um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 27 de setembro de 2016

TRAFULHAS

A criação do clima para o golpe continua

O FMI, que volta meia volta vem confessar que se enganou para depois receitar a mesma coisa, a mesma terapêutica  que levou à mais profunda recessão, queda do investimento e brutal acentuação das desigualdades, vem agora, na sua recente análise à economia portuguesa, «Portugal: growth needs further reforms», pela primeira vez, sublinhe-se, com uma referência explícita ao risco de novo resgate. 

Esta afirmação que nada tem de técnica, para além de preparar a opinião pública tem como efeito dar justificação aos ditos mercados para o aumento das taxas de juro.

Na verdade, candidamente, o FMI, sócio da Troika, afirma que «O baixo crescimento, a despesa pública o atraso nas reformas e bancos frágeis não permitirão a convergência com a zona Euro, e poderão levar à perda de acesso ao mercado, mesmo perante pequenos choques.»

E, tornando os avisos/chantagens ainda mais claros, o Fundo diz-nos que o baixo custo de financiamento da República se deve às compras do BCE (quantitativ easing).

Isto é, lembra-nos (ameaça/chantagem) que se o BCE nos tirar o tapete via DBRS (o golpe) as taxas de juro subirão. O Banco de Portugal, fazendo coro, já veio dizer que sem o BCE as taxas estariam 2,5 pontos acima das verificadas.

 Sem rodeios, o FMI aponta como solução para o défice um corte de 900 milhões de euros na despesa do Orçamento do Estado para 2017, para além da pressão sobre mais cortes em 2016!

E onde deverão ser feitos esses cortes?

«Na rigidez laboral» como sempre.

Camilo Lourenço, um dos sacristães (sacristanum) da  missa cantada do neoliberalismo, descodifica e vai directo ao assunto: cortes nas pensões, salários e prestações sociais. (Negócios, 23 de Setembro de 2016)

Em tom triunfante acrescenta  ainda, precisamente o contrário do que defendem PCP e Bloco.

É a receita da austeridade perpétua, isto é, da continuação da política de concentração da riqueza, como recentes estudos, mais uma vez, evidenciaram.

E quando se procura fazer alguma correcção fiscal, mesmo que timidamente para atenuar a acentuação das desigualdades,  o coro dos defensores dos grandes senhores do dinheiro grita em uníssono: é a classe média, é a classe média. 

"É a classe média mais uma vez, a ser atingida."

 Trafulhas e golpistas!


Carlos Carvalhas

Sem comentários:

Enviar um comentário