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terça-feira, 11 de outubro de 2016

AS LUTAS PERFEITAS


…reflexão de um democrata português

Eu, democrata com cédula profissional, apoio as lutas perfeitas, civilizadas, estilo torneios da Idade Média. Lutas sem sangue, assim a modos de lutas em consenso, sem sindicatos, em que não há derrotados, nem prejudicados, nem injustiçados. Daquelas que os patrões gostam, os governos toleram, os comentadores sociais valorizam positivamente, até os deuses patrocinam. São os conflitos que antes de se expressarem já são beijos na boca, afagos no pescoço, sorrisos a dobrar. Mas não tolero as lutas que se travam sem se ter a certeza da vitória, que incomodam o vizinho e o primo, irritam o senhor comendador, mobilizam a policia, despertam, vejam lá, alguma violência por vezes.

Sou, diga-se, do tempo do requerimento, do desculpa qualquer coisinha, da palavra prudente, redonda, equívoca, adocicada, impulso irrefreável para a dúvida, para a desistência, para o relativo, pelo respeito…e pelo silêncio. Para mim, ser ou não ser não é questão (somos por vezes, outras vezes somos quase nada). Ter ou não ter não é ambição ou direito, antes é estatuto divino (ou do destino). Não sou de dores reais, sou de achaques, de indisposições… dos “princípios” de doença.

Não discrimino: hoje sou contra os taxistas, como ontem fui contra os professores, os médicos, os funcionários públicos, os trabalhadores da TAP (ai, contra os pilotos!), contra os políticos, contra o aborto, contra os comerciantes que querem fechar ao Domingo. Sou libertário, confucionista, democrata, liberal, pró-governamental independentemente do governo, conservador, anticomunista, europeu. Insulto todos nas redes sociais, dou aí a minha opinião avalizada sobre tudo, mas sem argumentar…

Gosto do José Rodrigues dos Santos, sim senhor, da Cristas, do Medina Carreira, dos títulos universitários, das discussões tácticas sobre futebol, …do Prós e Contras… dos louvaminhas, das secretárias dos Conselhos de Administração, dos motoristas dos carros oficiais, dos pedintes, dos idiotas inofensivos, dos alegres, das confrarias, dos debutantes, das praxes, dos executivos, de jornalistas professores na Universidade Católica, de contabilistas.

Não gosto de sindicalistas, de autodidactas, da palavra povo, de filósofos e poetas, de vagabundos da rua, de viajantes, anónimos, impulsivos, criadores e convictos (como desconfio destes!). Para mim, a verdade está sempre do lado da esmagadora maioria.


Vosso Democrata, 11 de Outubro de 2016

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