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terça-feira, 9 de maio de 2017

EMMANUEL, MANUEL


Não é uma alusão ao filme erótico de nome Emmanuelle. Mas tem cenas mais ousadamente pornográficas.

O ex-primeiro ministro francês, Manuel Valls, disse agora que vai ser candidato pelo En Marche! do presidente eleito Emmanuel Macron. O político francês, principal responsável por uma alteração reaccionária de legislação laboral, já tinha dado sinais de deriva ideológica séria, ao propor o apagamento do nome socialista no Partido de que se afirma membro.

Manuel Valls é deputado do PS francês pelo círculo de Evry e foi candidato nas primárias do partido em que saiu derrotado, tal como Macron, por Benoît Hamon. Mas como é um “democrata moderno”, desligou-se da opção do Partido e apoiou na 1.ª volta Macron. E decreta agora a morte do PS Francês, aproveitando a onda das presidenciais para as eleições legislativas de junho.

Macron por seu lado, ex-ministro da Economia do governo presidido por essa figura sinistra de nome François Hollande, criou o movimento En Marche! á sua imagem e “democraticamente” sob a sua decisão pessoal, com o tique autoritário sugestivo das iniciais do movimento serem as mesmas do seu próprio nome. Relembre-se que é um candidato oriundo do PS e com passagem pela alta finança.

Mas o que faz ser um “candidato Macron”, tal como se propõe Valls? Segundo a Direcção de Macron, a capacidade de existir nos media. Os media, a grande e instrumental media, que transformam eleições internas em decisões democráticas irrelevantes e se satisfazem por assistir á criação de uma quarta via, a via do oportunismo e do caudilhismo.

António Costa patrocina, ao que se vê, o fenómeno Macron. Encontra inesperadas identidades entre o neoliberalismo de Macron e a política do PS Português. Mas projectando o olhar para a terra dos gauleses, importava que visse mais perto. Rui Moreira, um émulo de Macron, despediu por inútil Pizarro e o PS. Terminou o ciclo da aprendizagem e de sedimentação do estatuto de “independente”. As alianças espúrias, feitas de jogos de poder de circunstância, acabam por ceder mais tarde, ou mais cedo. Pizarro virou bizarro.

Mas por toda a Europa, assiste-se a uma perversa debandada de ideais, por gente sem coragem e convicções.

CR


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