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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Obrigado, Maria Luís Albuquerque!


O que se passou esta semana mostra que, na cúpula da Europa, ninguém aprendeu nada com a decisão do povo britânico de querer sair da União Europeia!

E o que se passa relativamente a Portugal (mas também a Espanha), em que nesta semana se acentuaram as pressões para a aplicação de sanções por incumprimento do défice de 2015, é uma prova evidente dessa cegueira e da insistência num caminho que, não tenho dúvidas, levará à implosão da União Europeia.

Alguns, uns ingénuos e outros mal-intencionados, pensarão que a razão dessas sanções se deve ao facto de Portugal (e a Espanha) não terem cumprido, em 2015, a meta do défice que, como se sabe, foi superior a 3%. Argumento que cai pela base quando todos sabemos que, por exemplo, também a França não cumpriu esse défice (mas, como diz o senhor Juncker, o homem que preside à Comissão Europeia apesar do vergonhoso esquema fiscal conhecido por "Luxemburgo Leaks", a "França é a França"!). Ou de sabermos que, por exemplo, a Alemanha também não cumpre as regras, dado que apresenta um excedente comercial superior ao estipulado nas regras europeias. Então, qual a razão desta pressão para a aplicação de sanções a Portugal (que, como disse num artigo anterior, são apoiadas, de forma mais ou menos encapotada, por uns traidores portugueses, que a História transformará nuns Migueis Vasconcelos do nosso tempo)?

Eis que Maria Luísa Albuquerque, com o seu cândido sorriso a esconder uma falta de vergonha atroz, dá a resposta. A culpa pelas sanções não é dela, nem do facto de o défice de 2015 - da sua responsabilidade e do Governo PSD/CDS que integrava - ter sido superior a 3%! A culpa é do facto de ela não continuar a ser ministra das Finanças, porque "tem a certeza", se continuasse a sê-lo, não se aplicariam sanções!


Mais clara não poderia ser! As sanções não se devem ao défice de 2015. As sanções devem-se ao eventual défice de 2016 (que, mesmo nas piores expectativas, é estimado com um valor inferior a 3%!). Ou, mais do que isso, as sanções são aplicadas porque a "Europa" não gosta da solução governativa constituída pelos partidos que, juntos, mereceram, em eleições livres, o apoio da maioria dos portugueses. Vai daí, a "Europa" acha que deve penalizar os portugueses que tiveram a "ousadia" de apoiar uma solução que põe em causa (mesmo que pouco) os ditames económicos que, apesar de todos os sacrifícios impostos aos portugueses, levaram a um défice superior a 3%. Parafraseando Juncker, não se aplicariam sanções, porque "a Maria Luís é a Maria Luís"...

Rui Sá

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