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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

OS PANAMA PAPERS

Pieth e Stiglitz demitem-se do grupo de trabalho dos Panama Papers
(Ao cuidado do jornal Expresso e da TVI)

Dois especialistas internacionais, nomeados pelo governo do Panamá para investigar empresas offshore anónimas que visam a fuga aos impostos e a ocultação de bens demitiram-se na passada 6ª-feira devido a interferências do governo.
O professor Mark Pieth, presidente do Instituto de Governance de Basileia (Suíça), disse à BBC que apresentou a sua demissão da Comissão dos Panama Papers após o governo ter dito que “pre-aprovaria todas as conclusões”.
Joseph Stiglitz, professor de economia da Universidade de Columbia e vencedor do Prêmio Nobel, demitiu-se, também, no mesmo dia.
Pieth disse, “Disseram-nos que iam decidir no final se [o relatório do painel] iria ser divulgado ou não”.
O presidente do Panamá Juan Carlos Varela configurou, em Abril, um grupo de trabalho com sete membros para agir como uma Comissão independente na revisão das leis e regulamentos financeiros do Panamá.
Stiglitz disse na sexta-feira: “Eu pensei que o governo estava mais empenhado, mas obviamente não está. É incrível como tentaram sabotar o nosso trabalho.”

Pieth disse que os investigadores oficiais dos Panama Papers estão em “estado de negação.” E exemplificou “Eles dizem, basicamente, «bem, o que temos visto nos Panama Papers é algo que vemos em todo o mundo».
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Panama disse à BBC que tinha um “forte e verdadeiro compromisso com a transparência e a cooperação internacional.” E que as demissões resultaram de “diferenças internas”.
No início de Abril, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), sediado em Washington começou a publicar os chamados Panama Papers – mais de 10 milhões de ficheiros “pirateados” do escritório de advogados Mossack Fonseca, com sede no Panama.
Em Maio, a CIJI disponibilizou um banco de dados passível de ser usado para pesquisa com 320.000 entradas associadas aos Panama Papers, relativamente a empresas offshore e às pessoas por detrás delas.
Os documentos citam pelo menos uma dúzia de actuais líderes mundiais para além de 120 outros políticos e entidades oficiais.
Após o CIJI ter divulgado os Panama Papers, os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram medidas para restringir o uso de sociedades anónimas.
Desde que os documentos foram publicados, a Mossack Fonseca fechou os seus escritórios em Jersey, ilha de Man e Gibraltar e cortou a sua presença nos estados do Nevada e de Wyoming.
Em Portugal, os OCS envolvidos na divulgação dos documentos e que se comprometeram a fazê-lo por “episódios” mantêm um silêncio sepulcral sobre o tema desde há mais de cem dias…



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