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segunda-feira, 20 de março de 2017

O RENTES

Em ositiodosdesenhos.blogspot.pt

Os ideais dos gramáticos reaccionários não podiam deixar de aclamar o estilo de um homem cuja obra é uma escola de imbecilidade. Porque o que, em Vieira podemos levar à conta de uma loucura de génio, é em Bernardes a cretinice obsessiva de um filho natural de judeu e de mãe dissoluta, que quer todos os cristãos à escala da sua castração mental.
Jorge de Sena
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Rentes de Carvalho é a mais recente estrela literária do firmamento das letras luzitanas. O êxito contudo aconteceu-lhe já tarde na vida e de fora para dentro. Rentes tornou-se conhecido com um êxito editorial na Holanda, onde está radicado há mais de cinquenta anos. É verdade, no país das tulipas e das tamancas.
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Mas Portugal depressa o descobriu - diga-se que para ter sucesso no país do sol-posto (a ocidental praia lusitana)  não há como ter sucesso lá fora. Os tugas adoram vencedores.
De origem humilde e sucesso tardio, o Rentes tornou-se porta-voz do que a nossa direita não confessa mas professa; uma espécie de intelectual orgânico invertido, ou às avessas; um saramago-de-direita. Um maitre a penser cujo determinismo tremendista encanta os leitores do Observador e os fãs de Francisco José Viegas, leva-os ao sétimo céu: apesar de ter obtido êxito e vencido na vida, o Rentes declama peremptório que isso não é para todos.
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Rentes é um prato cheio para quem aprecia um português “bom de lei”, como eles dizem. Na sua escrita (vê-se que leu com proveito o padre Manuel Bernardes) não há cá modernices, as histórias começam sempre no princípio e acabam invariavelmente no fim; e no meio, que é onde está a virtude - como certamente sabem os devotos do Padre Manuel Bernardes - é aí que ele parcimoniosamente dispõe as virgulas, os advérbios e até os complementos directos. Eu tenho contudo para mim que o que encanta esta turba na escrita do Padre Bernardes não é tanto a bela prosa como aquilo que vem embrulhado naquele português bom de lei que tanto exasperava Jorge de Sena: o fedor a bafio, a imbecilidade e ao mais reaccionário e xaroposo conformismo.
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O Rentes é careca. O Rentes é holandês. E fala como isso, como um skinhead  holandês. O Rentes diz cousas que eles nem pensam (eles não pensam) mas sentem; o Rentes fala-lhes ao coração.

O Rentes vota na extrema-direita. Não por convicção – diz ele – mas por protesto. Por reacção, portanto.

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