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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

OBITUÁRIO DE UM GRANDE


Começou por ser pequena personagem romântica e sedutora da História, antes de se tornar símbolo indiscutível e perene de uma revolução. E mais tarde, consciência da Humanidade.
Foi na segunda metade do seculo xx, o dirigente do chamado Terceiro Mundo com maior influência pela palavra e pela acção nos acontecimentos mundiais, como a descolonização e as lutas contra o racismo e o imperialismo.
Alcunhado por alguns de autoritário, mesmo de ditador, essa avaliação rude e desajustada choca com o conhecimento profundo que dele vamos tendo, do carisma e prestígio mundial que transporta, do exemplo reconhecido de dignidade em vida, da qualidade de liderança pessoal. Não há calúnia mediática ou ódio que resistam à prova da vida.
 Disse muito lucidamente em 2 de janeiro de 1961: Uma revolução não é um leito de rosas. Uma revolução é uma luta até a morte entre o futuro e o passado”. Certamente ele gostaria que fosse diferente. Mas não é. O criminoso bloqueio económico e político que enfrentou bem como as inúmeras tentativas de assassinatos vindas dos EUA provam que o “leito de rosas” só existe no cérebro dos utópicos.
 No turbilhão dos acontecimentos, condicionado pelas razões da geopolítica, ousou desafiar a lógica da História, os manuais de ciência politica, a lógica da submissão dos pequenos perante os grandes, com inteligência, coragem e coerência.
Que importa que as embaixadas da França e dos Estados Unidos em Cuba não tenham posto a bandeira a meia haste pela morte de El Comandante? Que importa os quilómetros de prosa pútrida publicados em todo o mundo sobre Fidel e a revolução cubana? Que importa a cegueira ideológica, cultivada no vizinho do norte e nas corruptas capitais de Paris, Londres ou Madrid? A imagem das exéquias fúnebres diz tudo: um líder não só respeitado, como amado, interna e externamente.
Disseram que era rico, a Forbes inventou uma fortuna colossal com capitais na Suiça e contudo vivia de forma espartana numa vivenda de um só piso na periferia de Havana. A sua percepção das limitações da condição humana tornou-o avesso á glorificação da sua pessoa. O nome e a figura de Fidel Castro não vão ser utilizados em lugares públicos, ruas ou praças, nem serão erigidos em sua memória monumentos, bustos ou estátuas, por desejo expresso do falecido líder revolucionário, disse o Presidente cubano. "O líder da revolução rejeita qualquer tipo de manifestação de culto à personalidade e manteve essa atitude até às suas últimas horas de vida", disse Raul Castro num discurso de homenagem ao seu irmão Fidel, realizado na cidade de Santiago de Cuba.
Cultivava a palavra como poucos, a palavra mobilizadora, criativa, escrita ou oral. Tinha uma concepção ética da vida, avesso á excessiva autoridade pessoal. Deixou de fumar para ter a autoridade moral para combater o tabagismo. Manteve-se em excelentes condições físicas com várias horas de ginástica diária e natação frequente. Disciplina férrea, autodomínio completo.
Tinha um verdadeiro espirito universalista, solidário, quer fosse na criação de brigadas médicas cubanas em todo o mundo, quer na política de educação de adultos, quer nas batalhas militares do sul de Angola.
Retomo: a sua grandeza despertou muito ódio. Mas a sua existência iluminou muita consciência adormecida. Viva Fidel!


CR

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