
Setembro de 2009 (em Jornal de Negócios)
O
Grupo Carlyle irá analizar uma parte do seu fundo imobiliário
CEREP III para investimentos em Portugal através de uma parceria com a empresa portuguesa
Crimson Investment Management. Criado em 2007, com 2,2 mil milhões de euros, o fundo já investiu em França, Espanha, Alemanha e no Norte da Europa.
A sociedade portuguesa, liderada por
Carlos Félix Moedas, ex-presidente da Aguirre Portugal, procura investimentos nas áreas dos escritórios, retalho, hotelaria e turismo residencial para um novo fundo do grupo Carlyle. Em Portugal está previsto um investimento da ordem dos 50 milhões de euros anuais ao longo dos próximos três anos, avançou Carlos Moedas.
Em Portugal, uma das últimas aquisições do grupo Carlyle foi o outlet
Freeport, situado nas imediações dos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, onde será construído o futuro aeroporto de Lisboa. O investimento foi concretizado nove meses antes de o actual governo socialista ter abandonado a opção Ota para a localização do novo e polémico complexo aeroportuário.
Entre 1992 e 2005, o grupo Carlyle, foi liderado por
Frank Carlucci, ex-embaixador dos Estados Unidos em Portugal, director-adjunto da CIA (1978-1981), Secretário-adjunto da Defesa (1981-1983), Conselheiro Nacional de Segurança (1986-1987) e Secretário da Defesa (1987-1989).Durante o consulado de Carlucci, ocuparam posições de relevo na companhia, na qualidade de “consultores séniores”, personalidades da alta roda da política e da finança global, como o ex-presidente dos EUA George
H. W. Bush, o antigo primeiro-ministro britânico
John Major, o antigo Secretário de Estado norte-americano James Baker, o antigo presidente das Filipinas
Fidel Ramos, bem como
Karl Otto Pöhl, antigo presidente do banco central da Alemanha (Bundesbank) e
George Soros, bilionário gestor de “hedge funds”.
Olivier Sarkozy, meio-irmão do presidente francês Nicolas Sarkozy, desde Março de 2008, co-preside e administra a divisão de serviços financeiros globais, criada após a eclosão da crise subprime. Todos são membros de poderosas organizações globalistas – como o Grupo Bilderberg, Council on Foreign Relations e Comissão Trilateral - que se caracterizam pelo secretismo e acesso restrito às elites que pretendem liderar a geopolítica e a economia mundial.
A Crimson Investment Management, fundada em Novembro de 2008, é dirigida pelo engenheiro civil Carlos Félix Moedas, que na última década enveredou pela gestão financeira, após um mestrado concluído em Harvard. No final do primeiro ano do Master and Business Administration, estagiou no banco de investimento
Goldman Sachs, em Wall Street. No final passou a quadro da instituição, em Londres. Foi igualmente quadro do Eurohypo, banco alemão especializado em crédito hipotecário, nos escritórios da capital britânica. Em 2006, após 11 anos no estrangeiro, voltou para Portugal como director-geral da corretora imobiliária espanhola Aguirre Newman.
A Crimson é participada por investidores como Miguel Paes do Amaral, João Brion Sanches, Alexandre Relvas e Filipe de Botton, este último membro do grupo português da Comissão Trilateral, também conhecido pela designação Fórum Portugal Global.
Agora em 2o11...
O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro Carlos Moedas declarou ao Tribunal Constitucional quando tomou posse, 119 mil euros de rendimentos, dispondo de perto de 300 mil euros em carteiras de títulos, ações e fundos de investimento, e cerca de 76 mil euros em contas à ordem.
Carlos Moedas era administrador da Shilling Capital Partners e da Winworld e presidente do conselho de administração da Crimson Investment Managment, cargos que abandonou para ir para o Governo, encontrando-se ainda em (sic) "processo de alienação de todas as participações que tem naquelas empresas", num valor total de cerca de 75 mil euros.
Em 10 de Dezembro, na 4º Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, a Crimson, que era uma sociedade anónima detida pelo Moedas, Miguel Pais do Amaral, João Brion Sanches, Filipe de Button e Alexandre Relvas,
passa a ser detida, em exclusividade pela esposa de Carlos Moedas. Moedas prova assim que é alentejano, sim senhor, mas não é burro. É simplesmente o
ministro Carlyle.