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domingo, 26 de março de 2017

COMUNICADO

APRESENTAÇÃO DOS CANDIDATOS AUTÁRQUICOS DA CDU PAREDES


Cerca de centena e meia de militantes e apoiantes do PCP, reuniram-se no passado sábado, dia 25, num jantar-convívio em Parada de Todeia, para assinalar o 96º aniversário do partido e apresentar os cabeças-de- lista da CDU aos órgãos autárquicos de Paredes.

Álvaro Pinto, ferroviário, sindicalista, membro eleito da Assembleia Municipal e ex-presidente de Junta de Freguesia de Parada de Todeia, será o candidato dos comunistas à presidência da Câmara. Cristiano Ribeiro, médico e responsável pela concelhia de Paredes do PCP, encabeçará a lista da CDU à Assembleia Municipal.

Na sua intervenção Cristiano Ribeiro destacou «a experiência, a intervenção qualificada, independente e sem telhados de vidro dos candidatos da CDU», que «pelo trabalho já demonstrado merecem confiança reforçada nas próximas eleições». Álvaro Pinto, por seu turno, referiu que «Paredes merece melhor» e que «Paredes quer a CDU e quer candidatos de proximidade e de confiança que conheçam bem o concelho, que conheçam bem as dificuldades e problemas da população e que sejam assertivos na defesa dos interesses de todas as freguesias sem excepção».

Presente no jantar esteve também Jaime Toga, responsável pela Organização Distrital do Porto do PCP e membro do Comité Central do partido, que salientou a qualidade do projecto autárquico da CDU e o facto dos candidatos Álvaro Pinto e Cristiano Ribeiro não serem «candidatos de esquemas», mas sim «políticos identificados com o povo, já com muitas provas dadas na sua intervenção cívica,

social, associativa e cooperativa».

A Comissão Concelhia de Paredes do PCP



sábado, 25 de março de 2017

DE COMO A PROSTITUIÇÃO SE TORNOU NA MAIS MODERNA PROFISSÃO DO MUNDO


Muitos abolicionistas ficaram horrorizados, mas não surpreendidos, quando foi descoberto que o vice-presidente de uma das “organizações de trabalhadoras sexuais” consultadas pela Amnistia Internacional aquando da definição da sua política sobre a prostituição era não só um condenado por tráfico humano, como também um proxeneta. Os “direitos das trabalhadoras sexuais” têm vindo a tornar-se, cada vez mais, num eufemismo para os direitos dos proxenetas, dos donos de bordéis e dos homens que pagam por sexo.
O discurso sobre o “trabalho sexual” tem vindo a transformar a mais velha profissão do mundo na mais moderna das profissões. A prostituição deixou de ser vista como um vestígio feudal e patriarcal – é agora vista como subversiva, libertadora, e até feminista. A prostituição está a ser passada ao movimento das mulheres como o direito da mulher ao seu próprio corpo; aos neoliberais, como um símbolo do mercado livre; à esquerda, como um “trabalho sexual” a necessitar de sindicatos e leis de trabalho; aos conservadores, como um acordo privado e de mútuo consentimento entre duas pessoas fora da interferência da sociedade; ao movimento LGBT como uma sexualidade que reivindica o seu direito de expressão.
A prostituição transformou-se num camaleão que se adapta a todas as ideologias. E quando a esquerda abraça a prostituição como “trabalho”, fá-lo esquecendo a definição marxista do trabalho como algo inerentemente alienador e que deveria ser abolido, e que resulta na perda da capacidade do trabalhador para determinar a sua própria vida. Igualmente ausente está a consciência de que o capitalismo se expande incessantemente, penetrando cada vez mais e mais dimensões das nossas vidas, levando-nos a uma visão dos nossos próprios corpos e mentes como meras mercadorias.
O discurso do “trabalho sexual” era inicialmente marginal, emergindo da criativa e caótica arena política californiana. Ganhou importância ao ser promovido pelo governo holandês enquanto este se preparava para a relegalização da indústria sexual. A Holanda, com a sua indústria do sexo em expansão, tinha obviamente motivos económicos para a tributar. O argumento segundo o qual a prostituição era um trabalho como qualquer outro veio mesmo a calhar. Uma vez que a prostituição passaria a ser considerada um trabalho, a existência de sindicatos tornou-se necessária, tendo o Fio Vermelho (de Rode Draad) sido o primeiro sindicato do género a ser (re)conhecido internacionalmente.
O Fio Vermelho foi criado pelo governo holandês que o propagandeou como “um sindicato laboral para trabalhadores sexuais”. No entanto, desde a sua criação tem sido financiado com dinheiro do Estado e liderado sobretudo por sociólogos e não por pessoas envolvidas na prostituição.
Vários hotéis em Amesterdão oferecem brochuras aos turistas, assegurando-lhes que não devem sentir-se culpados por pagarem por sexo, uma vez que “muitas” prostitutas pertencem ao sindicato Fio Vermelho. Referências a este sindicato tornaram-se quase obrigatórias em antologias feministas da década de oitenta em diante. Ainda assim, o Fio Vermelho nunca teve mais de 100 membros, nunca se envolveu numa disputa com um único bordel e os seus representantes, como o sociólogo Jan Visser e a autora/académica Sietske Altink, não têm nenhuma experiência no campo da prostituição.
Numa conferência em 2009, Altink declarou que a actual procura pela prostituição tinha tendência a diminuir já que “as esposas têm vindo a melhorar o seu desempenho sexual”. Altink trabalha agora no Comité Internacional pelos Direitos dos Trabalhadores Sexuais na Europa (ICRSE) onde curiosamente se podem ser encontrados com frequência os mesmos políticos, académicos e assistentes sociais construindo as suas carreiras a falar sobre o direito a fazer algo que pessoalmente nunca fizeram.
À medida que a indústria sexual foi crescendo em todo o Mundo, o discurso do trabalho sexual ganhou um estatuto hegemónico. Segmentos da esquerda e dos movimentos feministas engoliram o anzol, a linha e o chumbo da propaganda: lutar pela prostituição equivalia agora a lutar pela liberdade. Isto é sem dúvida estranho.
Há cem anos, a luta contra a prostituição era crucial tanto para o movimento operário como para o movimento das mulheres. Recordemo-nos dos cartazes do Sindicato Britânico dos Trabalhadores das Docas que proclamavam, “Não paramos até que toda a miséria, prostituição e capitalismo sejam varridos” e “Uma ofensa contra um é uma ofensa contra todos”. Era então evidente para os trabalhadores das docas do sexo masculino que a prostituição condenava as suas irmãs da classe trabalhadora a serem usadas por homens de classe alta e eles não estavam dispostos a deixar que isso acontecesse. O movimento das mulheres assumiu a luta contra a prostituição ainda antes de reivindicar o direito de voto: abolir o tráfico de escravas era uma prioridade mais urgente.
A prostituição não mudou. É a mesma indústria, os mesmos homens ricos que compram as mesmas mulheres pobres, a mesma exploração, a mesma violência e o mesmo tráfico (então denominado de escravatura branca). O que mudou foi o rótulo. Sonia Sanchez, uma sobrevivente do sistema da prostituição na Argentina, escreveu: “Este é um feminismo que é muito útil para os proxenetas…um movimento sem qualquer movimento, gerido quase exclusivamente por académicos, longe do feminismo popular.”
Eu passei quatro anos viajando pela Europa a pesquisar sobre organizações de “trabalho sexual” para o meu livro, “Being and Being Bought” (“Ser e Ser Comprada.”) Vi repetidamente o mesmo padrão: organizações de “trabalho sexual” com um websiterequintado e uma presença on-line impressionante, ostentando centenas ou milhares de membros com experiência em “trabalho sexual”, que na realidade não eram mais do que de três pessoas em torno de uma mesa de café. Este foi o caso, por exemplo, do grupo “Les Putes” (agora chamado STRASS) em França.
Outra situação recorrente era a das direcções executivas serem totalmente compostas por académicos e funcionários de organizações não-governamentais, com apenas uma pessoa por organização com experiência em prostituição. Esta pessoa seria, evidentemente, responsável por falar com os meios de comunicação, tal como com o ICRSE. Na organização espanhola Ambit Dóna não existia nem uma pessoa que tivesse sido prostituída, apesar de esta proclamar “defender o direito a ser puta.” Por vezes, sindicatos já existentes abrem filiais para pessoas na prostituição – como é o caso da Confederación Sindical de Comisiones Obreras(CCOO), o maior sindicato em Espanha, ou o sindicato alemão ver.di – com escassos resultados. Nem uma única pessoa na prostituição aderiu às CCOO. O ramo sindical alemão para trabalhadores sexuais disse-me que “nunca havia tido mais do que uns poucos membros” e nunca tinha tido qualquer conflito com a indústria do sexo apesar desta indústria na Alemanha ser a maior da Europa, com mais de um milhão de pessoas a vender sexo diariamente.
Igualmente decepcionantes foram os resultados da legalização na Alemanha: apenas 1% se registaram como “trabalhadores sexuais”. Quando a investigação oficial levada a cabo pelo estado alemão perguntou porquê, muitas mulheres na prostituição responderam que esperavam poder sair da prostituição o mais rapidamente possível pelo que não a queriam ver como mais do que uma solução temporária.
Huschke Mau, uma sobrevivente da prostituição alemã, escreve:
“Tal como a maioria das prostitutas, eu não me registei porque tive medo de não poder sair após fazê-lo. Porque tive medo que me perguntassem porque é que eu não queria continuar a trabalhar como prostituta, já que este era um trabalho como qualquer outro. E isto foi exatamente o que me aconteceu quando quis sair. Pedi ajuda ao departamento de saúde pública mas apenas recebi incompreensão da parte deles. Não consegui sair. O que é que era suposto dizer ao funcionário do centro de emprego quando fui pedir subsídio de desemprego para não ter que chupar dez pilas por dia, para que pudesse ter um sítio onde ficar e qualquer coisa para comer? Eles perguntaram-me como é que eu tinha subsistido nos últimos três meses. E se lhes tivesse contado como subsisti, talvez me perguntassem porque é que não queria continuar a prostituir-me, especialmente porque havia um ótimo bordel ali perto que ainda estava a contratar…?”
Uma mulher contou-me que tinha ido à procura de organizações de trabalho sexual na esperança de poder encontrar um abrigo, para acabar sendo usada pelas mesmas como um instrumento de campanhas. TAMPEP, uma outra organização holandesa, recebe milhões de euros da União Europeia para combater o HIV. O dinheiro é usado para distribuir preservativos por mulheres migrantes e para fazer campanhas a favor da descriminalização. Quando falei com a respectiva representante – mais uma vez uma assistente social – ela contou-me que as mulheres lhe pedem frequentemente ajuda para sair da indústria. Mas, acrescentou, “o nosso trabalho não é tirar as mulheres de lá. O nosso trabalho é ensiná-las a ser melhores prostitutas”.
Por vezes, escondidos por detrás dos direitos dos trabalhadores sexuais, podemos até encontrar proxenetas como é o caso do Sindicato Internacional Britânico dos Trabalhadores Sexuais (IUSW) gerido pelo dono de uma agência de acompanhantes, Douglas Fox. Embora seja dono de um dos maiores serviços de acompanhamento na Grã-Bretanha – Christony Companions – Fox refere-se a si próprio como um acompanhante masculino independente e fala repetidamente na imprensa sobre os direitos dos trabalhadores sexuais e os males do feminismo.
Este é um fenómeno internacional, que Mau denuncia:
“Refere-se o BesD [uma organização alemã de “trabalhadores sexuais”] como um ‘coletivo organizado de trabalhadores sexuais’ – tem consciência que este apenas representa 0.01% de todas as pessoas prostituídas na Alemanha? Que tipo de organização para as pessoas prostituídas é esta se ela inclui os próprios donos dos bordéis? Os exploradores fundam um ‘sindicato’ para representar os trabalhadores?”.
Que um patrão não tenha os mesmos interesses que o trabalhador é habitualmente óbvio para a esquerda – mas só quando não se trata de prostituição. O IUSW foi rapidamente convidado a afiliar-se à confederação britânica GMB (Sindicato Geral do Reino Unido) e aí permanece.
A ideia de “sindicatos de trabalhadores sexuais” é, sem dúvida, uma ideia poderosa. No entanto, durante a minha investigação, não me deparei com uma única organização que realmente operasse como um sindicato, ou seja, que fosse fundada e financiada pelos seus membros e composta apenas por pessoas na indústria e cujas contrapartes fossem empregadores e outras pessoas que dela tiram proveito. A maioria destes grupos são, na realidade, grupos de interesse cujo objetivo é o de legalizar todos os aspetos da indústria do sexo através da rotulagem da prostituição como trabalho.
O que é estranho acerca de muitos dos autoproclamados sindicatos de trabalhadores sexuais é que, para além da sua falta de membros e total fracasso em confrontar proxenetas e donos de bordéis, é a sua insistência na ideia de que o trabalho sexual é fantástico.
Os outros sindicatos falam de dificuldades profissionais, de longas horas, de riscos e da luta por benefícios e melhorias. A prostituição tem riscos que poucas outras ocupações têm: 82% de pessoas prostituídas já foram atacadas fisicamente, 83% já foram ameaçadas com uma arma e 68% já foram violadas. A taxa de mortalidade de mulheres na prostituição é a mais alta qualquer que seja o grupo de mulheres considerado, incluindo mulheres sem-abrigo e mulheres toxicodependentes. Como é possível que um sindicato responsável por representar pessoas prostituídas não fale sobre isto?
Na realidade, muitas das organizações previamente mencionadas fazem exactamente o oposto: encobrem os problemas. Falam sobre o quão recompensador é trabalhar na prostituição, sobre como representa uma genuína libertação do patriarcado, de como é uma excelente forma para conhecer os nossos próprios limites.
Na rua, porém, não se ouvem tais elogios.
Kajsa Ekis Ekman
 Kasja Ekis Ekman é uma escritora sueca, autora dos livros “Ser e Ser Comprada – Prostituição, Gravidez por Substituição e o Eu Dissociado” e “Primavera Roubada – AEurocrise vista de Atenas”. Kasja é membro do Centro Sueco de Estudos Marxistas e é oradora internacional sobre os direitos das mulheres, teoria da crise e capitalismo.
Escreve para o jornal sueco Dagens Nyheter.
Tradução Plataforma 
Portuguesa para os Direitos das Mulheres

KAJSA EKIS EKMAN

quinta-feira, 23 de março de 2017

FASCISMO E ANTIFASCISMO NA UCRÂNIA

O chefe da polícia de Kiev, Andriy Grishchenko, confirmou que o homem morto esta quinta-feira de manhã em Kiev, nas imediações do hotel Premier Palace, é o ex-deputado russo Denis Voronenkov. Denis Voronenkov, de 45 anos, foi procurador no Ministério Público Militar russo durante a década de 1990 e chegaria ao parlamento como deputado em 2011, sendo membro da comissão de Segurança e Anti-Corrupção. Curiosamente, ele, Voronenkov, seria em 2015 investigado pela justiça russa por ter adquirido um edifício em Moscovo no valor de cinco milhões de dólares. No ano passado a Forbes publicou uma lista com os dez deputados ou senadores russos que, durante o mandato, ocuparam igualmente o controlo de empresas offshore. Voronenkov era um deles.
O ex-deputado deixou recentemente a Rússia natal acompanhado pela mulher, a cantora Maria Maksakova, e pediu a nacionalidade ucraniana, vivendo em Kiev desde o último outono. Voronenkov alegava estar a ser perseguido pela justiça russa.
Entretanto, e já a residir na Ucrânia, Voronenkov testemunhou contra o anterior presidente ucraniano Viktor Yanukovych, acusado de “traição”. Alegadamente, Yanukovych terá apelado (por carta) ao parlamento russo para que este aprovasse o envio de tropas russas para o território ucraniano.

https://youtu.be/1Psk6TJlykE

Um incêndio no maior depósito de armamento da Ucrânia obrigou à evacuação de quase toda a população da cidade de Balakleya. Ministério Público Militar ucraniano fala em "sabotagem".
Uma explosão seguida de incêndio no depósito de armas da cidade Balakleya, na região de Kharkov, o maior do género na Ucrânia, obrigou à evacuação de 15 mil habitantes (num total de 26 mil) da cidade. Nas localidades vizinhas, outras 3.500 pessoas foram retiradas de casa por precaução pelas autoridades ucranianas. A notícia está a ser avançada pela agência de notícias russa Sputnik.
De acordo com a Proteção Civil ucraniana, “a primeira fase da evacuação terminou, estando os autocarros a regressar [a Balakleya] para levar os restantes” habitantes, acrescentando ainda que as autoridades locais estão a “verificar casa a casa” a cidade para perceber as consequências da explosão e posterior incêndio.
Entretanto, via Facebook, um procurador do Ministério Público Militar ucraniano, Anatolii Matios, referiu-a à explosão como tendo tido origem numa “sabotagem”. “Como resultado de uma sabotagem, uma explosão ocorreu às 3h02 (menos duas horas em Portugal continental) desta quinta-feira em vários locais de armazenamento de armas de artilharia e de foguetes, o que causaria a explosão”, acrescentou.
Foi decretado um perímetro de segurança de sete quilómetros em relação ao depósito de armamento. Não há qualquer morte a registar, mas apenas alguns vidros partidos em habituações e casos ligeiros de intoxicações por inalação de fumo.

A Rússia apelou esta quinta-feira a Kiev que “reconsidere a sua decisão” de proibir a entrada em território ucraniano da candidata russa que deveria participar no concurso musical Eurovisão, que se realiza em 13 de maio, na Ucrânia.
“Do nosso ponto de vista, esta decisão é extremamente prejudicial e injusta e nós realmente esperamos que seja reconsiderada”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aos jornalistas, referindo que espera que a “candidata russa possa participar” da Eurovisão.
O serviço de informação ucraniano (SBU) proibiu, na quarta-feira, a entrada de Ioulia Samoilova na Ucrânia por três anos, acusando-a de ter realizado um concerto em junho de 2015 na Crimeia, cerca de um ano após a incorporação da península  na Rússia.
Dmitri Peskov também referiu que Kiev “está a diminuir o prestígio da competição” ao privar um grande país como a Rússia de participar na Eurovisão.
“De maneira geral, não estou enervada (….). Devo continuar. Penso que de alguma forma tudo vai mudar”, disse na quarta-feira à noite Ioulia Samoilova ao canal público Perviy Kanal, que deverá transmitir a competição musical para a Rússia. A cantora de 27 anos, que possui uma deficiência e usa uma cadeira de rodas, não compreende como o Governo ucraniano pode considerá-la uma ameaça.
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, declarou que a responsabilidade desta decisão ficará “na consciência dos organizadores” na Ucrânia, segunda a agência de notícias Interfax. Esta quinta-feira, os meios de comunicação russos levantaram a possibilidade de um boicote da emissão na Rússia. Ioulia Samoilova foi selecionada em 12 de março e iria interpretar na Eurovisão uma balada romântica intitulada “Uma Chama Queima”.
O Festival Eurovisão da Canção é regularmente abalado por tensões políticas. A Rússia e a Ucrânia estão em conflito desde a incorporação da Crimeia, em 2014, posterior ao golpe fascista em Kiev, seguido por um conflito armado no leste da Ucrânia entre Kiev e as forças separatistas que já deixou mais de 10.000 mortos.


As Forças Armadas da Ucrânia através de 2 pelotões de reconhecimento e sabotagem sofreram a 20 de março 12 mortos e 14 feridos numa tentativa sem sucesso de penetrar nas linhas de defesa da Republica Popular de Donetsk perto da vila de Kominternovo no sul da República, a coberto de fogo de morteiro e veículos armados

CR

terça-feira, 21 de março de 2017

NEGO A INSUPORTÁVEL MODERNIDADE DA PROSTITUIÇAO


Na RTP discutiu-se a legalização da prostituição no programa Prós e Contras. O pretexto do tema foi a aprovação na estrutura dirigente do PS de uma proposta regulamentar para o exercício da prostituição, apresentada pela JS. O representante da JS presente no debate esteve acompanhado na defesa da chamada “profissionalização de trabalhadoras sexuais” por algumas entidades e sensibilidades, muito “liberais”, muito “intelectuais” e modernas.  

Para o jovem socialista o fenómeno da prostituição é considerado á partida como “não erradicável”, como o destino, uma liberdade individual, uma autodeterminação. Afirmando salvaguardadas as situações de prostituição infantil e de tráfico de mulheres, os defensores do regulamentarismo só vêm vantagens com a regulação de ditos “trabalhadores sexuais”, na sua “protecção social”, na “liberdade e direito individual” e numa prática de uma “sexualidade aberta” . É a luta contra o “estigma social”, contra o “limbo da discriminação”, uma “actividade com direitos” bla blá bla blá, … dizem.

Esta visão ingénua, idílica, das (dos) prostitutas(os) e do proxenetismo recolheu cerca de 73%  do apoio numa votação nacional sobre a questão. Não me admiro com tal resultado. Vivemos numa sociedade hipócrita, capitalista, em que as transacções visando o lucro são sempre aceitáveis, independentemente de princípios e éticas ou morais.

Falou-se muito de um modelo neozelandês de regulamentação da prostituição, que se acredita ser mais defensável. Nada sabemos sobre ideias, costumes, sexualidades na Nova Zelândia, uma realidade inacessível para todos nós mas querem á viva força que acreditemos que nas antípodas, tudo funciona às mil maravilhas. A reprodução das experiências regulamentadoras da Alemanha e da Holanda, de mais fácil acesso, é algo descartada, talvez porque são experiências de resultados desestimulantes para um cidadão europeu, mesmo vivendo na ponta ocidental da Europa.

Os argumentos vinculados por sectores contrários á regulamentação da prostituição são sérios e baseados em realidades vividas nesses países: aumento da violência contra as prostitutas, do número de mortes, do número de prostitutas, da prostituição infantil e tráfico internacional de mulheres, do aumento de proxenetas transformados em “respeitáveis homens de negócios”.  

As premissas são claras: a prostituição não é uma escolha ou ato individual ou voluntário, antes é uma aparente solução, ou consequência, de problemas económicos, agressões na infância e ausência de afectividade.

Acresce que o sistema organizado da venda de sexo por dinheiro não dignifica, humilha e degrada a mulher, deturpa a dimensão positiva da sexualidade, cria patologias físicas e psiquiátricas (HIV, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose, depressão, aborto forçado, alcoolismo) e reproduz e mantem o modelo masculino de dominação social e violência. Comprar um acto sexual é a negação do desejo. É negócio que interessa essencialmente aos proxenetas e exploradores.

A alternativa é promover a igualdade de género, a educação sexual e a liberdade com direitos. Punir os clientes que recorrem á prostituição e ajudar quem opte por sair do inferno da dependência sexual, da disponibilidade permanente da mulher para o desejo sexual do homem. Como projecto de vida.


CR 

segunda-feira, 20 de março de 2017

O RENTES

Em ositiodosdesenhos.blogspot.pt

Os ideais dos gramáticos reaccionários não podiam deixar de aclamar o estilo de um homem cuja obra é uma escola de imbecilidade. Porque o que, em Vieira podemos levar à conta de uma loucura de génio, é em Bernardes a cretinice obsessiva de um filho natural de judeu e de mãe dissoluta, que quer todos os cristãos à escala da sua castração mental.
Jorge de Sena
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Rentes de Carvalho é a mais recente estrela literária do firmamento das letras luzitanas. O êxito contudo aconteceu-lhe já tarde na vida e de fora para dentro. Rentes tornou-se conhecido com um êxito editorial na Holanda, onde está radicado há mais de cinquenta anos. É verdade, no país das tulipas e das tamancas.
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Mas Portugal depressa o descobriu - diga-se que para ter sucesso no país do sol-posto (a ocidental praia lusitana)  não há como ter sucesso lá fora. Os tugas adoram vencedores.
De origem humilde e sucesso tardio, o Rentes tornou-se porta-voz do que a nossa direita não confessa mas professa; uma espécie de intelectual orgânico invertido, ou às avessas; um saramago-de-direita. Um maitre a penser cujo determinismo tremendista encanta os leitores do Observador e os fãs de Francisco José Viegas, leva-os ao sétimo céu: apesar de ter obtido êxito e vencido na vida, o Rentes declama peremptório que isso não é para todos.
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Rentes é um prato cheio para quem aprecia um português “bom de lei”, como eles dizem. Na sua escrita (vê-se que leu com proveito o padre Manuel Bernardes) não há cá modernices, as histórias começam sempre no princípio e acabam invariavelmente no fim; e no meio, que é onde está a virtude - como certamente sabem os devotos do Padre Manuel Bernardes - é aí que ele parcimoniosamente dispõe as virgulas, os advérbios e até os complementos directos. Eu tenho contudo para mim que o que encanta esta turba na escrita do Padre Bernardes não é tanto a bela prosa como aquilo que vem embrulhado naquele português bom de lei que tanto exasperava Jorge de Sena: o fedor a bafio, a imbecilidade e ao mais reaccionário e xaroposo conformismo.
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O Rentes é careca. O Rentes é holandês. E fala como isso, como um skinhead  holandês. O Rentes diz cousas que eles nem pensam (eles não pensam) mas sentem; o Rentes fala-lhes ao coração.

O Rentes vota na extrema-direita. Não por convicção – diz ele – mas por protesto. Por reacção, portanto.