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domingo, 21 de maio de 2017

A DANÇA DAS ESPADAS


Os norte-americanos venderam á Arábia Saudita 110 mil milhões de dólares em armamento. E isto é só uma primeira encomenda, já que pode ser 3 vezes mais em dez anos. Trump visita agora Riade e participa da tradicional “dança das espadas”. Trump discursa em cimeira de 50 países de maioria muçulmana. Trump defendeu uma “visão pacífica do islão”, o que deve enternecido muito os anfitriões, um modelo de tolerância, bem como a classificação do Irão como “ponta de lança do terrorismo internacional”.

Os 110 mil milhões de dólares de armas, cerca de 98,2 mil milhões de euros, uma pipa de massa, vão financiar a plêiade de organizações terroristas que matam na Síria, no Iraque, no Iémen, no Afeganistão, na Líbia, no Sinai, em Paris, Londres ou Bruxelas. O Rei Salman, o interlocutor, é produto da democracia made em Washington,   legitimada em Israel e sustentada  pelos barris de petróleo dos Estados do Golfo. Mas paga em cash as contas de 110 mil milhões de dólares.

De vez em quando, há uma execução pública de um crítico da família real, ou de um apóstata, ou de uma mulher acusada de infidelidade. Rolam cabeças ou sobram chibatadas, mas a fidelidade ao império do mundo “livre” permanece. De vez em quando há um 11 de Setembro e vão abaixo as torres gémeas, acentua-se o terror mas nada afecta os interesses comuns. Allah é grande e misericordioso, perdoando os “excessos” do sunismo. O gasoduto, para reduzir os custos do transporte, tem de atravessar o Iraque e a Síria e portanto há que desalojar o proprietário do terreno. E nisso Trump e o Rei Salman, como a Exxon e a Total, não brincam. Os “malvados” são os xiitas libaneses do Hezbollah ou os rebeldes xiitas iemnitas, que ousam discutir a influência militar dos Saud.

Melania Trump e Ivanka Trump até podem irritar os teólogos sauditas não respeitando a tradição muçulmana de cobrir a cabeça com um lenço. Mas isso são trocos. O importante é as armas de defesa dos campos de petróleo ou de ataque ao serviço dos mercenários estrangeiros nos países em guerra. Manter a guerra não está a ser fácil. A Paz pode surgir infelizmente mas entretanto há que vender armas.

Consta que o sistema quer despachar Trump. Sofre, diz o núcleo duro dos teólogos do capitalismo, de “narcisismo maligno”, uma instabilidade emocional, que o torna imprevisível. Ou de “hipomania”, mania das perseguições, coisa que na América é “incomum”. E nestas coisas do Poder convém não ter dúvidas, ou interesses específicos, ou conversas insólitas. Interessa vender armas, não importa a quem. Sem grandes perguntas, sem sobressaltos éticos, nem arroubos de consciência. A comitiva de Trump e família em Riade não vai vender sabonetes ou exacerbar a libido nos salões e jardins do palácio real ou discutir infelicidades ou demografia. Eles vão vender armas, percebem? Como os antecessores, o Obama, a Clinton, os Bush. Toma lá, dá cá o cheque, que não o sheikh que esse é sagrado.

A política internacional é extraordinariamente complexa, podendo ser muito simples. A dança das espadas serve para rosnar, mostrar os dentes. Mas há outros nas cadeiras á espera.

CR


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