um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Humor

Será que o Serviço Nacional de Saúde está assim tão mal que até as legionelas fogem para o privado?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Ben Harper & Charlie Musselwhite - Get Up!

registo

Portugal registou uma melhoria de indicadores relativos aos direitos de informação dos doentes, face aos resultados e á prevenção. Em 2017, segundo o Euro Health Consumer Index (EHCI). Portugal situou-se na 14ª posição entre 35 países, com um total de 747 pontos, posicionando-se á frente do Reino Unido (15ª). Espanha (18º), Itália (21º) e Irlanda (24º).

O desempenho do Serviço Nacional de Saúde, avaliado internacionalmente, apresenta, uma vez mais, excelentes resultados, com foco na transparência das organizações, nas políticas de saúde e na formação de profissionais. Salienta-se a subida de alguns indicadores, relativos aos tempos médios de espera nos serviços de urgência, á cobertura dos cuidados de saúde oral e ao número de horas de actividade física no período escolar. Em relação aos dois novos indicadores introduzidos em 2017 (acesso informático do processo clinico e percentagem de doentes com diabetes diagnosticados e controlados) Portugal obteve pontuação máxima.

A classificação atual sublinha, ainda, que Portugal deve apresentar dados nacionais consistentes em algumas matérias, como é o caso da sobrevida em doentes com cancro ou os tempos de espera para a realização de TC. Face a isto, apos a criação no dia 1 de janeiro de 2018 do Registo Oncológico nacional e da legislação publicada em 2º17 sobre Tempos Máximos de Resposta Garantidos para MCDT, num futuro próximo poderá ser possível divulgar resultados mais favoráveis.


O EHCI é uma classificação anual dos sistemas de saúde nacionais da Europa, compilado a partir de estatísticas públicas e de investigação independente, com base nos resultados de um conjunto de seis indicadores: direitos e informação dos doentes; acessibilidade; resultados; diversidade e abrangência dos serviços prestados; prevenção e produtos farmacêuticos. 

sábado, 27 de janeiro de 2018

UMA IDEIA PEREGRINA SOBRE UM PROBLEMA

"Não podemos permitir que algumas empresas estejam a assediar funcionários de 
outras, porque isto pode originar um desequilíbrio e inflacionar os custos da 
mão-de-obra". "Estamos a estudar fornas de apoiar a formação de mão-de-obra
 especializada para a indústria do mobiliário para não permitir este inflacionamento
 dos custos e apoiar os industriais". (Alexandre AlmeidaPresidente da Câmara 
Municipal de Paredes eleito pelo PS, Contabilista de  algumas das maiores
 Empresas do Mobiliário de Paredes, em declarações  a “O Paredense" sobre uma 
"dramática falta de mão-de-obra no sector do mobiliário")

O Paredense, quinzenário com óbvias ligações ao PS e franjas do 
PSD, trazia na sua última edição um Dossiê intitulado Mobiliário 
vive drama com falta de mão-de-obra. Anunciava a realidade
atual de novos postos de trabalho no sector (aqui denominados
como “oportunidades de emprego”) a que não corresponderiam
ofertas de trabalhadores especializados disponíveis.

O quadro era caracterizado com números interessantes: as exportações 
na indústria tinham crescido cerca de 5% no terceiro  trimestre de 2017. 
O mesmo quadro favorável era ilustrado com três exemplos de 
empresas em crescimento. A inovação tecnológica  e do design
e a alta qualidade dos produtos esbarrariam com ausência 
de formação profissional externa às empresas. Esse problema
poderia ser suprido por Escolas, Universidades e Centros  de 
Formação... Mas segundo os industriais, marceneiros, costureiras
e estofadores qualificados e mesmo programadores não haverá
 em número suficiente, por isso e porque não há em muitos “vontade
 de trabalhar”, apesar dos “bons ordenados”.

E aqui chegados restam algumas afirmações avulsas e 
breves comentários. Alguém com responsabilidades e conhecimento
 empresariais afirma que houve um “desinvestimento na promoção 
da indústria” após o 25 de Abril (A. Pereira Leite) e nós lembramo-nos
 das condições de adesão á União Europeia… Ou de uma “menor 
competitividade salarial em Portugal (igualmente A. Pereira Leite)
 e nós lembramo-nos dos salários “fictícios” do sector. Quanto á “luta ~
entre empresas”, julgávamos nós que a lógica capitalista prevalecente
 no sector era a concorrência, a dinâmica entre interesses divergentes, 
a lei da procura e da oferta de trabalhadores qualificados e 
efectivamentbem pagos.

 Mas fica a dúvida sobre o ónus da questão não está colocado
 no sector mais fragilizado, no trabalho. A “revalorização do 
trabalho neste sector” não estará certamente como pensa o 
Senhor Presidente da Câmara na “cartelização” por baixo dos 
salários, na redução dos custos do trabalho. Ideia peregrina de um 
eleito socialista… a quem relembro os muitos milhares de jovens
 e menos jovens que mostram no estrangeiro e com muitas dificuldades
 a sua indiscutível “vontade de trabalhar” e vivem reais “oportunidades
 de emprego”.

CR

Frase (supreendente e lamentável) do dia


" Não podemos permitir que algumas empresas estejam a assediar funcionários de outras, porque isto pode originar um desequilibrio e inflaccionar os custos da mão-de-obra."

e

"estamos a estudar fornas de apoiar a formação de mão-de-obra especializada para a indústria do mobiliário para não permitir este inflacionamento dos custos e apoiar os industriais"

Alexandre Almeida, presidente da Câmara Municipal de Paredes eleito pelo PS, Contabilista de algumas das maiores empresas do Mobiliário de Paredes, em declarações ao "O Paredense" sobre uma "dramática falta de mão-de-obra no sector do mobiliário".

CR

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

malaguetas



Malaguetas produzidas em estufa. Uma investigação do Larner College of Medicine da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, concluiu que a ingestão regular de malaguetas pode reduzir a incidência de doenças cardiovasculares e a taxa de mortalidade em 13%, concedendo em média mais 10 anos de vida para a maioria dos cidadãos. A capsaicina parece ser a substância responsável.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

a democracia ucraniana que o Ocidente apoia

A Ucrânia proibiu a comercialização no país da edição russa da obra "Estalinegrado", do historiador britânico Antony Beevor, no quadro de uma lei que impede a importação de livros com conteúdo anti-ucraniano, o que causou a indignação do autor.

Tomada a 10 de janeiro, a decisão sobre "a proibição diz apenas respeito à importação para fins comerciais desse livro proveniente da Rússia e lá publicado em russo", declarou hoje Serguiï Oliïnyk, que dirige o departamento público encarregado das autorizações e do controlo da produção impressa.

As autoridades ucranianas "não vão recuar na sua decisão", sublinhou o responsável, classificando como "escandalosa" a tradução russa do livro dedicado a uma das batalhas fundamentais da Segunda Guerra Mundial entre as tropas soviéticas e as nazis.

Segundo Oliïnyk, o livro "Estalinegrado" pode ainda ser livremente importado para a Ucrânia se provier de outros países, incluindo em língua russa.

Além disso, "cada cidadão ucraniano tem o direito de importar para a Ucrânia dez exemplares da edição russa em questão, na condição de ser para uso pessoal", escreveu Oliïnyk na sua página da rede social Facebook.

A comercialização de um outro livro de Antony Beevor, intitulado "Segunda Guerra Mundial", foi autorizada na Ucrânia, recordou.

Serguiï Oliïnyk tinha anteriormente afirmado ao serviço ucraniano da Radio Liberty que a proibição de "Estalinegrado" se prendia com a presença no livro de vários parágrafos sobre as ordens dadas pelas forças de Hitler aos nacionalistas ucranianos para fuzilarem crianças durante a ocupação nazi.

De acordo com o responsável, tais parágrafos não têm fundamento e assentam em relatórios da polícia secreta soviética.

A proibição desencadeou a indignação de Beevor, um prestigiado historiador, que assegurou na sexta-feira ao jornal britânico The Guardian que o livro se baseia, nomeadamente, em testemunhos do oficial alemão anti-nazi Helmut Groscurth, exigindo um pedido de desculpas das autoridades ucranianas e que Kiev recue na sua decisão.



Por seu lado, a embaixada da Rússia em Londres classificou esta proibição como "um ato vergonhoso de censura e traição das vítimas" da Segunda Guerra Mundial.

Três Tristes Tigres - Branca de neve

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

U2 - Book Of Your Heart

O capitalismo em números – apontamentos dos Estados Unidos da América

É UMA CALAMIDADE SOCIAL. 

As dívidas contraídas pelos estudantes do ensino superior nos Estados Unidos da América passaram de 1% para 5% do PIB daqueles pais. Logo após o crédito á habitação, os créditos aos estudantes (cerca de 1,4 biliões de dólares) representam a maior fatia da dívida dos Estados federados. Por dia, 3 mil estudantes norte-americanos entram em insolvência por não conseguirem pagar os créditos académicos. O custo de uma licenciatura nos USA é de cerca de 80.000 dólares e em média esses créditos demoram 20 anos a ser liquidados. Este tipo de condicionalismo e opressão feudais, que leva ao incumprimento, tem consequências brutais: em 19 Estados foi encontrada a “solução”, os devedores aos bancos são proibidos de trabalhar, revogada a licença profissional e até a carta de condução. São enfermeiros e professores alguns dos grupos profissionais mais afectados.


O número de moradores de rua dispara na capital da miséria dos Estados Unidos. Los Angeles registou neste ano 58.000 pessoas sem-abrigo, um aumento de 23%. As autoridades locais qualificaram situação de “emergência”. É o bairro de Skid Row, a rua 6, no centro de Los Angeles. A diferença para Nova York, com 76.000 sem abrigo, está que em Los Angeles 3 em cada 4 pessoas sem-abrigo não tem cama em algum albergue ou solução temporária. A temperatura permite-lhes viver ao livre (ao contrário de Nova York), ocupando as calçadas de Skid Row, numa mistura de barracas de campismo, lixo e ferro-velho. Cheiro repugnante. Negócio de ocupação do espaço, crimes sexuais, tráfico de drogas e de armas. Os dejectos orgânicos num cesto de lixo lançado á rua. A pobreza extrema. Calcutá na América. As razões de tal fenómeno: o consumo de drogas, as doenças mentais, a crise económica e a crise dos preços da habitação.  A terra da oportunidade transformou-se na terra da ilusão, e caminha ufana para campeã da desigualdade. 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

CONTO DE NATAL

Os pobrezinhos
por António Lobo Antunes



"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres.

Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. 


Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria: 

– Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da menina Teresinha.

O plural de pobre não era "pobres". O plural de pobre era "esta gente".

No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, um bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre.

Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

– Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.
Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres dinheiro, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto (- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro) de forma de deletéria e irresponsável. 

O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico 

– Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

O atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo: 

– Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu. 

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros: 

– O que é que o menino quer, esta gente é assim.


E eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. 

A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse 

– Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar, e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão. 

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado "Almanaque da Sãozinha", se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso. 


Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".