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domingo, 30 de outubro de 2016

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A CULPA SÓ PODE SER DA CALDEIRA…

Todas as turmas de uma Escola EB 2,3 de um concelho importante do Vale do Sousa estão sem aulas de Educação Física desde o início do ano lectivo - ou melhor, tem aulas “teóricas”. E porquê? Por causa de uma caldeira avariada no balneário. Ao que consta, o orçamento para reparar ou substituir a caldeira é de 5.000 euros. Que a direcção da Escola diz não ter. Que a entidade que supervisiona os equipamentos escolares, a DGEstE Norte, diz, á direcção da Escola, não ter neste momento e vai reavaliar em janeiro. A Câmara do concelho onde está implantada a Escola diz não ter responsabilidades em reparar ou substituir a caldeira. Que estava a funcionar no final do ano lectivo anterior. Que deixou de funcionar no início do ano lectivo actual. Que foi utilizada por clubes, associações desportivas ou grupos nesse intervalo de tempo. Que entretanto por excesso de utilização ou velhice deixou de funcionar.

Clubes, associações desportivas ou grupos, numa utilização extra-escolar, certamente ao abrigo de um protocolo de utilização firmado com alguém. Com a Escola? Com a DGEstE? Com a Câmara? Com contrapartidas? Despesas de desgaste de equipamentos? Sem nada?

A Escola vai iniciar obras globais em Janeiro. Obras essas que se prolongarão e que na sua programação e concretização das prioridades não atingirão com celeridade a substituição ou reparação da caldeira. Que assim se supõe ser possível em junho, final do ano lectivo. Ou depois. Até lá, aulas “teóricas”. Rica promoção do desenvolvimento psicomotor, das capacidades físicas, da criação da noção de equipa, integração em grupo e objectivo comum, da prevenção da obesidade infantil e juvenil! 

A denúncia partiu de pais. Que não se satisfazem, ao contrário de alguns, com aulas “teóricas” de Educação Física. Que julgam que os seus filhos merecem mais do que viver e aprender condicionados a uma caldeira avariada á espera de melhores dias. Que já não acham justo outros alunos do mesmo ano de outra escola, esta Secundária, situada a cem metros, tenham acesso a piscina municipal e eles não. Como outros de outras escolas da cidade. Com base num protocolo com a Câmara. Um protocolo “discriminativo”. Que não entendem. No mesmo concelho haver alunos de 1ª e alunos de 2ª categoria, os pais querem deveres e direitos iguais para os seus filhos.

Uma Câmara Municipal não pode deixar de assumir papel interventivo no sucesso educativo dos seus cidadãos. Quer este decorra de uma caldeira avariada, um sistema de transportes escolares ineficaz, uma inexistente organização de actividades em férias escolares, da ausência de assistentes operacionais, do consumo de drogas ilícitas á porta das escolas, da insuficiência da Educação de Adultos, do Ensino Técnico – Profissional, da Educação Especial. Digo mais, deve ser promotor em primeira linha da articulação com responsáveis directos, mas muito exigente em nome do interesse da população que serve. E nunca lavar as mãos como Pilatos.  Há até estruturas próprias de envolvimento da população, dos profissionais, das direcções das escolas, dos autarcas, como Conselhos Municipais de Educação. Se não é para tratar problemas concretos, para que serve? Feira de vaidades?

E em democracia somos todos iguais nos direitos de cidadania, na saúde, no ensino, na justiça. Os serviços públicos, e neles incluo as Câmaras Municipais, servem todos de igual forma, ricos e pobres, licenciados e menos qualificados.

Uma qualquer DGEstE terá que ter um fundo de maneio para atender situações de emergência ou ruptura, com intervenções imediatas, soluções expeditas. A educação dos nossos filhos não pode estar sujeito á tramitação burocrática, aos apetites mais ou menos circunstanciais de alguém atrás de uma secretária de mogno.

Darei conta no futuro do futuro da caldeira avariada. Esperemos que seja só ela a dar sinais de incapacidade.


CR

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