um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

 

DESENVOLVIMENTO

Os comunistas vietnamitas apontam para uma taxa média de crescimento anual do PIB de pelo menos 10% entre 2026 e 2030. Estimam que o PIB per capita atinja 8500 dólares em 2030. Nos últimos anos, a taxa de pobreza no Vietname diminuiu de forma significativa, passando de 31 milhões de pessoas em situação de pobreza em 1992 para 600 mil este ano, numa população total estimada em 101 milhões de pessoas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

 SOLIDARIEDADE INTERNA E EXTERNA

A campanha de eliminação de habitações temporárias e precárias no Vietname que se deveria desenvolver até 2030 foi concluída em apenas 16 meses, antecipando em mais de 5 anos o prazo previsto : 225 mil casas foram construídas e 79 mil casas reabilitadas.

O trabalho voluntário foi o elemento determinante. Foram mais de 2,7 milhões de dias de trabalho oferecidos por vizinhos, organizações sociais e militares do Exército do Povo DO Vietname. A Juventude Comunista Ho Chi Minh contribuiu com mais de 485 mil jornadas , designadamente em zonas montanhosas e remotas.

Há dias, o embaixador de Cuba em Hanói recebeu do Presidente do Comité Central da Frente Patriótica do Vietname 23,3 milhões de dólares (a acrescer aos 15 milhões de dólares entregues em agosto ao Presidente Miguel Dias Canel) numa campanha evocativa dos 65 anos de amizade entre os dois países. O valor alcançado, assente sobretudo em muitos pequenos contributos, superou em quase dez vezes a meta estabelecida.

Cuba foi o primeiro país a reconhecer a Frente Nacional de Libertação do Vietname do Sul, enviando médicos e enfermeiros e apoiando a reconstrução.

CR

segunda-feira, 28 de julho de 2025

TEXTO

 

O ESTADO DA BAZUCA

Vivemos á sombra do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência). São 22 mil milhões de euros atribuídos a Portugal em 2021 pela Comissão Europeia em subvenções (16.635 milhões de euros a fundo perdido) e empréstimos (5.578 milhões de euros a taxa zero com prazo de pagamento até 30 anos). António Costa, em trânsito para a porta giratória para Bruxelas, chamava-lhe propagandisticamente a “bazuca” salvadora do atraso estrutural de há décadas. Havia objectivos predeterminados na habitação, na saúde, na mobilidade e na digitalização.

Como estamos 4 anos após, e a um ano do prazo terminar?

Em maio de 2025, os relatórios oficiais falam em apenas 33% do PRR executado. Escalpelizemos por componente. Comecemos pela Habitação. A componente Habitação inicialmente dotada de 2.733 milhões de euros teve um acréscimo para 3.226 milhões de euros em reprogramação posterior mas já no Governo de Montenegro levou corte de 402 milhões de euros (redução de número de fogos em 3.300). Mas destes 2.824 milhões de euros finais do programa para Habitação, apenas 800 milhões de euros estão executados em julho de 2025.

A magnitude e a vertigem destes números não nos deve fazer esquecer a vergonha escandalosa e o falhanço mais ou menos oculto desta gestão pública, que não utiliza verbas disponíveis em favor dos mais desfavorecidos.

 Quantas casas a preços acessíveis estavam previstas construir? O Governo de Costa apontava para 32 mil fogos a construir via PRR. O Governo de Montenegro apontava a entrega via PRR de 26.000 habitações até junho de 2026, mas depois ajustou o “compromisso” até 2030 para 26.000 casas do PRR e 33.000 do Orçamento de Estado. Porém até abril de 2025 só 1.950 foram entregues.

Vive-se uma emergência habitacional. Para quem vive em múltiplas dificuldades para assegurar o direito a uma habitação digna, vivendo em barracas ou paga mais de 50% do rendimento em renda ou prestação bancária, impõe-se uma responsabilização política, administrativa, social e ética concretas, sobretudo quando se prevê que 23% dos fundos atribuídos a Portugal no âmbito do PRR não serão utilizados. E na Habitação, prevê-se que seja 1.200 milhões de euros (9.800 habitações a preços acessíveis). UM CRIME.

As múltiplas razões aduzidas para o atraso e baixa execução do PRR confirmam (e não justificam!) a incompetência e a insensibilidade dos governantes do PS e da AD, e de muitos empresários /patrões.

É uma Administração Pública, definida pelo conceito de Estado Mínimo, esvaziada de quadros técnicos especializados (engenheiros, arquitectos, juristas, gestores, informáticos) capazes de elaborar projectos e candidaturas, com capacidade de contratar ou auditar. O mesmo se passa com as autarquias e organismo do Estado Central como o IHRU. Uma Administração Pública burocrática, na gestão e contratação, sem inovação social, sem coragem na decisão, partidarizada. À incapacidade de construtores privados poder-se-ia responder com a auto-construção em terrenos públicos supervisionada com base em projectos tipo e em parcerias locais.  Mas isso era pedir muito.

É portanto um mundo negro de incapacidades, vulnerabilidades, desresponsabilizações a que assistimos.

CR

sábado, 21 de junho de 2025

TEXTO

 

FILOSOFIAS E REALIDADES

O Homem moderno vive assoberbado por necessidades e vivências típicas do presente, mas que aparentemente o impedem de estudar e refletir sobre o passado e, muito menos, de sonhar e projetar-se no futuro. Ele vive para a sobrevivência ou o sucesso imediato, algumas vezes para a satisfação imediata de desejos e emoções. E não se diga que isto é exclusivo da juventude.

O passado não o seduz claramente, o futuro não o compromete. Assim assume-se como obediente de um curso, de um rio, que sente que lhe bordeja a existência. Daí resulta a sua adesão a respostas simples, primárias, e a simpatia por sentimentos básicos e globais. Mais do que protagonista, ele quer-se espectador.

Porém não havendo filtros de racionalidade ou moderação na narrativa que lhe impõem, ou que a si próprio se impõe, ele vê-se confrontado muitas vezes com o insólito, o intraduzível, o inexplicável.

A consciência afasta-se da razão e caminha pelos caminhos do místico, do burlesco e do medo. Como compreender o outro, o diferente, aquele mais complexo ou mais sábio? O Eu é incapaz, e o Nós, fragilizado, também. O silêncio instala-se. Nada se quer útil. Nada pode ser útil. Só a mentira, o logro, seduz.

Caminha-se para um fim remoto. O pensamento organizado, escorreito, está como se ele próprio percorresse uma estrada em obras. E a dúvida acelera-se. Será a nova via local aceitável de navegação e trânsito?

O génio do mal soltou-se da garrafa. Recentemente descobriu-se uma rede organizada de criminosos, com ligações à estrema direita mais reacionária, preparando um assalto violento às instituições democráticas. Como é possível? Qual a sua extensão? Que cumplicidades? São a violência, o ódio, as armas legais e ilegais, as comunicações encriptadas, a organização de milícias, a infiltração nas forças de segurança, a pulverização de nomes e associações com o mesmo fim (Portugueses Primeiro, 1143, Blood and Honour, Hammerskins, Habeas Corpus, Movimento Armilar Lusitano). No Relatório Anual de Segurança Interna, a sua actividade foi liminarmente e inexplicadamente apagada.  Por quem? Porquê?

Já se sabia da existência e influência dos neonazis nas redes sociais. Já se conheciam as ligações, algumas familiares, com partidos parlamentares e outros. O caldo de cultura e os financiamentos são conhecidos.

O aparelho de Estado está permeável. Uma responsável da Unidade Nacional Contra o Terrorismo da PJ veio a público com a equiparação da extrema direita e uma “extrema esquerda”. Convinha que esclarecesse que factos conhece, para uma tal simetria. O mesmo disse Carlos Moedas, mas esse é demasiado pequeno para se levar a sério.

Se não, perguntar-se-á: Quem nos protege da Polícia? Ou da Justiça? Quem nos protege das infiltrações nas Forças de Segurança? Quem nos protege do aparelho de Estado, de um Estado Democrático, exposto a ideais neonazis? Nós, resistindo com coragem.

CR

 

 

 

A garota não - Prédio mais alto

sexta-feira, 2 de maio de 2025

do baú

 

ELA E O ESPÍRITO SANTO

Soubemos recentemente que Maria de Belém Roseira m, a ex-Ministra da Saúde de António Guterres nos anos de 1995 a 1999 e actualmente deputada PS, tinha sido contratada como Assessora para as Questões de Saúde do Grupo Espírito Santo. A citada senhora exerce à data o cargo de Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde e tem também responsabilidades na União das Mutualidades portuguesas.

A avença em causa destinar-se-ia (cito) “dar pareceres sobre a estratégia da Espírito Santo Saúde nomeadamente na área dos cuidados continuados”, vulgo idosos e dependentes. A explicação é simplista: ninguém acredita que o Grupo Espírito Santo não tenha uma estratégia orientadora para o sector. O que falta é provavelmente a ligação funcional privilegiada com os centros de influência e decisão. E aqui justifica-se a avença.

Muitos referiram a promiscuidade latente entre o exercício de cargos públicos e o serviço de interesses privados. Outros referiram a incompatibilidade do Deputado e do Estratega privado e relembram a frase histórica sobre a mulher de César… Outros lembraram a actividade recente dos grupos privados na Saúde e os lucros gigantescos que se avizinham nomeadamente nos sectores relacionados com a prestação de cuidados de saúde a velhos, idosos e dependentes.

Ficamos a saber que ao aprovar estas incongruências e negociatas, o PS se identifica mais com os interesses do BES do que com a defesa do Serviço Nacional de Saúde.  

Tenho para mim que há igualmente um traço de continuidade divina que vai de Belém ao Espírito Santo, do Hospital da Luz à Misericórdia, passando por outros altares e cofres fortes. Pina Moura, antes de ser Iberdrola, era chamado O Cardeal. Maria de Belém, antes de converter-se ao Espírito Santo, anseia ser a Santinha da…Roseira.

Cristiano Ribeiro

terça-feira, 4 de março de 2025

retirado do baú, escrito há 30 anos

 

ARTES E MANHAS N.º111

A recente homenagem promovida pela Câmara de Paredes a jovens personalidades, nascidas ou vivendo no concelho, no dia da comemoração do 5.º Aniversário da elevação de Paredes a cidade, é um gesto simbólico rico em conteúdo.

Tal como é referido em brochura distribuída contendo a biografia de cada um dos homenageados, há que reconhecer e glorificar dotes e actividades e apontar exemplos vivos de generosidade a toda a sociedade.

Sem dúvida que há jovens que na sua área específica de intervenção tiveram e têm um destaque importante, fruto, em primeiro lugar, do seu esforço, dedicação e persistência. Na escalada para o sucesso tiveram necessariamente o apoio de uma mão amiga, do treinador dedicado, do professor empenhado, do chefe perspicaz, da família compreensiva, do amigo entusiasta. Não desconheço também que por vezes a sorte, a oportunidade, a ocasião única, dão uma contribuição importante para o brilho do sucesso.

Indiscutivelmente há muitos jovens cujas potencialidades de crescimento e realização esbarram com a inexistência de apoio, de compreensão das suas necessidades, de ajuda na difícil procura da sua vocação. Esses nunca serão homenageados, nunca sentirão como justa e sua a homenagem da Câmara Municipal. Porventura apreciarão os feitos dos outros, tornar-se-ão os seus mais fervorosos admiradores, identificar-se-ão com os seus êxitos (e talvez menos com os seus inêxitos). Mas nunca vestirão a pele dos vencedores.

Deve ser dito que restringir a notoriedade pública a quem assume a face do vencedor, a quem assume os louros da vitória, tem riscos em uma sociedade de competição desenfreada. Promovam-se os vencedores, prestigiem-se os não vencedores, aqueles que não sendo primeiros se esforçam por alcançar melhores resultados.

Vem a talhe de foice referir os homenageados ausentes, as escolas e os seus professores, por vezes os reais incentivadores de carreiras que começam pelas bases de um ensino democrático e pela convivência cívica.

Saliente-se finalmente a responsabilidade indiscutível dos adultos na vivência futuro da juventude, por exemplo na actuação de uma Comissão de Protecção de Menores, na acção de um Pelouro da Juventude, na presença e intervenção das forças policiais. Gostaria que futuramente também eles pudessem ser homenageados, na sua acção perante os jovens do concelho. Porque o outro lado da situação da juventude em Paredes é preocupante. A morte diária de jovens circulando em veículos motorizados sem capacete regulamentar por vias sem condição, a exposição permanente de milhares de jovens inseguros ao “sucesso” e actividade de redes de “dealers” do tráfico e consumo de droga, a falta de seriedade e de estratégia de adultos preocupados só com o sucesso imediato. Há que observar a árvore sem descurar a floresta. Ainda que as árvores existentes em Paredes sejam frondosas e gostosas.

Cristiano Ribeiro