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sábado, 11 de fevereiro de 2017

UM BOM TEXTO DO SÉRGIO RIBEIRO

Caixa Geral dos Depósitos e escolástica

Ocupa-se, há desmedido tempo, o tempo de informação política com uma questão. Com a ajuda do Expresso-curto, muito bem “tirado” por Valdemar Cruz (A verdade como ponto de vista), procuro resumir:

Qual é a questão?
“Em causa está apurar se houve ou não acordo para isentar a anterior administração (nomeada para a CGD) de apresentar as declarações de património e rendimentos.”

Como se discute a questão?
“… entre a mentira pura e dura, a hipótese de uma sugestão de falsidade, ou a eventualidade de uma omissão da verdade, do que estamos a falar é de exercícios retóricos muito ao gosto de Nietzsche, que defendia ser impossível obter uma certeza sobre a definição do oposto de mentira.”

Pretende-se chegar à verdade?
“A verdade é, sempre foi, uma questão de poder. Do poder de quem tem o poder de fazer valer um ponto de vista. Da aceitação de um postulado deste jaez não resulta uma necessária negação de um outro princípio basilar exposto por Karl Marx, creio que nas “Teses sobre Feuerbach”(*), quando rejeita a arbitrariedade ou subjetividade dos conceitos e afirma a existência de uma verdade objetiva.”

Ou pretende-se criar e alimentar um “caso de política”, no sentido perverso (e conotável) da expressão?
Problema diferente, agora já do domínio da política pura e dura, e não tanto da filosofia, é perceber se o que move CDS e PSD é tão só o rigor contido na busca da tal verdade objetiva, despida, portanto, de qualquer subjetividade, ou, tal como defendem vozes do PCP, do BE, mas também do PS, através da suposta ideia de uma exclusiva procura da verdade, que teria sido gravemente ofendida no Parlamento, não estão antes a alimentar jogos florais ancorados numa discussão bizantina.

Qual o objectivo maior da discussão?
“Como a política não é um bom lugar para exercícios de inocência, o objetivo maior, disseram-no ontem Jorge Coelho (SIC Notícias) ou João Ferreira (RTP 3), seria o de criar instabilidade num momento particularmente delicado para a CGD. Tratar-se-ia de um processo de descredibilização que dura há um ano, do qual resultaria aintenção de criar dificuldades à capitalização daquele que é agora o único banco português, e abrir caminho para a sua privatização. Seja ou não este o objetivo último, e já que estamos a debater os caminhos da verdade, parece não constituir uma sugestão de falsidade afirmar que o Governo se tem posto a jeito. (…) É demasiada trapalhada para tão escasso assunto. Logo, os pormenores serão apenas um atalho para uma caminhada mais funda.”


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