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segunda-feira, 16 de junho de 2014

A P0LÓNIA DIRIGE AS OPERAÇÕES MILITARES NA UCRÂNIA


por Andrew Korybko 

As provas da participação activa a Polónia no conflito ucraniano acumulam-se, enquanto a guerra continua a devastar as regiões do Sudeste da ex-Ucrânia. Até o presente, a intervenção de Varsóvia tem sido feita indirectamente. Nem por isso é menos portadora de morte e destruição, ainda que nenhuma unidade militar polaca tenha sido deslocada ao terreno ucraniano. A Polónia não só contribuiu para o treino dos terroristas do Euromaidan, que antecedeu o desencadeamento do caos orquestrado na Ucrânia, como enviou ao terreno comboios de mercenários para reprimir brutalmente aqueles que se opunham ao golpe de Estado e levantavam-se contra a junta de Kiev. Vêem-se agora circular fotos que evidenciam a implicação da Polónia na espiral demente dos acontecimentos que ensangrentam a Ucrânia.

Na semana passada, Jerzy Dziewulski, o conselheiro de segurança do antigo presidente polaco Aleksander Kwaœniewski , foi fotografado em Slaviansk em companhia de Oleksandr Tourtchynov, o presidente interino da Ucrânia. Dziewulski é um perito notório em contra-terrorismo. Ele foi treinado nos Estados Unidos, em Israel e na Alemanha. Possui e dirige a sua própria empresa de segurança privada. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radoslaw Sikorski, declarou nada saber da presença de mercenários polacos na Ucrânia, limitando-se a indicar que transmitirá ao gabinete do procurador as informações que circulam a respeito. A foto que mostra Dziewulski em companhia de Tourtchynov prova que ele mente. A verdade é que a Sikorski e Dziewulski foram confiadas a responsabilidade das decisões estratégicas e tácticas da política de ingerência de Varsóvia no conflito ucraniano. Eles agem em coordenação e um não avança sem o outro.

Foi pouco antes da operação punitiva desencadeada em Abril pela junta de Kiev que começaram a filtrar-se informações sobre as equipes de mercenários que operam no interior das fronteiras da ex-Ucrânia. Mas as provas do envio por Varsóvia de contingentes de mercenários polacos à Ucrânia só vieram à superfície recentemente. Radoslaw Sikorski apressou-se a contestar a veracidade das revelações divulgadas no fim de Maio, mesmo quando o ministro delegado dos Negócios Estrangeiros da Rússia sublinhava, pelo seu lado, que mercenários estrangeiros, em particular polacos, estavam envolvidos no terreno e participavam nas operações. De modo muito desenvolto, Sikorski declarou não dar o menor crédito ao anúncio da captura destes mercenários e dos seus oficiais de enquadramento polacos. Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, estas informações são mentirosa e malévolas, trata-se de "pura propaganda". Fica-se ainda mais espantado com as afirmações de Sikorski, apenas uma semana antes, a denunciar a ilegalidade do próprio princípio do mercenariato. Portanto não é preciso esperar que ele confirme a existência destes mercenários polacos. Agora que circula, na rede Internet, a foto de Dziewulski em uniforme de combate com capacete e pistola a tiracolo, em companhia de Tourtchynov, tornou-se impossível negar a presença de forças polacas na zona dos combates.

É instrutivo consultar o curriculum vitae de Dziewulski para compreender até que ponto esta foto é reveladora das torpezas do governo polaco, surpreendido em plena malfeitoria em meio às suas manigâncias. Como indica seu sítio Internet, Dziewulski é um perito do anti-terrorismo e foi ele que criou a Comissão dos Serviços Especiais polacos (as forças especiais). Ele recebeu formação na utilização de minas explosivas, nas técnicas de execução de explosivos de toda espécie e na prática do tiro emboscado. Ele seguiu estágios de formação prática em Israel, nos Estados Unidos, na Alemanha e em França, passando mesmo pelo Departamento de Estado e pelo Bureau of Alcohol, Tobacco & Firearms (ATF) durante a sua estadia na América. Ele vangloria-se de ser o melhor perito do mundo em matéria de segurança e inclusive entre as empresas especializadas (leia-se: sociedades que asseguram a formação e a disponibilização de mercenários) e na organização e execução de planos de segurança personalizados (leia-se: a condução de acções ofensivas por grupos de mercenários). Dados os laços estreitos que ele mantém com Aleksander Kwaœniewski (o antigo presidente polaco), é muito provável um envolvimento importante do aparelho complexo dos serviços de segurança nacional do Estado polaco. A partir daí, não se vê como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorski, poderia ignorar tudo da implicação directa, no conflito que se envenena dia a dia no seu vizinho ucraniano, de um personagem tão próximo das mais altas autoridades do governo.

O que decorre de tudo isto é que Sikorski e Dziewulski tomaram o controle da política externa da Polónia em relação ao seu vizinho ucraniano. São eles que conduzem em conjunto, e em duas frentes, a ofensiva em curso contra as populações do Donbass. Sikorski, que manobra para suceder à baronesa Catherine Ashton como Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, praticamente eclipsou o próprio primeiro-ministro. Exactamente 69% dos europeus confessam não conhecer Donald Tusk, o chefe do governo polaco. Sikorski quer encarnar a alta estratégia executada pela Polónia para fazer prevalecer seus interesses nos territórios da antiga República das Duas Nações. É à ambição de fazer ressuscitar este império perdido que o chefe dos serviços de segurança ucranianos da administração da era Ianoukovytch atribui a participação da Polónia no golpe de Estado de Fevereiro último. 

Pelo seu lado, Dziewulski não ocupa a frente do palco. Até a publicação da foto mencionada acima, suas actuações a Leste das fronteiras da Polónia permaneciam, no essencial, na sombra. Com as forças que controla, ele assegura a execução, sobre o terreno, da estratégia definida por Sikorski, operando as escolhas tácticas apropriadas. O campo das competências que ele desenvolveu anteriormente leva a pensar que bem poderia ser ele aquele que supervisiona a acção das legiões de mercenários que enxameiam o Donbass (e portanto o responsável directo de todos os crimes de guerra que ali são perpetrados). Afinal de contas, é pouco provável que Tourtchynov perca seu tempo a fazer-se fotografar em companhia de um personagem de terceira ordem (o que Dziewulski não é), na proximidade as linhas de frente da ofensiva que ele desencadeou. Em conjunto, Sikorski e Dziewulski constituem o cérebro e o braço da máquina de guerra que Varsóvia instalou para além da sua fronteira oriental na esperança de reconstituir a defunta República das Duas Nações, esquecida do facto de que ela própria não é, na Ucrânia, senão o agente dos Estados Unidos e da NATO.


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