um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A FRASE DO DIA

Só entre 2011 e 2015, com a intensificação das privatizações saíram do país em dividendos e lucros 18.339 milhões euros.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

PICASSO


PORQUE SOU COMUNISTA
A minha adesão ao partido comunista é a evolução lógica de toda a minha vida, de toda a minha obra. Porque, e estou orgulhoso de o dizer, nunca considerei a pintura como uma arte de simples prazer, de distracção; quis, através do desenho e da cor, pois estas eram as minhas armas, ir sempre mais avante no conhecimento dos homens e do mundo, para que esse conhecimento nos liberte um pouco mais todos os dias; tentei dizer, à minha maneira, o que considerava mais verdadeiro, mais justo, melhor, e isso era, naturalmente, sempre o mais belo – os maiores artistas sabem-no bem.
Sim, tenho consciência de ter sempre lutado pela minha pintura como um verdadeiro revolucionário. Mas agora percebi que isso não basta; estes anos de terrível opressão mostraram-me que eu devia não apenas combater com a minha arte, mas também todo eu 
Então fui ao encontro do partido comunista sem a menor hesitação, pois no fundo estive sempre com ele. Aragon, Éluard, Cassou, Fougeron, todos os meus amigos o sabem bem; e se ainda não tinha aderido oficialmente era de certo modo por  “inocência”, porque  acreditava que a minha obra e a minha adesão de coração eram suficientes, mas era já o meu partido. Não é ele que mais trabalha para conhecer e construir o mundo, para tornar os homens de hoje e de amanhã mais lúcidos, mais livres, mais felizes? Não foram os comunistas os mais corajosos tanto em França como na URSS ou na minha Espanha? Como poderia hesitar? Medo de me comprometer? Mas nunca eu me senti tão livre, pelo contrário, senti-me mais completo! E além disso, eu tinha tanta pressa de encontrar uma pátria: sempre fui um exilado, agora já não o sou; à espera que a Espanha possa enfim acolher-me, o partido comunista francês abriu-me os braços, e aí encontrei todos aqueles que mais estimo, os maiores sábios, os maiores poetas e todos aqueles rostos de insurrectos parisienses tão belos, que vi durante os dias de Agosto. Estou de novo entre os meus irmãos.
 
L’Humanité, 29-30 Outubro 1944

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Óscar Lopes

Centenário de Óscar Lopes 

Óscar Lopes nasceu em Leça da Palmeira em 2 de Outubro de 1917. Foi professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e é autor de vasta obra, sobretudo no domínio da Linguística e da Crítica Literária, de que se destaca a conhecida História da Literatura Portuguesa, de que foi co-autor, cuja 1ª edição data de 1955 e que conta até hoje com 17 edições.

Sempre atento aos problemas do país e do povo português, Óscar Lopes teve intensa actividade política. Participou, desde 1942, nas mais diversas acções da oposição democrática antifascista, tendo pertencido ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Antifascista), ao MUD (Movimento de Unidade Democrática) ao MND (Movimento Nacional Democrático) e mais tarde à CDE (Comissão Democrática Eleitoral) e à Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Preso pela PIDE duas vezes, a primeira das quais em 1955, no processo dos Partidários da Paz, viria a estar vários meses nas cadeias fascistas. Afastado então da Universidade retoma mais tarde o ensino e, logo a seguir ao 25 de Abril, foi eleito Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e exerceu o cargo de vice-reitor.

Colaborou em numerosas revistas, como a Vértice, Seara Nova e nas publicações das Faculdades de Letras do Porto e de Lisboa. Como crítico literário foram numerosos os jornais diários nacionais que puderam contar com a sua colaboração, bem como o Jornal de Letras e, no Brasil, o “Estado de S. Paulo”.

Prefaciou obras de Jorge Amado, Guimarães Rosa e de vários escritores portugueses, entre os quais Urbano Tavares Rodrigues, Eugénio de Andrade e de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal), no romance “Até amanhã, camaradas”.

Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Recebeu os prémios Rodrigues Sampaio da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Jacinto do Prado Coelho (1985), do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, do P.E.N. Clube Português de Ensaio (1986), pela obra A Busca de Sentido: Questões da Literatura Portuguesa, Vida Literária (2000), atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores, entre outros. Em 21 de fevereiro de 1990, a Universidade de Lisboa consagrou-o Doutor honoris causa.

Foi Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e um dos fundadores da Universidade Popular do Porto.
Membro do PCP desde 1945, na sua actividade partidária destaca-se o seu contributo na luta antifascista e, após o 25 de Abril, na Direcção da Organização Regional do Porto do PCP, e no Comité Central do PCP de que foi membro entre 1976 e 1996. Foi candidato do PCP à Assembleia da República nas listas da FEPU, APU e CDU tendo exercido a função de deputado na Assembleia da República. Foi eleito na Assembleia Municipal do Porto.

Em 2007, por ocasião do seu 90º aniversário, foi-lhe prestada uma homenagem numa Sessão Pública com a participação de destacados intelectuais que deu origem a uma publicação “Óscar Lopes – exemplo para os dias por vir” e, em que o Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa valorizou o seu percurso de “homem integral” e salientou que a “comunidade científica e intelectual deve muito a Óscar Lopes”.

Óscar Lopes faleceu no Porto com 95 anos. O seu funeral constituiu uma sentida manifestação de pesar. Na cerimónia fúnebre realizada na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Albano Nunes prestou homenagem em nome do Partido Comunista Português.

A morte de Óscar Lopes significou a perda duma figura maior da Cultura portuguesa, dum intelectual comunista com cerca de 70 anos de militância que com a sua acção cultural e a sua intervenção partidária deu um destacado contributo à luta pela liberdade, a democracia e o socialismo.

(do site da ORP do PCP)

pintura

O beijo, Gustav Klimt , 1908

poema




Gosto

Gosto que me tomes
me abras
me invadas
*
Me voltes e tornes
me envolvas
e faças
*
Gosto que me entornes
me abraces
me lavres
*
Me beijes e bebas
me enlaces
e largues
*
Gosto que me voltes
me pegues
me mates
*
Me dês um nó
cego
e depois me desates
Maria Teresa Horta


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offshore

Valor total ultrapassa os 28 mil milhões de euros, entre 2010 e 2015
Anterior governo ignorou 10 mil milhões que foram para offshore
Abril Abril

Houve 20 transferências para paraísos fiscais ignoradas pelas Finanças durante o governo do PSD e do CDS-PP. A informação ficou escondida durante cinco anos.

Hong Kong é o principal destino offshore das empresas portuguesas















A divulgação das estatísticas relativas à informação a que os bancos estão obrigados a transmitir à Autoridade Tributária sobre transferências para offshore é obrigatória desde 2010, mas o anterior governo nunca a fez.

Público confrontou a actualização recente dos dados com a primeira divulgação, feita em Abril de 2016, e verificou uma disparidade de 20 transferências, num total de quase 10 mil milhões de euros. Em resposta ao diário, o Ministério das Finanças explicou que a disparidade se deve a comunicações feitas pelas instituições financeiras que foram ignoradas, entre 2011 e 2014.

A situação foi remetida para a Inspecção-Geral de Finanças, cuja investigação ainda decorre. Em causa podem estar vários milhões de euros em impostos não cobrados.
Governo de Passos esconde transferências para offshore
Com a chegada do PSD e do CDS-PP ao governo, em 2011, o Ministério das Finanças de Vítor Gaspar decidiu não cumprir a obrigação de divulgar a lista de transferências para paraísos fiscais. A mudança da tutela para Maria Luís Albuquerque não teve qualquer efeito, sendo apenas com a actual equipa das Finanças que os dados foram revelados.

De acordo com a informação que a Autoridade Tributária revelou em Abril passado, teriam fugido do País 10,2 mil milhões de euros entre 2010 e 2014. Com a actualização feita agora, o valor sobe para perto dos 20 mil milhões, quase o dobro, relativamente ao mesmo período. Com a soma dos valores transmitidos em 2015, mais de 8 mil milhões, o total chega aos 28 mil milhões de euros em seis anos.

Nesse ano, o último em que o PSD e o CDS-PP estiveram no governo, o valor superou o total de juros e encargos com a dívida pública ― quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Os valores divulgados pelas Finanças não correspondem ao total saído de Portugal para paraísos fiscais, já que não estão registadas as transferências que escapam ao circuito legal. Também os dados relativos ao Centro Internacional de Negócios da Madeira não foram contabilizados, já que a sua divulgação compete ao Governo Regional da Madeira. Apesar de desde 2010 ser obrigatória a divulgação dos dados, esta nunca foi feita.

Paulo Núncio não explica por que não publicou estatísticas das offshores

Ex-secretário de Estado no Governo de Passos garante que desconhecia falhas de controlo do fisco.