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quinta-feira, 17 de julho de 2014

BALANÇO DE UM PERCURSO ACENTUADO DE DEGRADAÇÃO (I)

(…o SNS á lupa)

Mais de 1 milhão de portugueses sem MF (Médico de Família). Encerramento de Centros, Extensões e Unidades de Saúde, de SAP’s, redução de valências e horários de funcionamento. Privatização dos cuidados públicos de saúde.

O cenário é sentido pelas populações e pelos profissionais e é confirmado pelos números das estatísticas oficiais. Assiste-se a uma evolução profundamente negativa. Definido o conceito de PRIVATIZAÇÃO – transferência de prestação de cuidados de saúde do SNS para o sector privado, definida a estratégia do governo – opção ideológica de criar um SNS a duas velocidades: um serviço público mínimo, sem qualidade e com falta de meios e um sistema assente na prestação privada, suportado em seguros privados de saúde (cerca de 2 milhões de portugueses já têm seguros de saúde) e na transferência de avultados meios financeiros do Estado para os grupos privados, a partir dos Subsistemas públicos, Parcerias Público- Privadas e Regime Convencionado.

Portugal da crise profunda, período 2011 – 2012. Austeridade, subfinanciamento do SNS, “racionalidade” de custos. Os grupos económicos da área da saúde facturam 1250 milhões de euros, crescendo num ano cerca de 20%. Desse autêntico manã, cerca de 30% são receitas transferidas dos 3 subsistemas públicos (ADSE, ADM e SAD). O Estado aliena prestação de cuidados, transferindo para a Mello Saúde, BES Saúde, HPP e Grupo Trofa, consultas (27,7% do total), cirurgias (16,7% do total).

ESCÂNDALOS – 90% dos tratamentos da hemodiálise são realizados em unidades privadas! Porquê? Cerca de 2400 doentes oncológicos serão enviados para o privado para serem tratados! Porquê? “Falta de capacidade dos serviços públicos de saúde”, “reorganização dos serviços de saúde”! Porquê? Deficits de assistentes operacionais nas Unidades de saúde, precariamente substituídos por POC’s, sem formação, sem motivação, sem reconhecimento… Um Despacho de 2014, a “lei da rolha” que exige silêncio, cumplicidade, cegueira, “sigilo”.

CR

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