativo “putinesco” para os candidatos? Aplicou-lhe uma grelha de indícios de suspeição: uma fotografia em comum com o Presidente Russo (de mãos dadas ou não), uma declaração anti-NATO, uma intenção de rever as sanções contra a Rússia, por causa de Crimeia, do Dombass, da Síria, dos direitos humanos, ou uma simpatia pela cultura russa, etc.
E depois...?
Depois será fácil converter o rótulo aplicado numa qualquer manipulação do Kremlin sobre o candidato e sobre o sentido de voto dos franceses. Elementar, dir-se-á. Se o L' Express diz é porque é verdade.


CR