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domingo, 1 de junho de 2014

NOTAS SOLTAS E PEDRAS MORTAS


Quando se sai de um processo eleitoral como o de 25 de Maio, parece evidente que há certezas, apesar de tudo sempre subjectivas, e um mundo de opiniões contraditórias, que dele emanam.
Em primeiro lugar, valeu a pena? Serve o processo eleitoral para legitimar o Parlamento Europeu (PE), na sua valorização e na sua composição, serve para alguma coisa? A resposta é Sim, já que não se conhece outra forma de concretizar a representação nacional nesse órgão transnacional, que constitui um dos componentes democráticos da arquitectura da União Europeia e da Zona Euro. Alguns falarão aqui na abstenção eleitoral e nas formas de anulação do voto (votos brancos e nulos), que se estendem por todos os países da União ou na limitada intervenção do PE eleito nas politicas comuns. Julgo ser um sofisma, para mim algo insustentável, que quem dispõe deste poder de influenciar pelo voto, o não faça por preguiça física ou mental, por comodismo, por atitude contestatária, por lapso, por não compromisso com uma decisão política. Quem cala, consente.
Em segundo lugar, o mandato dos cidadãos portugueses é claro? Percebe-se de forma inequívoca o sentido de voto? Sim e Não. Quando a direita política representada pela Aliança Portugal, do PSD e CDS coligados, obtém o resultado eleitoral menos favorável de sempre desde 1974, não há dúvidas sobre o seu significado. Poder-se-ia dizer que o resultado expressa SÓ a recusa da proposta eleitoral europeia da Coligação e os seus protagonistas (P. Rangel e N. Melo), nada tendo a ver com a governação em curso, numa interpretação muito parcelar. Mas todas as evidências demonstram que o País real votou de acordo com as peripécias de vida e condicionalismos do presente.
O PS ganhou administrativamente, mas não ganhou politicamente. Alguns falam de vitória pífia, eu consideraria uma vitória insuficiente. Assis transpira conservadorismo, uma identificação total com a prática dos socialistas e social-democratas europeus, uma ausente alternativa às políticas de austeridade e de independência perante os capitais privados.
Passando por alto o descalabro eleitoral do BE, fica o resultado encorajador da CDU, que ultrapassa os mínimos de uma evolução significativa e se propõe alcançar outros patamares de afirmação em próximas eleições.
Marinho Pinto, o novo gauleiter, é o quê? O MPT é Marinho Pinto e uns sósias? Quanto tempo será necessário para aparecer de forma transparente a demagogia e o populismo, as convicções com contradições e mais tarde as contradições sem convicções? A prática é a Mãe de todos os enganos e desenganos e o futuro dirá se o novo é novo ou não passa de pedra morta.
Derrotados há também alguns, não Expresso(s): a Comunicação Social que se recusa a exercer o dever de informar com pluralismo e isenção, não patrocinando debates por os achar inconsequentes ou desnecessários. Que bipolariza esse protagonismo e essa bipolarização é rejeitada pelo eleitorado.
Os 21 deputados eleitos representam as visões diferenciadas sobre o presente, as suas dificuldades, os constrangimentos na soberania, nas políticas comuns e na estratégia orçamental, mas também representam as diversas preocupações com o futuro, para uns poucos, uma vereda indiscutível e sem alternativa e para outros, em que me incluo, um horizonte a construir e trilhar com prudência e competência. 

CR


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