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segunda-feira, 5 de maio de 2014

O ELO INDESEJÁVEL


Pensei analisar a portaria do Ministério da Saúde, que pretenderia categorizar a tipologia dos hospitais do País, racionalizar meios e serviços, mas que no final, a implementar-se, iria desregular o SNS e atacá-lo como objectivo nacional.
Mas entretanto na cidade de Odessa houve um autêntico massacre numa sede sindical perpetuado pela extrema-direita, financiada e mobilizada pela Junta fascista de Kiev.
E então a denúncia da estratégia de criar em Portugal um sistema de saúde a duas velocidades: um com serviço público menorizado, mínimo, subfinanciado, dirigido a sectores da população de menores rendimentos e outro, controlado por entidades do grande capital, sustentado numa rede de seguros de saúde e de prestação de cuidados pelo sector privado, em parte financiado por dinheiros públicos, como vem acontecendo com o Regime Convencionado onde se integra a ADSE e outros subsistemas públicos, pareceu-me pouco urgente.
Em Odessa, os amigos do ocidente, da União Europeia e dos Estados Unidos da América, incendiaram um edifício e fizeram largas dezenas de mortos. O silêncio cúmplice de muitos perante as hordas fascistas, que teve aliados em hooligans dos clubes de futebol de Karkiv e Odessa, teve grande eco. O nazi-fascismo e a guerra florescem com o apoio dos governos legítimos e democráticos europeus.
Mas, sabe-se também, o Papa chorou com as notícias de crucificação de cristãos na Síria, às mãos dos “libertadores rebeldes” apoiados pelo mesmo Ocidente. O diplomático pudor do Vaticano de não identificar na sua intervenção pública o “país não cristão” onde tal acontece, não passa de um (lamentável) pormenor. Os muçulmanos jihadistas já exibiram aos seus financiadores as cabeças decapitadas em Keferghan, agora mostram as crucificações de Raqqa, castigo para quem não se converte ao seu ideário político e religioso.
Para a Imprensa internacional do sistema, a dúvida está em saber se os cristãos foram mortos antes ou depois da crucificação, se há ou não motivo religioso, para além do político (!). Significativo e nojento.
Dizia eu que da portaria, da desclassificação das unidades hospitalares, do fecho de serviços, resultará o despedimento de milhares de profissionais de saúde, a deslocação com custos incomportáveis para utentes, e a viabilização e rentabilização de unidades dos grupos económicos privados de elevada tecnologia. Da portaria, do desinvestimento público, resultará encerramentos de maternidades, eliminação de hospitais públicos das especialidades de endocrinologia e estomatologia, a eliminação de hospitais pediátricos, e serviços e valências por todo o lado. O caso do Vale do Sousa e Baixo Tâmega é exemplar mas não é único e em breve falarei dele.  
Mas a imagem dos preparativos para o massacre de Odessa, ou do fogo e violência do holocausto das marionetas de Kiev ou as cruzes do grupo Estado Islâmico do Iraque e da Síria, dirigidas ao extermínio do cristianismo e da liberdade religiosa, permanece viva e submerge tudo. Desperta dor e solidariedade activa, sem tolerância ou transigência.
Criminosos são e serão sempre criminosos, sem desculpa ou compaixão. Mesmo que alguns circulem pelas praças da Europa e Estados unidos, usem passaportes europeus como os mercenários da Síria ou os bandoleiros ucranianos, ou tenham amigos dentro do sistema.
Acredito no valor da racionalidade e na lógica da verdade.
Assim será até ao dia difícil, mas esclarecedor, em que se tiver de fazer o elo, a ligação entre factos aparentemente tão dispersos. Uma portaria, o avanço do fascismo e a luta pela civilização.

CR

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