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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PONTOS DE REFLEXÃO


É prática já abandonada em muitos países, mas permanece em Portugal: a publicitação de um ranking de escolas, no caso das Secundárias. Sabemos que os rankings das escolas, e consequente “ordenação” das escolas, construídos a partir dos resultados dos alunos, não são absolutamente credíveis nem justos. A realidade da qualidade da educação ministrada não se reduz aos exames e suas notas. Os vieses resultam do facto de os exames nacionais serem apenas um elemento de avaliação e não a medida, o retrato, de tudo o que se faz na escola.
Pelo 16.º ano consecutivo é divulgado o referido ranking num espectáculo mediático eivado de alguma demagogia. As escolas privadas ocupam sistematicamente os primeiros lugares. A escola (privada), que ocupa o primeiro lugar do ranking pelo terceiro ano consecutivo, cobrava mensalidades de cerca de 500 euros no ano lectivo passado. As privadas seleccionam os seus alunos, trabalhando assim com grupos mais homogéneos do que os das escolas públicas. Algumas das escolas (públicas) do final da lista estão inseridas em contextos sociais mais desfavoráveis, de exclusão social. Na lista de escolas que mais inflacionam as notas relativamente aos resultados dos exames nacionais, dois terços são escolas privadas. Pelo contrário, na lista das 16 escolas que dão notas mais baixas que os resultados dos alunos obtidos nos exames, 11 escolas são públicas.
Será possível e, mesmo necessária, uma leitura “despretensiosa” dos dados obtidos, por parte da comunidade escolar e da sociedade? Julgo que sim. Vejamos o caso da subregião do Vale do Sousa. Em 632 escolas secundárias avaliadas, com a excepção da Casa Mãe em Baltar (lugar 13), aparentemente há um deficite nos resultados apresentados: Secundária de Penafiel (lugar 222), Secundária de Paredes (lugar 242), Rebordosa (lugar 294), Lordelo (lugar 398), Baltar (lugar 525), Joaquim Araújo (lugar 600), Pinheiro (lugar 617). Julgo necessário um sobressalto que atinja as famílias, os profissionais da educação, os autarcas, um novo impulso que questione, mobilize, rectifique e por fim avalie. Passada a fase das instalações e equipamentos, que se apresentam renovados na sua grande maioria, importa reforçar a dinâmica educativa.
Porque será que por exemplo, em Porto Mós, Satão, Caldas da Rainha, Bombarral, Carregal do Sal, Vila Nova de Paiva, Castelo Branco, os resultados são aparentemente melhores? O meio é diferente, os alunos são mais capazes, os professores são mais motivados? Preconizo algumas linhas de reflexão (e de atuação). Reforço do papel da Escola como elemento identificador e agente de progresso de uma comunidade. Valorização do estatuto do Professor como educador e profissional com deveres e direitos. Aumento da autonomia das Escolas, no âmbito curricular, pedagógico e disciplinar. Reforço de auditorias e acompanhamento externas. Diminuição da componente lectiva e reforço de iniciativas de envolvimento na comunidade na aquisição de saberes e comportamentos. Apoio social efectivo aos alunos, aumento de práticas de apoio pedagógico individualizado. Formação profissional continua. Dinamização (renovação efectiva) dos órgãos da Escola e sua responsabilização. Renovação dos profissionais com a justa aposentação de toda uma geração e entrada no sistema de novas energias.   
Estas são as responsabilidades da Nova Escola que desejo. Mas compete á sociedade mudar também: deixar de ser uma sociedade fútil, alienada com superficialidades, não desperta para a competitividade, conservadora, pouco atenta, preguiçosa em atingir objectivos mais exigentes.


CR  

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