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quarta-feira, 20 de julho de 2016

VIVER NO CONTRADITÓRIO

Rejubilamos e bem com as nossas vitórias desportivas. Porque são nossas…

Suportamos, algo alheados, as pressões e indignidades que em nome do equilíbrio das contas

nos querem impor.

Levantamos bem alto o nome da Pátria, dos seus heróis desportivos, enchemos praças

cantando o Hino e festejando ruidosamente. Gritamos Portugal! Portugal! Portugal!

Vacilamos, dando-lhes algum crédito, com o canto de sereia dalguns Migueis de Vasconcelos

dos tempos presentes, representantes da dominação externa.

Marcamos os golos da vitória no País da Marselhesa, contra o chauvinismo, a megalomania e a

tradição.

Resistimos com dúvidas á ameaça de sanções e às profecias catastrofistas.

Somos pequenos, tantas vezes submissos e vassalos á procura tão só de uma vida sofrível. Mas

emocionamo-nos, empolgamo-nos e quando acreditamos somos (os) maiores. É assim a vida,

são assim os portugueses.

Um salário mínimo de 530 euros por mês é suficiente? Um vencimento de um administrador

bancário de três milhões por ano é defensável? As 35 horas da Administração Pública são

justas? As horas extraordinárias não pagas na confecção são toleradas? No contraditório do

presente vivemos.

Mas isto anda tudo ligado. O esforço e rigor que levam aos sucessos desportivos podem ser

aplicados na vida pública, no contexto europeu. A França de Deschamps vergou-se a um golpe

de génio de Éder, á crença de Fernando Santos e á liderança e génio de Cristiano Ronaldo. A

frase de Juncker La France c’est la France! não intimidou, antes pelo contrário.

Sabemos que as regras, os instrumentos, as leis, os tratados nos são desfavoráveis. Sabíamo-lo

desde o início. E que o aliado, mas que é adversário e concorrente, nos procurará atingir

sempre o joelho já lesionado, as nossas fragilidades, dependências e vulnerabilidades. A

submissão instalou-se. Pouco fizemos para a reverter. Os dirigentes da União Europeia têm

como “amigos internos” do peito os que nunca lhe disseram Não.

Mas não parece impossível que no plano da União Europeia possamos soltar a mesma energia

e rigor lutando pela soberania monetária, pelos nossos interesses, pela renegociação da dívida,

pelo investimento público, por uma política alternativa.

Portugal precisa de libertar das amarras que impedem o seu desenvolvimento, produzindo

mais e melhor, distribuindo mais equitativamente. Jogando á defesa mas sem descurar o

contra-ataque.

CR

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