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domingo, 14 de abril de 2024

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GATO ESCONDIDO?

A reportagem da CNN/ TVI produzida pela jornalista Sandra Felgueiras sugeria uma descoberta impactante através de uma investigação jornalística exemplar, um Exclusivo.

Há uma doença provocada, sem cura à data, internacionalmente chamada de PSSD, que traduziria em português por Síndrome de Disfunção Sexual Pós Administração de Antidepressivos. Uma percentagem de utentes utilizadores de certos antidepressivos manifestariam mesmo após a descontinuação do tratamento sintomas irreversíveis e devastadores como disfunção sexual e anestesia genital e tal situação não estaria vinculada às indicações e contra-indicações explicadas aos utentes pelos prescritores.

Dito assim, o aviso/alerta da reportagem pareceria muito pertinente, e mesmo indispensável. Os profissionais de saúde devem sempre prescrever fármacos se e quando necessários e indispensáveis, atentos a efeitos indesejáveis já reconhecidos e abertos a soluções terapêuticas alternativas quando existem. No contexto de uma utilização generalizada no País e no mundo de fármacos como os antidepressivos, que parece a muitos de nós excessiva e desproporcionada, competiria às entidades públicas da saúde, nomeadamente as reguladoras, emitir pareceres, avisos ou recomendações sobre o tema.

Descontado algum dramatismo excessivo da reportagem de que as imagens de depoentes “sem rosto” nos remetem para uma qualquer clandestinidade, o tema parece sério.  Li e refleti.

Haverá um número não quantificado de casos em que a utilização de medicamentos para perturbações depressivas e ansiedade podem criar irreversíveis desajustes sexuais. A Agência Europeia do Medicamento em 2019 já foi alertada para esse facto, procurando-se Atualizar a informação clinica anexa às embalagens.

As dúvidas são inúmeras. Primeira dúvida: o alarme social justifica-se pelo número de casos? E sabe-se que que as próprias perturbações da função sexual são um dos sintomas de perturbação depressiva, muitas vezes não diagnosticadas ou valorizadas na avaliação inicial. Daí a segunda dúvida. Casos reais ou fictícios? E de entre os fármacos prescritos a atenção vai para grupos específicos, os chamados Inibidores específicos da recaptação da serotonina e os inibidores específicos da recaptação da serotonina e da noradrenalina (nomes químicos: escitalopram, fluoxetina, venlafaxina, sertralina, paroxetina, duloxetina, fluvoxamina…). E outra (terceira) dúvida permanece. Serão só estes ou o mesmo se passa em outros grupos terapêuticos empregues nas perturbações mentais e ansiedade?

Aqui chegados, perguntar-se-ia se a substituição de fármacos, os citados como “mais comuns e acessíveis do mercado” ou “mais baratos” por outros (mirtazapina, trazodone, bupropion, agomelatina, vortioxetina…) de aparente “mais baixo risco” seria suficiente e apropriado.

Será que o mercado farmacêutic0 se prepara para lançamento de novos produtos sem este “pecado original”? O gato escondido com rabo de fora, que justificaria a reportagem?

Não me compete a mim ser totalmente esclarecedor. Tal diz respeito às entidades científicas e de supervisão de boas práticas.

Uma coisa é certa. A abordagem necessária de terapêuticas não farmacológicas das patologias mentais carece de uma rede de profissionais de saúde inexistente e de práticas conexas.

CR

Gisela João - Hostel da Mariquinhas