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domingo, 20 de novembro de 2016

poema

Angina de peito

Se tenho metade do coração aqui, doutor,
A outra metade está na China
No exército que desce para o rio Amarelo.
E depois, todas as manhãs, doutor,
Todas as manhãs, de madrugada,
O meu coração é fusilado na Grécia.
E depois, quando os presos adormecem,
Quando na enfermaria se extinguem os últimos passos,
O meu coração parte, doutor,
Parte para uma velha casa de madeira em Istambul.
E depois, há dez anos, doutor,
Que não tenho nada para oferecer ao meu povo
Nada senão um fruto,
Um fruto vermelho, o coração.
É por causa de tudo isto, doutor,
E não por causa da arteriosclerose, da nicotina, da prisão
Que tenho esta angina de peito.
Olho a noite através das grades
E apesar dos muros que me pesam no peito
Bate-me o coração com a estrela mais distante.

Nazim Hikmet

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