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domingo, 19 de março de 2017

IRIS



Sinopse: “Iris”, de 2001 (USA) , de Richard Eyre,  com Kate Winslet, Judi Dench, Hugh Bonneville, baseado nas biografias de John Bayley, marido e escritor.

Este filme foi apresentado na 1.ª sessão do dia 17 de março do Ciclo de Cinema ligado á Saúde, organizado pela CESPU e pelo Museu de Penafiel. E ilustra uma louvável intervenção cultural e cívica aberta á comunidade, digna de louvar. Raramente um tal conteúdo interessa ao mesmo tempo a profissionais de saúde e a público em geral
Tem como tema central o envelhecimento, o amor e sobretudo a demência de Alzheimer. O enredo retrata a vida real de Jean Iris Murdoch (1919-1999), romancista e filósofa inglesa, com vasta bibliografia no romance e presença no mundo académico do séc. XIX.  O seu percurso sentimental e privado, as suas características e vivências, e o poder da palavra como instrumento são expostos com realismo isento de preconceitos e (pré)juízos.  É um mundo complexo de desejos e convicções que gradualmente vai ruindo, pedra sobre pedra, num vazio negro. A tragédia abate-se inexoravelmente, a doença de Alzheimer apodera-se de criatividade e da genialidade anteriores, como se fosse um musgo que encobre o húmido muro. É a memória, a auto-identificação, é a emoção, a razão que se perdem, a morte em vida, sem consciência do próprio no final. E as respostas? Muito limitadas, só o amor, a preservação da dignidade, a solidariedade para com a família e os amigos.
O breve debate com alguns especialistas completou a “leitura” do filme, que considero tecnicamente perfeito e cientificamente fundamentado nas cores, traços e referências. Este é um momento de sobre um problema importante para milhões de pessoas poder reflectir, vivenciar e ousar mobilizar solidariedades. Com o aumento da esperança de vida a incidência da demência de Alzheimer pode atingir várias centenas de milhares de portugueses. Sinto que estamos muito alheados da sua existência, das repercussões sociais e familiares. É tempo de acordar e preparar instrumentos de intervenção. Lamente-se a ausência de um público menos informado. É fundamental aprender, aprender sempre, para compreender cada vez melhor a natureza humana. As cadeiras vazias significam desinteresse?


CR

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