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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

UMA COLOSSAL HIPOCRISIA, UM ATO DE TRAIÇÃO

Um livro recentemente publicado em França revela ter existido um pacto secreto entre François Hollande e os altos dirigentes da Comissão Europeia, a de Durão Barroso e a de Jean–Claude Juncker, para que a França não cumprisse as metas do défice.
Sabemos agora que as contas apresentadas pela França em Bruxelas eram falsas, um procedimento repetido desde que foi eleito Hollande em 2012, com a cumplicidade da Comissão Europeia. As previsões do défice das contas públicas francesas foram (cito Hollande) “uma mentira pura e simples, aceite por todas as partes”. Hollande afirma candidamente que o único pedido da Comissão Europeia foi «apontar para os três por cento», para que, em troca, fosse concedida «uma certa bondade no ritmo da trajectória». Ou seja, a França só teve de dizer que ia reduzir o défice para o limite dos 3%, ainda que não houvesse qualquer intenção de o fazer. A França recebeu duas extensões do prazo para corrigir o seu défice público: de 2013 para 2015, e agora até 2017.
O objectivo era reforçar a falsa legitimidade da Comissão Europeia para exigir aos restantes estados-membros o cumprimento das metas. Como se viu este ano, apesar de a França ultrapassar o limite, não foi sancionada, porque «a França é a França», explicou Juncker. Portugal e Espanha, na mesma situação, continuam a ser alvo de um processo de sanções que, a par das renovadas exigências de cortes, pode ainda resultar na suspensão de parte dos fundos comunitários a que têm direito.
“É o privilégio dos grandes países. Nós dizemos: somos a França, nós protegemos-vos, temos umas Forças Armadas, uma força de dissuasão, uma diplomacia. Eles, os europeus, sabem que precisam de nós e, portanto, isso paga-se
O plano orçamental recentemente apresentado em Bruxelas pelo governo francês aponta para um défice de 2,7% mas a verdade é que não é a primeira vez que as estimativas do governo dirigido por Hollande não coincidem com a  realidade. Curiosamente, apesar desse registo de desvios, a Comissão Europeia só pediu explicações adicionais à Bélgica, a Chipre, a Espanha, à Finlândia e a Portugal, relativamente aos planos orçamentais entregues em meados de Outubro.
Na verdade, desde a assinatura do Tratado Orçamental, em 2013, e o reforço do controlo orçamental sobre os estados-membros, a Comissão Europeia nunca fez qualquer reparo aos planos orçamentais apresentados pela França no quadro do Semestre Europeu.

Estamos perante uma monumental trapaça que envolve muita hipocrisia e tem consequências políticas imensas. O malfadado Tratado Orçamental está morto. A credibilidade da Comissão Europeia está de rastos, bem como o projecto político e económico subscrito pelas duas grandes famílias políticas europeias, o PPE e o PSE. Assiste-se a uma profunda e persistente crise da União Europeia, nas vertentes política, económica e moral. O processo de integração capitalista, que prometia para Portugal o pelotão da frente numa Europa forte e solidária, ruiu. É preciso salvar a Europa, derrotando a União Europeia.

Mas é preciso não esquecer os nossos Miguéis de Vasconcelos, sempre prontos a trair pelas costas os interesses nacionais. Barroso nesse particular é uma figura histórica detestável. Victor Constâncio, talvez mais discreto, não merece referência positiva.


CR

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