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quinta-feira, 16 de março de 2017

PROPOSTA

Preâmbulo

A referenciação é uma etapa importante da gestão clinica de cuidados de saúde dos utentes em Medicina Geral e Familiar. Com a utilização da rede de referenciação, o médico dos CSP, conhecedor de limites de intervenção, assegura Cuidados de Saúde mais especializados e/ou envolvendo Exames Auxiliares de diagnóstico mais especializados e/ou terapêuticas exigindo monotorização, formação, experiência, colaboração interdisciplinar e acompanhamento permanente. Atentas as necessidades específicas dos utentes, a referenciação assenta em princípios de racionalidade, complementaridade, apoio técnico e eficiência.

Existem porém lacunas na articulação dos cuidados de saúde. Claramente o aperfeiçoar dos sistemas de informação em rede e o criar regras de referenciação protocoladas podem melhorar a articulação dos cuidados. Mas na prática surgem evidência de problemas como por exemplo a data prolongada no tempo de efectivação da consulta, ou a ausência de informação de retorno, ou mesmo o retorno sem resposta.

O Centro Hospitalar Tâmega e Sousa constitui o epicentro de um gigantesco sistema de referenciação de coordenação e procura de qualidade. Contudo em vez de ser uma unidade integrada e coerente, de resposta adequada a necessidades, divide-se a meu ver em diferentes estruturas orgânicas, em diferentes funcionalidades, em diversas disponibilidades, em diferentes respostas, muitas vezes umbilicalmente ligadas às (boas ou más) práticas de gestão de quem dirige ou dos seus profissionais.

Abundam (por excessivos) portanto os entraves, os encolhos burocráticos, as indisponibilidades, os adiamentos, as más-vontades, os critérios de acessibilidade variáveis com o(s) tempo(s), variáveis com os recursos expressos, e a desumanidade. São por vezes tais critérios tão irracionais que se torna difícil ao próprio MF perceber o que é urgente, o que é fundamental, o que é necessário, o que é vital. Alguns serviços hospitalares transformaram-se em meros e formais destinos finais de organigramas sem correspondência com a realidade. Abandonou-se a clinica, a ciência do saber, em nome de um tecnicismo de resposta de geometria variável.   

Com uma rede de referenciação não funcionante ou em risco de o ser, eivada de problemas, e incapaz de diálogo entre níveis de cuidados, só sobrevive a realidade dura e indesejada de um Serviço de Urgência indisciplinado, caótico, provocador de exaustão de profissionais, e de violência latente em utentes.

Assim

Proposta

Proponho que na rede de referenciação prevista (CSP- CHTS – CSP) haja participação directa de Médicos dos CSP

Proponho que os objectivos e instrumentos da referenciação sejam discutidos com a participação directa de Médicos dos CSP

Proponho que prazos de resposta a solicitação expressa em referenciações para C. Externas Hospitalares sejam avaliados por médicos dos CSP

Proponho que as não-respostas, devoluções e outras situações vistas como incongruências sejam sujeitas e validadas por um instrumento arbitral com participação de Médicos dos CSP

A NÃO SER DISCUTIDA, APERFEIÇOADA E PROVAVELMENTE IMPLEMENTADA ESTA PROPOSTA, CONSIDERO PROVÁVEL QUE ENTREMOS NUM CICLO DE DESRESPONSABILIZAÇÃO QUE NÃO INTERESSA AOS PROFISSIONAIS E SOBRETUDO AOS UTENTES

CR

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