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quarta-feira, 10 de maio de 2017

ESTAVA-SE MESMO A VER



RUI SÁ

Há sete meses (10/10), concluía do seguinte modo a crónica que aqui publiquei: "Vai daí o desejo de Moreira: o PS apresenta a sua própria lista, segurando parte do seu eleitorado (impedindo que o mesmo, órfão de candidatura, se transfira para a Esquerda) e permitindo a sua afirmação à Direita. E, após as eleições, novo acordo de governação [com o PS]".

O que não previa é que o divórcio fosse tão "feio", apesar das palavras doces que o pontuaram... Rui Moreira procurou sair por cima, afirmando a sua "independência" e a "coragem" de rejeitar o apoio do PS a bem dos "princípios". Tudo mensagens positivas para si próprio. O problema é que temos memória. É que, para Rui Moreira, o que estava em causa não era a sua independência, nem sequer a constituição das listas. O seu problema, como aqui escrevi em outubro, é que um apoio do PS e o envolvimento na lista do líder da Distrital do PS no Porto, ainda por cima com Governo PS sustentado à Esquerda, criava anticorpos no seu eleitorado tradicional - a Direita -, para mais numa altura em que se zangou com Rui Rio, que foi o seu mentor e principal sustentáculo há quatro anos. É que Moreira pode, agora, clamar que o seu número dois será um "independente", mas há quatro anos esse número dois foi um dirigente do CDS. E não podemos esquecer que Portas, na noite das eleições, disse que "a vitória de Rui Moreira é também vitória do CDS/PP". Ou que Daniel Bessa, presidente da Assembleia Municipal do Porto eleito nas listas de Moreira, se demitiu afirmando que "há CDS a mais na Câmara do Porto!". Rejeitou Rui Moreira o apoio do CDS? Não! O que demonstra que o problema não são as "interferências" do PS, mas sim o seu calculismo político... Ficou, no entanto, a conhecer-se uma nova faceta de Rui Moreira: não lhe custa "queimar" os seus amigos (como Pizarro) quando estão em causa os seus interesses.

Quanto a Pizarro, e utilizando uma metáfora como a que ele usou ("mais vale uma boa amizade do que um casamento em que uma das partes não está interessada"), espero que tenha percebido que a paixão assolapada que dedicou a Moreira o transformou em vítima permanente de maus-tratos. Tudo lhe perdoando, embevecido: o desrespeito por Carla Miranda e as sucessivas desconsiderações de Correia Fernandes, ambos eleitos pelo PS; e a suprema humilhação de, para casar, ter de abdicar do seu programa eleitoral, comprometendo-se a cumprir o programa eleitoral de Moreira! Como todos os casos de violência familiar, só podia acabar mal, e este pontapé no rabo a quem tão a jeito se colocou é o corolário lógico de tanto rebaixamento.

Pizarro que, notoriamente, e por tudo o que se passou nestes quatro anos, não é o melhor candidato para o PS. Mas que Costa castigou: "Já que nos meteste nesta alhada, agora desenrasca-te!"... Na certeza de que, em outubro, será o cordeiro sacrificado...

Até lá, continuará a cumprir o programa de Moreira?! Para, cá fora, dizer que é alternativa? Há limites para a vergonha.

(Em JN)


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