um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 30 de outubro de 2016

ENQUADRAMENTO DA GUERRA (I) - MOSSUL


Decorre desde 17 de Outubro a fase final da batalha por Mossul, 2.ª cidade do Iraque, com 1,3 milhões de habitantes. A cidade está tomada desde 2014 pela organização terrorista Estado Islâmico, que fez dela sua capital no Iraque. Forças do exército iraquiano, milícias xiitas iraquianas e forças curdas, apoiadas por uma coligação que inclui os Estados Unidos da América, prepararam a ofensiva. Mas Mossul foi cercada deliberadamente para que os terroristas possam fugir para oeste, para a fronteira da Síria. Isso resultou da estratégia dos Estados Unidos da América e do seu aliado turco.

Ao contrário do que seria lógico se se pretendesse matar a serpente jihadista no ovo, com um cerco total e a morte ou prisão da estrutura criminosa que inclui muitos milhares de mercenários de todo o mundo, assiste-se a mais um jogo superperigoso, com a transferência e reforço da ameaça politica e militar dos cruéis radicais para a Síria, nomeadamente para Raqqa, a capital do Estado Islâmico na Síria. Há relatos por parte de forças iraquianas da participação da força aérea americana na retirada dos principais dirigentes do Estado Islâmico de Mossul. Fica-se com a impressão de que Washington não combate verdadeiramente o Estado Islâmico, sua criação, antes o desloca como já fez em Falluja, no Iraque.

Após a aventura desastrosa de tentar mudar o regime Baath na Síria e no Iraque, com milhões de mortos e deslocados, assiste-se a uma tentativa de mudança das actuais fronteiras por parte de países limítrofes como a Turquia, e de potências europeias como a França. A Turquia por exemplo ameaça não permitir que forças curdas tomem bastiões do EI a oeste de Mossul, como em Tel Afar. Que pretende Ancara? Durante 2 anos de ocupação desta cidade iraquiana, de predominância turcomena, a Turquia nada fez, tal como em Kobani. Limitou-se a gerir o desespero e a mão de obra infantil barata dos desalojados em industrias locais. Agora é o “vem aí os curdos…” e a invasão do norte da Síria. O Estado Islâmico é o amigo que geoestrategicamente se abandona.

São inúmeras as tentativas de divisão de povos, comunidades, promovidas pelas potências ocidentais. É o dividir para reinar. Umas vezes são promovidos os interesses dos yazidis, outras vezes são os curdos, outros são os cristãos, ou os turcomanos, ou os árabes ou os drusos, ou os sunitas. Mas sempre o que predomina, aquilo que a maioria da comunidade internacional mais promove, e os media do sistema reproduzem não são os interesses dos povos, são os interesses da Guerra e de Israel.  


CR

Sem comentários:

Enviar um comentário