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segunda-feira, 24 de abril de 2017

A EUROPA ELEITORALMENTE A FERRO E FOGO

A 1.ª volta das eleições presidenciais francesas decorreu sob o signo da incerteza e da desilusão dos franceses com os partidos que se alternaram no poder durante a 5.ª República. E para agravar, em plena campanha, na sua recta final, ocorreu um atentado terrorista em Paris, com influência no processo de decisão.

Significativamente, o socialista Presidente Hollande não se recandidatou, o que é inédito na tradição presidencial francesa. Durante a campanha das últimas presidenciais, Hollande prometeu a reversão das reduções fiscais sobre elevados rendimentos, a reposição da idade da reforma nos 60 anos ou a retirada das tropas francesas do Afeganistão. Durante a sua presidência, a idade da reforma sem penalizações foi mantida nos 67 anos e, apesar da retirada do Afeganistão, a França interviu militarmente no Mali, na República Centro-Africana ou na Síria. Hollande assumiu-se como um pilar forte do eixo franco-alemão que gere a Europa do Euro e da Austeridade. É portanto na sucessão de um exercício presidencial descredibilizado que decorrem as eleições. E aqui começam a ruir as tradicionais fidelidades.

 O representante da direita republicana, Fillon, ex-primeiro ministro de Sarkozy envolvido num escândalo relacionado com a contratação de familiares próximos para cargos públicos que nunca ocuparam e indiciado de uso indevido de dinheiros públicos, contou com 19,9% dos votos. O candidato oficial socialista, Hamon, traído por parte do aparelho PS e apesar de legitimado por umas eleições primárias no interior do Partido, tem uns miseráveis 6,5% dos votos. Macron, ex ministro de Economia de Hollande, banqueiro, agora “centrista independente,”, com 23% da votação, aparece como provável sucessor de Hollande. Diz-se o «único candidato pró-europeu» e promete aplicar uma política económica «amiga das empresas». Se internamente apresenta a novidade de querer reconstituir o centrão com novas roupagens, a política que segue é a da continuidade. Marine Le Pen, a líder da fascista Frente Nacional, representa a extrema direita populista, e xenófoba. Alicerçada numa “modernização do discurso” e em críticas justas á União Europeia, com um discurso centrado na soberania nacional, a declaração do estado de emergência em 2015 e os atentados caíram como sopa no mel na sua retórica. Por último, Mélenchon, o candidato das esquerdas incluindo o Partido Comunista, alcança perto de 20%, uma votação notável, apesar da barragem informativa da direita francesa dominante na Comunicação Social. No seu programa político defendia «a renegociação dos tratados europeus para tentar recuperar a soberania para os cidadãos franceses» e o lançamento da «6.ª República», através de um processo de elaboração de uma nova constituição. É igualmente defensor de mais investimento, da criação de mais emprego e da subida de impostos para os mais ricos.

Não por acaso os tempos da comunicação social (Rádio e TV) favoreceram Fillon e Hamon.

A 7 de maio, 2.º volta das presidenciais e eleições legislativas em junho. Esperemos.


CR

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