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domingo, 13 de novembro de 2016

GENTE NOVA, VELHAS IDEIAS


Qualquer organismo vivo só sobrevive se se renovar, e o mesmo parece acontecer com as organizações sociais que, quando permanecem imutáveis, estiolam e envelhecem precocemente. É o ciclo da vida.

Há uma necessidade óbvia de renovar protagonistas políticos, de encontrar novas ideias ou adotar métodos novos. Não será essa a solução de todos os problemas (como o absentismo, a desilusão, a menor qualidade da intervenção) mas constitui em si factor de progresso positivo.

Em Paredes, dizem-me, há gente nova com intervenção crítica nas redes sociais e com pretensão de intervenção politica direta. Sente-se, sentimos todos, que há um espaço que com novas ideias podia ser ocupado com “outras” sensibilidades, “outras” opções, “outros” ativismos. E há uma percentagem do eleitorado (cerca de 10%?) com opções nacionais não representadas em órgãos democráticos locais (BE, PAN, “Tinismo”)

Na procura de estudar o fenómeno (tardiamente, confesso), e de o acompanhar e aprender, fui ver o que era publicado nessas redes sociais. Li e a desilusão é total. Falarei de algumas propostas lidas e depois direi algo sobre os protagonistas.

Propõem por exemplo um novo slogan para Paredes, que certamente identificasse Paredes, as suas gentes, as suas actividades mais representativas. Paredes Rota dos Móveis seria inóquo, diz-se. Mas será mesmo necessário? A que custos? E qual esse nome mobilizador? Propõe-se para Paredes uma vocação de “charneira” entre a Área Metropolitana do Porto (que se pretende abandonar) e uma Comunidade Tâmega e Sousa. Mas numa divisão territorial com componente de desenvolvimento regional e coesão territorial não se pode ser carne e peixe ao mesmo tempo. Propõe-se avulso um parque de campismo (onde? no concelho? na cidade? público? privado?), um Lobby Internacional do Mobiliário de Paredes (para substituir o quê?),  uma Rota Gastronómica do Sousa e Ferreira (com que pratos típicos?) , um Concurso de Fotografia tipo 24 horas a tirar fotografias, um campeonato amador de futebol de onze em Paredes, uma Ecopista Paredes – Aguiar de Sousa (que passaria por território de Penafiel,  ou não?), uma Feira de Livro anual, com escritor conhecido, a lembrar a Escritaria de Penafiel, um Fim de Semana das Cidades de Paredes, um Teatro internacional de teatro de Rua, uma instaladora de empresas de base tecnológica e inovadora no Largo da Feira, eu sei lá que mais bizarrices…

Mas o que mais desilude é a ausência de conhecimentos sobre a realidade e a visão básica e retrógrada sobre muita coisa. Exemplo (cito): “Em traços gerais trata-se de identificar essas famílias (com grandes dificuldades económicas) e depois cada uma delas recolhe vidros e plásticos que ao serem entregues na sede duma junta serão pesados. A cada kg corresponderá um determinado valor em dinheiro transferível numa senha devidamente autenticada e que será trocada por bens em estabelecimentos aderentes. Depois disto o dono ou responsável pelo estabelecimento desloca-se à sede da junta e troca as senhas pelo valor correspondente em dinheiro. A junta de freguesia entretanto vende esse vidro e esse plástico e é com esse dinheiro que efetua os pagamentos.”.

Estamos perante um caso de estigmatização da pobreza, e aproveitamento das dificuldades de alguns para criar lucros a outros, bem como ausência de conhecimento das competências das autarquias locais.

Outro exemplo:Captar mão de obra de pessoas que estejam desempregadas, captar os jovens obviamente dando-lhes alguns incentivos para limpeza florestal, privada ou pública.” Esta ideia “jovem” de “captar mão de obra”, desempregada e/ou voluntária jovem, para limpar matas privadas é completamente bafienta. O jovem autor da proposta não sabe o que é a dignidade de trabalhar com deveres e direitos. Só conhece o termo "mão de obra"…

Perguntei-me: Que ideologia é esta? Que populismo é este? Quem critica tão asperamente o passado e o presente e apresenta tais ideias de futuro? Um dirigente do BE local estará no centro de um Movimento de regeneração ou de afirmação local. No meio terá estado (momentaneamente) Raquel Moreira da Silva, a ex-vereadora. A aproveitar a Onda…


CR

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