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domingo, 16 de abril de 2017

O TRIBUNAL EUROPEU DE APOIO AO TERRORISMO

O JN titula numa pequena notícia Rússia: Kremlin culpado no massacre de Beslan. E desenvolve: O Tribunal Europeu dos Direitos humanos determinou ontem que a Rússia é responsável por “graves falhas” na gestão da tomada de reféns da Escola de Beslan por separatistas chechenos em 2004. O massacre que se seguiu fez 330 mortes (186 crianças). O mesmo destaque fez o Expresso, a TVI24 e a generalidade da grande comunicação social ocidental.
O que foi o “massacre de Beslan”? A 1 de setembro de 2004, homens e mulheres de caras tapadas e explosivos nas cinturas invadiram a escola nº 1 de Beslan, na Ossétia do Norte, na Rússia e abriram fogo contra professores, alunos e auxiliares de educação que estavam reunidos no pátio para dar início ao ano escolar. As mais de 1200 pessoas que ali estavam foram feitas reféns e colocadas no ginásio, onde os rebeldes chechenos em número de 32 instalaram explosivos dependurados nos  cestos de basquetebol. O grupo exigia às tropas russas que se retirassem da Chechénia. O tenso cerco acabou subitamente quando, ao terceiro dia, duas explosões e uma intensa troca de tiros culminaram na morte de 331 dos reféns. Em 3 de setembro, as forças de segurança russas teriam entrado na escola e atacado os sequestradores, que detonaram explosivos e atiraram nos reféns. A operação das forças de segurança russas foi assim dramática e as tropas usaram artilharia pesada num cenário de elevada vulnerabilidade. Apenas um dos rebeldes que liderou o cerco foi capturado vivo e levado a tribunal. Os restantes foram abatidos.

Há mais de uma década que alguns sobreviventes e os familiares das vítimas pedem uma investigação ao que aconteceu; questionam se o cerco podia ter sido evitado e se era necessário que tanta gente morresse numa operação de resgate. Desde 2004, mais de 400 pessoas ligadas ao massacre interpuseram processos no chamado “Tribunal Europeu de Direitos Humanos” para exigirem que seja feita “justiça”. O tribunal com sede em Estrasburgo está sob a supervisão do Conselho da Europa, um organismo de “defesa dos Direitos Humanos independente da União Europeia” e que conta com a Rússia entre os seus membros.
Na sentença apresentada esta quinta-feira, a instância judicial diz que a Rússia teria informações suficientes para saber que um ataque estava iminente em Beslan e que, apesar disso, nada teria feito para o travar. O tribunal refere ainda que o uso de "armas poderosas como canhões de tanques, lançadores de granadas e lançadores de chamas" pelas forças russas contribuiu para o elevado número de mortos. E condena a Rússia a pagar 3 milhões de euros de indemnização.

Vejamos o contexto histórico do terrorismo independentista checheno liderado por Shamil Bassaiev: 9 de novembro de 1991- sequestro de um Tupolev 154 da Aeroflot em Ancara (Turquia); 14 de junho de 1995- sequestro de 1600 civis no Hospital de Budennovsk, no sul da Rússia, com 129 mortos (dos quais 100 civis), utilização de escudos humanos e roubo de césio radioactivo; atentados contra habitações russas -300 mortos; ataque ao teatro de Duvrovka em Moscovo -129 mortos e 39 terroristas mortos; ataque á sede do governo tchetcheno em Grosny -80 mortos, atentado em 12 de maio de 2003 – 59 vitimas, atestado em Grosny 14 vitimas. Atentado 9 de maio de 2004 que matou o presidente tchecheno e mais 5 vitimas. E mais atentados se sucederam na Tchechénia, na Inguchétia, no Daguestão, na Kabardino-Balcária em Moscovo, em 2004 e 2005 com centenas de mortos. É portanto num contexto de guerra total que ocorrem os acontecimentos de Beslan. Como prever estes acontecimentos numa Escola da Ossétia do Norte? Como actuar perante um inimigo tão sanguinário e cruel que tinha como selo de actuação a decapitação dos seus inimigos?

E aqui chegados, temos a inqualificável actuação de uma organização dita de “direitos humanos” e “tribunal de justiça europeu”. A decisão proferida por esse “Tribunal” é intolerável, mesmo sabendo-se parte de uma estratégia anti-russa. Que mensagem fica para o terrorismo internacional? Que complacência pró-terrorismo para quem assim atua! Façamos o exercício teórico de imaginar idênticos acontecimentos numa escola da periferia de Paris ou de Bruxelas. Como atuarão as forças de segurança perante um sequestro de dezenas de terroristas e milhares de reféns? Tudo decorrerá como nos filmes de acção do Chuck Norris, ou do Stallone, ou Pierce Brosnan? Ah e as vítimas colaterais…

O mundo pode estar louco. Mas há sempre alguém que pensa.


CR

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