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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Feberónia, mulher de Parada de Todeia

Feberónia Vieira desceu mais de mil metros com curvas perigosas
Mulher de 82 anos participou em corrida de carros artesanais

Feberónia Vieira tem 14 filhos, 36 netos e já alguns bisnetos. Mas, aos 82 anos, 
esta mulher de Parada de Todeia, em Paredes,  não se resigna aos limites 
que a idade impõe e continua à procura de novas experiências, algumas
das quais rejeitadas de imediato por gente com menos algumas décadas de vida.
A octogenária percorreu, sem medo, mais de mil metros de  uma descida 
caracterizada por curvas apertadas e nas quais se registaram alguns acidentes.
E gostou tanto que, mesmo contra a vontade da filha, repetiu a proeza por 
duas vezes.

"Se o carro andar depressa a gente trava"

Entre as dezenas de pessoas que participaram na "Corrida de Carros
Artesanais", promovida pelo Agrupamento de Escuteiros 609 de Parada de 
Todeia, uma havia que se destacava. Não pelo carro que conduzia. Não pelo
fato de piloto que envergava. Nem tão pouco pelo capacete adornado com
uns cornos que usava. Com 82 anos, Feberónia Vieira era a pessoa com mais idade
 que, no último feriado, se propôs a percorrer os mais de mil metros da Estrada
 Nacional 309 que atravessa o centro desta freguesia do concelho de Paredes.

Antes do tiro de partida dado pelo padre da freguesia, Feberónia Vieira era uma
mulher tranquila. "É para descer que a gente está aqui. Não tenho medo 
nenhum. Já tenho muita idade e se morrer já vou na minha vez", afirmava,
entre risos.

A octogenária já tinha efectuado um treino de reconhecimento à "pista" no dia
anterior e percebido o segredo para não ter qualquer problema. "Se o 
carro andar depressa a gente trava", explicou.

Alegre e sem conseguir esconder a paixão pela vida, Feberónia confessava, ainda,
que era a primeira vez que andava num carro de rolamentos, uma experiência
que nem nos tempos de infância teve tempo de usufruir. "É a primeira vez que 
ando num carro de rolamentos. Pode ser a primeira vez e a última. Quando era 
criança, a nossa vida era passada a trabalhar nos campos", lembra.

Mesmo contra a vontade da família, fez a descida por três vezes

Pouco tempo depois destas palavras, Feberónia Vieira iniciou a descida que a 
levou até perto da sede da Junta de Freguesia local. Conduzida por uma filha, a 
mulher de 82 anos fez a viagem sentada debaixo de um guarda-sol e, sempre 
sorridente, foi acenando às centenas de pessoas que se dispersaram pela 
berma da estrada para ver os carros artesanais.


No final da descida, todos pensavam que Feberónia Vieira ia sentar-se à sombra 

para ver alguns dos filhos e netos competir pelo primeiro lugar da corrida 
que se disputava. Mas, contrariando a vontade da família, a octogenária exigiu
repetir a descida. Não uma, mas duas vezes. "A minha filha já não me queria
deixar ir a segunda vez, mas eu teimei e desci três vezes", contou, enquanto era
saudada por amigos e vizinhos. "As descidas correram bem. Gostava de fazer 
isto até à noite. Se houver outra corrida lá estamos", acrescentou.

Feberónia Vieira revelou que participou na "Corrida de Carros Artesanais" depois
 de ter sido desafiada pelo filho, o mesmo que venceu a prova apesar de, na 
final, ter sofrido um acidente que lhe provocou ferimentos ligeiros. "Quem 
me meteu nisto foi o meu filho. Chegou a casa e perguntou-me se queria 
participar. A minha primeira ideia foi não ir, mas quando ele me disse que 
eu podia ir com a minha filha aceitei", disse. "Costumo dizer: eu estou em todas".

(em O Verdadeiro Olhar)

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