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quinta-feira, 10 de julho de 2014

a cuspidela da serpente

http://videos.sapo.pt/pdVkjFORSkAHZ3qnrmU4

O candidato “designado” a presidente da Comissão Europeia e o eurodeputado comunista João Ferreira travaram-se esta quarta-feira de razões num debate no Parlamento Europeu, com Jean-Claude Juncker a afirmar que não precisa que lhe expliquem a realidade de Portugal.

No quadro da ronda de discussões realizadas entre terça-feira e hoje com os diferentes grupos políticos da assembleia europeia, antes da votação do seu nome para a presidência do executivo comunitário, que terá lugar no hemiciclo de Estrasburgo a 15 de Julho, Juncker ouviu muitas críticas no debate com o Grupo da Esquerda Unitária Europeia, família que integra as delegações do PCP e Bloco de Esquerda, e que lhe declarou abertamente a oposição à sua designação para a presidência da Comissão.

Insurgindo-se contra muitas das críticas que lhe foram dirigidas, e procurando refutar designadamente o "rótulo" de neo-liberal e capitalista, Juncker mostrou-se irritado em alguns períodos do debate, incluindo durante a intervenção do eurodeputado português João Ferreira, quando este fez uma pausa para que o candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à sucessão de Durão Barroso "desligasse" o telemóvel, que manuseava, e o instou a voltar a colocar os auscultadores para ouvir a tradução da sua interpelação.

Depois de criticar o papel desempenhado em Portugal pela "troika", "que o senhor (Juncker) apoiou", e "chamar-lhe a atenção para a realidade" do país, referindo-se ao estado da economia e à escalada da dívida, João Ferreira fez uma pausa entre duas questões ao político luxemburguês, ao ver que este estava sem os auscultadores e manuseava o telemóvel.

"Vou fazer uma pausa para que possa desligar o telemóvel", disse o deputado, retorquindo Juncker que respondia a uma mensagem da sua mulher.

"Eu sei fazer duas coisas em simultâneo: escutá-lo e escrever ‘tudo está bem’", disse com desplante o político luxemburguês

"E percebe português também? Aguardava que colocasse os auscultadores", insistiu João Ferreira, ao que Juncker respondeu que cresceu rodeado de portugueses.


"Cresci na parte industrial do Luxemburgo e os meus vizinhos são portugueses. Sei muitas coisas de Portugal, por isso pode ser mais breve, porque eu conheço" a realidade do país, disse, visivelmente agastado, acrescentando depois, já na fase de respostas aos deputados, que, enquanto presidente do Eurogrupo -- na altura em que Portugal pediu assistência financeira - lutou mesmo contra a redução do salário mínimo em Portugal.

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