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quarta-feira, 5 de julho de 2017

O SUCESSO ADMINISTRATIVO E O DISPARATE EDUCATIVO REAL?


Há escolas que estão a passar de ano de escolaridade alunos do básico com mais de 4 negativas. Há escolas que no secundário sobem as notas negativas para que haja inscrição no ano seguinte sem disciplinas em atraso. Estas informações dispersas preocupam pais e professores. Estamos perante a aplicação prática de um Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (o PNPSE). O PNPSE tem aparentemente uma metodologia, uma crença, um objectivo e uma ideologia. E digo aparentemente, por precaução.

A metodologia. O Ministério impõe. Se o conselho de turma resiste em desvirtuar o resultado da aprendizagem, o director repete reuniões de avaliação até se obter um número previsto da taxa de retensão. Ficam excluídos apenas os casos evidentes de faltas de assiduidade e abandono escolar. Os restantes são considerados passíveis de obtenção de “sucesso”.

A crença. O aluno pode recuperar o conhecimento e as competências agora não desenvolvidas em anos futuros. Há uns anos intermédios de avaliação que são para ser levados a sério (4.º, 9.º anos), os restantes nem por isso.

Um objectivo. Reduzir a todo o custo a taxa de retensão, através da progressão – a fuga para a frente - e da transição para estádios superiores de incapacidade.

Uma ideologia. Uma pauta cheia de sucesso administrativo, fruto do facilitismo, empolga e dá esperança ao País, aos agentes económicos e aos templos do saber. Substituímos com facilidade a capacidade individual, o trabalho individual, a qualidade da aprendizagem pela estatística, pela relatividade.

Mas isto que parece evidente talvez não seja assim. Talvez haja algo escondido, com mérito pedagógico, que me escape. Talvez.


CR   

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