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segunda-feira, 13 de março de 2017

A revolução que abalou o mundo



Muitos serão os que, a partir do título ou do assunto, dispensarão a leitura deste escrito. Outros lê-lo-ão a partir de uma visão dogmática ou acrítica do que entendem ter sido a URSS, ainda que este escrito não seja sobre o país ou sobre a forma como evoluiu o seu projeto de socialismo, mas sobre um momento histórico que comemora cem anos, a Revolução Bolchevique, e o seu significado na nossa vida nos dias de hoje.

No início do séc. xx, 88,6% das mulheres russas eram analfabetas e os homens detinham o direito de vida e morte sobre as suas filhas e esposas. Se o regime czarista havia tolerado a manutenção de inúmeras práticas medievais, a Revolução Bolchevique, no capítulo da igualdade de género, construiu uma nova realidade que obrigou os demais a acompanhá-la.

Não tendo sido pioneira, a URSS é o primeiro grande país a implementar o sufrágio universal – França ou Itália só o instituiriam em 1945, e Portugal em 1974 –, em 1918 é estabelecido o direito ao divórcio desde que solicitado por uma das partes e, ainda em 1917, são criados os subsídios de parto e maternidade. Passada a semana em que se celebrou mais um Dia Internacional da Mulher, importa lembrar que foi Clara Zetkin que o propôs como dia de luta da mulher trabalhadora (e não de consumo), e que foi na URSS que se institucionalizou como feriado.

No campo do trabalho, e na sequência da revolução, é decretada a paridade salarial entre homem e mulher – salário igual para trabalho igual –, os cinco dias de trabalho e dois de descanso, férias pagas de duas a quatro semanas, assistência médica e aumento das condições de segurança de trabalho, entre outras medidas.

Rompendo com as trevas dos tempos do czar, foi-se construindo um sistema de relações laborais a que a maioria dos países do mundo teve de se ir adaptando. Dez dias que abalaram o mundo, como escreveu John Reed. Se não tivessem existido, o mundo não seria o que é hoje, e duvido que fosse melhor.

Tínhamos  muito a ganhar se conseguíssemos discutir no espaço público a sua importância e as suas falhas. Se conseguíssemos romper a gritaria entre os que a condenam por preconceito ideológico ou por confundirem factos com mentiras e os que se consideram detentores de uma verdade única e imutável, contrária à força dialética que foi o motor da revolução.

Tiago Mota Saraiva

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