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domingo, 12 de março de 2017

OS ENGANOS


Em plena sessão da Assembleia Municipal de Paredes, regozijei-me de boa fé com a transferência do alojamento da comunidade cigana do centro da cidade. Em anterior reunião da Câmara foi votada por unanimidade uma proposta de classificação de Interesse Público de projecto de realojamento para sustentar um pedido de desafectação de uma área classificada como Reserva Agrícola Nacional localizada junto á CRIP. Este passo foi interpretado por mim (e decerto por muitos) como um procedimento regulamentar necessário para uma solução concreta existente, estudada e proposta pelo executivo. E sendo esta proposta da iniciativa da maioria, mais se adivinharia como a concretização definitiva de um terminar de um problema. Mas Paredes  prima pela originalidade, com um poder maioritário fraco e sem coragem  em enfrentar dificuldades e oposições, e uma opinião pública tolerante. Passo a explicar.  

Afinal, a dita opção, ao que consta entrevista pelos vereadores no Ipad do senhor Presidente, foi por este logo afirmada como passível de não ser “viável”. E no decurso da Assembleia, Celso Ferreira tratou de puxar a culatra atrás, mostrando a importância do problema, as suas dimensões (saúde pública, ordenamento de território, imagem da cidade) mas foi afirmando não ter nenhuma decisão tomada. A montanha tinha parido um rato. A batata quente, a obrigação de decidir, de responder ao problema, foi passada em abstracto aos autarcas em geral do concelho, independentemente de terem maior ou menor representatividade, ter maior, menor ou mesmo nula responsabilidade no poder executivo, como a CDU. Celso Ferreira escondeu-se atrás da sua incapacidade de gestão. E portanto o problema transita para o futuro, por negação no exercício de responsabilidades politicas presentes. Uma vergonha. Pergunto: quando um eleitor vota, decide maiorias, não está a colocar nas mãos do eleito a capacidade de decidir e agir em seu nome? Que PSD é este que por incapacidade (ou cobardia?) não age em nome das suas exuberantes maiorias? Que pensa o eleitor anterior e atual do PSD sobre quem foge a responsabilidades? Sentir-se-á representado ou envergonhado? Eu não tenho dúvidas.

Mas não contente com o exemplo anterior, o executivo PSD da Câmara de Paredes afirma que o futuro das Laranjeiras fica adiado para depois das eleições autárquicas. Depois da compra por 1,6 milhões de euros, num processo de correcção de um negócio politico e socialmente ruinoso para Paredes, o executivo tem para nos dizer que… nada diz ou propõe. E aqui, alicerçado em algumas verdades indiscutíveis (a cidade desportiva é irreversível), a batata quente da solução futura do espaço das Laranjeiras é passada (agora) ás “forças vivas” do Concelho (USC Paredes, Escolas, Misericórdia, Junta de Freguesia). Quando se pensou num Grande Espaço Comercial, quando se retirou a parte mais importante da zona desportiva de Paredes, ninguém do Poder se lembrou das Escolas ou da Misericórdia (?), etc. Agora é só diálogo… á espera do apagamento da memória.

O novo ciclo político começa com as mesmas perversões. Celso Ferreira sucedeu a Granja da Fonseca, distinguindo-se nas personalidades que não nos fiascos da governação. Um teve o Pias 2000, o outro a Cidade Inteligente, um queria levantar um Mastro, o outro já não sei se queria um Estádio Moderno nas Laranjeiras. Rui Moutinho, um técnico /político vindo do mesmo berço ideológico, quer suceder a Celso Ferreira, prometendo que nada promete.

São os enganos de sempre. Prometer o que não se vai cumprir, executando o que não se prometeu.


CR

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