um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA
sábado, 31 de dezembro de 2016
David Bowie+Mick Ronson+Queen+Ian Hunter - All The Young Dudes
o meu tributo a David Bowie
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
informação minimalista
Desde 2004 que o salário real em Portugal não acompanha a variação da produtividade. Esta diferença aprofundou-se brutalmente a partir de 2010, em resultado da política de austeridade.
domingo, 25 de dezembro de 2016
sábado, 24 de dezembro de 2016
poema
"Quando Um Homem Quiser" - Ary Dos Santos
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
frase do dia
"Nós sempre dissemos que os Estados Unidos são o único país do continente americano onde nunca houve golpes de Estado porque Washington é a única capital onde não há embaixada dos Estados Unidos".
Em entrevista ao ex-ministro de Lula da Silva e teólogo, Frei Betto, que fala de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer, da corrupção, dos golpes na América Latina e poder das multinacionais.
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
informação minimalista
O Estado gastou em apoios públicos ao setor financeiro 14.348 milhões de euros entre 2008 e 2015, segundo o parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado (CGE) do ano passado divulgado hoje.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
SAÚDE DEZ 2016 EM PORTUGAL
O utente tem 75 anos e uma insuficiência cardíaca grave no
contexto de outras patologias crónicas relevantes. Foi pedido consulta de
Especialidade do Hospital da área. Foi recusada: “Devolvido á origem. Não cumpre
critérios de referenciação “. O
habitual. O mesmo texto, o mesmo conteúdo, o pedido para o Hospital S. João.
Foi recusado: “Devolvido á origem.
Atendendo a que diariamente nos surgem pedidos de situações críticas e para uma
melhor e atempada articulação com os vossos centros, penso que nesta altura,
pelas alterações que nos descreve, talvez não se justifique uma consulta
diferenciada de cardiologia. Fico contudo ao dispor para outros esclarecimentos”.
A subtileza do “talvez” utilizada pelo senhor Professor. “Devolvo” os esclarecimentos e os “cumprimentos”.
Com raiva. Os consultórios privados
estão cheios de utentes sem “critérios
de referenciação”. As clinicas ou hospitais privados estão cheios de utentes
resultantes da “articulação” com os centros de saúde. As urgências estão cheios
desses utentes, e consta que até os cemitérios…
CR
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES
15-12-2016 , PELAS 20H30
Ordem do Dia
1-
Revisão Orçamental
2-
Relatório de acompanhamento e monotorização no âmbito
do Programa de Apoio á Economia Local
3-
Relatório do Auditor Externo de informação sobre
a situação económica e financeira do município relativo ao 1.º semestre de 2016
4-
Proposta – Autorização para a contratação de um
empréstimo de curto prazo até ao montante de 2.500.000 euros
5-
Protocolo celebrado entre o município de Paredes
e a EDP Distribuição Energia, SA- Alteração do anexo I ao contrato de concessão
da distribuição de energia elétrica em baixa tensão
6-
Aprovação da proposta e nomeação, por
adjudicação, de Auditor Externo – ajuste direto para aquisição de serviços de
certificação legal, revisão e auditoria externa ás contas do município de
Paredes
7-
Regulamento do estatuto do provedor do munícipe de
Paredes
8-
Código de conduta ética
9-
Parecer sobre a concessão de incentivos á
empresa SAI –Segurança Alimentar Integrada , LDA
10-
INBORVAL – INDUSTRIA DE BORRACHA , LDA - Proposta de concessão de incentivos , no
âmbito do regulamento de concessão de incentivos ao investimento em Paredes
11-
WOODONE MOBILIÁRIO , SA - Proposta de concessão
de incentivos , no âmbito do regulamento de concessão de incentivos ao
investimento em Paredes
12-
Sinalização vertical e horizontal em diversas
vias na freguesia de Lordelo
13-
Sinalização vertical e horizontal em diversas vias
na freguesia da Sobreira
14-
Sinalização vertical em diversas vias na
freguesia de Rebordosa
15-
Sinalização vertical na Rua Monte da Estação, freguesia
de Paredes
16-
Sinalização vertical em Mouriz, freguesia de Paredes
17-
Sinalização vertical em diversas vias na
freguesia de Vilela
18-
Sinalização
vertical na Travessa D. Afonso Henriques, na freguesia de Gandra
19-
Processo expropriativo destinado á “Ampliação do
Parque da Cidade de Paredes 2016 – processo 3/2016 – Declaração de utilidade
pública
NOTA: Como é Assembleia Extraordinária não tem Período de
Antes da Ordem do Dia e não tem intervenção de público
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
OBITUÁRIO DE UM GRANDE
Começou por ser pequena personagem romântica e
sedutora da História, antes de se tornar símbolo indiscutível e perene de uma
revolução. E mais tarde, consciência da
Humanidade.
Foi na segunda metade do seculo xx, o dirigente do
chamado Terceiro Mundo com maior influência pela palavra e pela acção nos
acontecimentos mundiais, como a descolonização e as lutas contra o racismo e o
imperialismo.
Alcunhado por alguns de autoritário, mesmo de ditador,
essa avaliação rude e desajustada choca com o conhecimento profundo que dele
vamos tendo, do carisma e prestígio mundial que transporta, do exemplo reconhecido
de dignidade em vida, da qualidade de liderança pessoal. Não há calúnia mediática ou ódio que
resistam à prova da vida.
Disse muito lucidamente em 2 de janeiro de 1961: “Uma
revolução não é um leito de rosas. Uma revolução é uma luta até a morte
entre o futuro e o passado”. Certamente ele gostaria que fosse
diferente. Mas não é. O criminoso bloqueio económico e político que enfrentou
bem como as inúmeras tentativas de assassinatos vindas dos EUA provam que o
“leito de rosas” só existe no cérebro dos utópicos.
No turbilhão dos acontecimentos, condicionado
pelas razões da geopolítica, ousou desafiar a lógica da História, os manuais de
ciência politica, a lógica da submissão dos pequenos perante os grandes, com
inteligência, coragem e coerência.
Que importa que as embaixadas da França e dos
Estados Unidos em Cuba não tenham posto a bandeira a meia haste pela morte de
El Comandante? Que importa os quilómetros de prosa pútrida publicados em todo o
mundo sobre Fidel e a revolução cubana? Que importa a cegueira ideológica,
cultivada no vizinho do norte e nas corruptas capitais de Paris, Londres ou
Madrid? A imagem das exéquias fúnebres diz tudo: um líder não só respeitado,
como amado, interna e externamente.
Disseram que era rico, a Forbes inventou uma
fortuna colossal com capitais na Suiça e contudo vivia de forma espartana numa
vivenda de um só piso na periferia de Havana. A sua percepção das limitações da
condição humana tornou-o avesso á glorificação da sua pessoa. O nome e a figura
de Fidel Castro não vão ser utilizados em lugares públicos, ruas ou praças, nem
serão erigidos em sua memória monumentos, bustos ou estátuas, por desejo
expresso do falecido líder revolucionário, disse o Presidente cubano. "O
líder da revolução rejeita qualquer tipo de manifestação de culto à
personalidade e manteve essa atitude até às suas últimas horas de vida",
disse Raul Castro num discurso de homenagem ao seu irmão Fidel, realizado na
cidade de Santiago de Cuba.
Cultivava a palavra como poucos, a palavra
mobilizadora, criativa, escrita ou oral. Tinha uma concepção ética da vida,
avesso á excessiva autoridade pessoal. Deixou de fumar para ter a autoridade moral para combater o tabagismo. Manteve-se
em excelentes condições físicas com várias horas de ginástica diária e natação
frequente. Disciplina férrea, autodomínio completo.
Tinha um verdadeiro espirito universalista, solidário, quer fosse na
criação de brigadas médicas cubanas em todo o mundo, quer na política de
educação de adultos, quer nas batalhas militares do sul de Angola.
Retomo: a sua grandeza despertou muito ódio. Mas a sua existência iluminou
muita consciência adormecida. Viva Fidel!
CR
informação minimalista
2600%
Autoridade da Concorrência britânica acusou a Pfizer de ter inflacionado em 2600% o preço de um medicamento.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
poema
POEMA DA PERGUNTAÇÃO
Não somos
todos, os envergonhados, os verdadeiros culpados?
Não somos
nós, os indignados, os verdadeiros carrascos?
O que
antes e agora julgamos, não foi apenas uma pequena evidência? O que nós
prendemos não foi a mão obscura de uma consciência? E mesmo o que matamos, não
foi tão-somente uma ínfima parte da verdade?
E
procuramos grades? E procuramos muros altos e seguros? E procuramos homens
obtusos para que os possamos vigiar? E procuramos armas para os tornarmos
intransponíveis? De nada nos valerá, de nada nos adiantará. Não há ferro, nem
betão, nem servilismo nenhum que nos possam salvar da luz da verdade.
Uma
mentira não tem sempre sede de liberdade? Uma mentira não é a cela da verdade?
E quantas vezes a pretendemos prender? E com quantas grades a desejamos
ocultar? E com quantas mãos a ameaçamos estrangular?
Não vale
a pena. Desistamos. Em nenhum maciço de betão podemos esconder o que a nossa
consciência sabe. Em nenhuma anedota, em nenhum boato, em nenhuma suposição, em
nenhuma imparcialidade e em nenhum juiz e em nenhum desmentido nos jornais e em
nenhum país. Nem de nós, nem dos outros.
Eduardo
White
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
POSIÇÃO CLARA DO PCP
Sobre o referendo realizado em Itália
A vitória do NÃO no referendo à alteração constitucional proposta pelo Governo italiano constituiu uma derrota para os que visavam atacar a Constituição italiana, adoptada na sequência da derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial, e o seu carácter democrático.
A manobra anti-democrática dirigida para a centralização do poder político e a perversão do sistema eleitoral por via da revisão à Constituição foi assim rejeitada.
O carácter popular desta rejeição assume tanto maior significado quando esta foi alcançada enfrentando a intensa campanha e chantagem do Governo italiano e dos grandes grupos económicos e financeiros, que contou com o apoio de responsáveis da União Europeia.
Um resultado que – tendo na sua base motivações diferenciadas, e até contraditórias –, representou também uma rejeição da política que tem vindo a ser realizada por sucessivos governos, incluindo o Governo do Partido Democrata, dirigido por Matteo Renzi, subordinada aos interesses do grande capital e à União Europeia, e contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo italiano.
O PCP reafirma a sua solidariedade para com a luta dos comunistas, dos trabalhadores e povo italiano em defesa dos direitos democráticos, sociais, económicos e políticos.
domingo, 4 de dezembro de 2016
RESISTÊNCIA POLITICA E CULTURAL
A russofobia fracassa na Ucrânia
e os ucranianos começaram em massa a cantar canções russas.
A política de erradicação forçada
da cultura russa na Ucrânia, ao que parece, falhou. Enquanto a liderança do
país impõe novas restrições aos russos, os moradores nas ruasa decidiram
expressar a sua opinião sobre este assunto. Ou melhor, cantar publicamente,
alto e melodiosamente, atraindo a atenção do público em geral e protestando assim contra a propaganda estatal russofóbica.
Mais recentemente, nos lugares
mais frequentados, especialmente em estações ferroviárias, são os flash mobs
com canto de canções em russo. As melodias e letras soviéticas e canções russas
são familiares a quase todos, e, portanto, os criadores da ação, como regra,
estão ligados a comuns transeuntes.
Vozes soam tão convincentes que
se "ouve" mesmo na Europa. A edição alemã de Der Freitag observa que
os participantes nos flash-mobs, assim, "defendem a paz entre russos e
ucranianos, bem como são contra a guerra e a forçada ucrainização”.
Em apenas alguns dias as ações já
estão em várias cidades ucranianas e russas. Por exemplo, os moradores de
Dnipropetrovsk cantam a "Katyusha", em Odessa cantam
"Darkie" em Kharkov - "Old Bordo", em Kiev -
"Primavera em Zarechnaya Street", e em Lugansk - "Montes sono de
dark". Não poupam lugares e compartilham Nezalezhnosti na capital, Kiev.
Os participantes lembram por unanimidade, o familiar a todos desde a infância,
"Sunshine".
Os russos não ficaram de fora e
decidiram apoiar a iniciativa, também, que executa nos lugares públicos bem
conhecidos da Ucrânia e "hits" cossacos: moscovitas cantam
"Rozpryagayte hloptsі konі" e residentes de Lipetsk - "Chervona
Ruta" e Krasnodar.
Der Freitag recorda que hoje na
Ucrânia, canais de TV russos estão bloqueados, bem como performances de
numerosos artistas da cultura de língua russa, a venda de literatura russa foi
banida. No entanto, as "canções anti-populares e nacionalistas ucranianas
e a polícia são impotentes", diz a publicação.
HISTÓRIA
24 de Novembro 1859
– Lançamento de «A Origem
das Espécies»
– Lançamento de «A Origem
das Espécies»
«A Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida» é o título completo da obra clássica do naturalista britânico Charles Darwin conhecida como «A Origem das Espécies». Iniciada meia dúzia de anos depois da sua marcante viagem de cinco anos a bordo do HMS Beagle – o navio ao serviço da Marinha Real Britânica que fez três viagens de exploração, incluindo uma de circum-navegação, para conhecer terras e mares – a obra sustenta que as espécies evoluíram, não foram criadas, como então se pensava, e propõe o mecanismo de selecção natural para explicar essa evolução e as adaptações dos organismos. A polémica suscitada pelo livro foi enorme, apesar de Darwin não questionar a existência de uma entidade divina criadora, ideia fortemente arreigada na época, mas sim a sua intervenção no processo de diversificação das formas de vida, negando a origem separada de cada espécie e advogando a existência de uma origem comum. Esta visão, radicalmente nova, só veio a ser devidamente valorizada com a revolução molecular do final do século XX.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
FIDEL
A sua devoção pela palavra. O seu poder de sedução. Vai buscar os
problemas onde estão. O Ímpeto e a inspiração são próprios do seu estilo. Os
livros reflectem muito bem a amplitude dos seus gostos. Deixou de fumar para
ter a autoridade moral para combater o tabagismo. Gosta de preparar as receitas
de cozinha com uma espécie de fervor científico. Mantém-se em excelentes
condições físicas com várias horas de ginástica diária e natação frequente.
Paciência invencível. Disciplina férrea. A força da imaginação arrasta-o até ao
imprevisto. Tão importante como aprender a trabalhar é aprender a descansar. Fatigado de conversar, descansa conversando. Escreve bem e gosta
de fazê-lo. O maior estímulo da sua vida é a emoção do risco. A tribuna de
improvisador parece ser o seu meio ecológico perfeito.
Começa sempre com uma voz inaudível, com um rumo incerto, mas
aproveita qualquer assunto para ir ganhando terreno, palmo a palmo, até que uma
espécie de grande vaga se apodera da audiência. É a inspiração: o estado de
graça irresistível e deslumbrante, que só o negam aqueles que não tiveram a
glória do viver. É anti-dogmático por excelência. José Martí é o seu autor de
cabeceira e teve o talento de incorporar o seu ideário à corrente sanguínea de
uma revolução marxista.
Na essência do seu pensamento poderia estar a certeza de que para
fazer trabalho de massas é fundamental ocupar-se dos indivíduos. Isto poderia explicar a sua confiança absoluta no contacto
directo. Tem uma linguagem, para cada ocasião e um modo distinto de persuasão para cada
interlocutor. Sabe situar-se ao nível de cada um e a sua informação casta e
variada permite-lhe mover-se com facilidade em qualquer meio. Uma coisa é
segura: esteja onde esteja, como esteja e com quem esteja, Fidel Castro está
ali para ganhar.
A sua atitude perante a derrota, ainda que seja nos actos mínimos
da vida quotidiana, parece obedecer a uma lógica privada: nem sequer a admitem
e não tem um minuto de sossego enquanto não consegue inverter os termos e
convertê-la numa vitória.
Ninguém consegue ser mais obsessivo quando se propôs chegar ao
fundo de qualquer coisa. Não há projecto colossal e milimétrico, em que ele não
se empenhe de uma forma apaixonada.
E em especial se tem que defrontar-se com a adversidade. Nunca
como então parece com melhor disposição, Alguém que acredita conhecê-lo bem,
disse-lhe: as coisas devem andar muito mal, porque você está esfusiante.
Insistir e aprofundar as coisas é uma das suas formas de trabalhar. Exemplo: o assunto da dívida externa da América Latina, apareceu pela primeira vez nas suas conversas há alguns anos, e foi desenvolvendo-se, ramificando-se, aprofundando-se. A primeira coisa que disse, como uma simples conclusão aritmética, era que a dívida era impagável. Depois apareceram as medidas escalonadas: As repercussões das dívida na economia dos países, o seu impacto politico e social, a sua influência decisiva nas relações internacionais, a sua importância providencial para uma politica unitária da América Latina… até chegar a uma visão totalizadora, a que expôs numa reunião internacional convocada para o efeito e que o tempo se encarregou de demonstrar.
Insistir e aprofundar as coisas é uma das suas formas de trabalhar. Exemplo: o assunto da dívida externa da América Latina, apareceu pela primeira vez nas suas conversas há alguns anos, e foi desenvolvendo-se, ramificando-se, aprofundando-se. A primeira coisa que disse, como uma simples conclusão aritmética, era que a dívida era impagável. Depois apareceram as medidas escalonadas: As repercussões das dívida na economia dos países, o seu impacto politico e social, a sua influência decisiva nas relações internacionais, a sua importância providencial para uma politica unitária da América Latina… até chegar a uma visão totalizadora, a que expôs numa reunião internacional convocada para o efeito e que o tempo se encarregou de demonstrar.
A sua mais rara virtude de político é essa capacidade de
vislumbrar a evoluções dos factos até às suas consequências remotas… no
entanto, não exerce esta faculdade por revelações, mas como resultado de um
raciocínio árduo e tenaz. O seu auxiliar supremo é a memória que usa até ao
abuso em conversas privadas com raciocínios espantosos e operações aritméticas
de uma rapidez incrível.
Tudo isto, requer o auxílio de uma informação incessante e bem
mastigada e digerida. A sua tarefa de acumulação informativa começa desde o
momento em que acorda. Pequena almoça com mais de 200 páginas de notícias de
todo o mundo. Durante o dia, fazem-lhe chegar informações urgentes, calcula que
cada dia tem que ler 50 documentos, a esses têm que se somar as informações dos
serviços oficiais e as conversas com os seus visitantes e tudo aquilo que possa
despertar o interesse da sua curiosidade infinita.
As respostas têm de ser exactas, pois é capaz de descobrir a mais
pequena contradição numa frase casual. Outra fonte vital de informação são os
livros. É um leitor voraz. Ninguém consegue explicar como tem tempo nem qual é
o método que utiliza para ler tanto e com tanta rapidez, ainda que ele insista
que não tem nenhum talento especial para isso.
Muitas vezes levou um livro de madrugada e na manhã seguinte
comenta-o. Lê inglês mas não o fala. Prefere ler castelhano e a qualquer hora
está disposto a ler o mais pequeno papel que lhe caia nas mãos. É um leitor habitual de assuntos económicos e históricos. É um bom
leitor de literatura que segue com atenção. Tem o costume de interrogar os seus visitantes. Perguntas
sucessivas até descobrir o porquê do porquê do porquê.
Quando um visitante da América Latina lhe deu um dado apressado
sobre o consumo de arroz dos seus compatriotas, ele fez os seus cálculos
mentais e disse-lhe: que estranho, quer dizer que cada um come quatro libras de
arroz por dia.
Uma das suas tácticas é perguntar coisas que sabe para confirmar
os seus dados. E em alguns casos para medir o calibre do seu interlocutor e
tratá-lo em consequência.
Não perde ocasião para informar-se. Durante a guerra de Angola
descreveu uma batalha com tantos pormenores e minúcia, numa recepção oficial,
que foi difícil convencer o diplomata europeu de que Fidel Castro não tinha
participado nela.
O relato que fez da captura e assassinato do Che, o que fez do
assalto do quartel da Moneda e da morte de Salvador Allende ou o que disse dos
estragos do ciclone Flora, davam grandes reportagens faladas.
A sua visão da América Latina e do seu futuro, é a mesma de
Bolívar e de Martí, uma comunidade integral e autónoma, capaz de mover o
destino do mundo. O país do qual sabe mais depois de Cuba, os Estados Unidos.
Conhece a fundo as características da sua gente, as suas estruturas de poder,
as segundas intenções dos seus governo, e segundas intenções dos seus governos,
e isto ajudou-o a contornar a tormenta incessante do bloqueio.
Numa entrevista de várias horas, detém-se em cada assunto, quando
se aventura em temas menos conhecidos, nunca descuida a precisão, consciente
que uma só palavra mal usada pode causar estragos irreparáveis. Jamais recusou
responder a nenhuma pergunta, por mais provocadora que seja, nem perdeu nunca a
paciência. Sobre os que escamoteiam a verdade para não lhe causar mais
preocupações que as que tem: descobre-o. A um funcionário que o fez, disse-lhe:
Ocultam-me verdades para não me preocupar, mas no fim, quando descobrir,
morrerei pelo choque de enfrentar tantas verdades que me deixaram de dizer. As
mais graves, no entanto, são as verdades lhe ocultam para encobrir erros e
deficiências, pois ao lado dos enormes sucessos que sustentam a revolução – as
conquistas politicas, científicas, desportivas e culturais – há uma enorme
incompetência burocrática monstruosa que afecta toda a vida diária e em
especial a felicidade doméstica.
Quando fala com a gente da rua, as conversas ganham expressividade
e a franqueza crua dos afectos reais. Chamam-no: Fidel. Rodeiam-no sem riscos,
tratam-no por tu, discutem, contradizem-no, protestam, como num canal de
transmissão imediata por de onde circulam a verdade aos borbotões. É então que
se descobre o ser humano insólito, que o resplendor da sua própria imagem não
deixa conhecer: um homem de costumes austeros e ilusões insaciáveis, com uma
educação formal à antiga, de palavras cautelosas e ténues e incapaz de conceber
nenhuma ideia que não seja descomunal.
Sonha que os “seus” cientistas encontrem o remédio final contra o cancro e criou uma política externa de potência mundial, numa ilha 84 vezes mais pequena que o seu inimigo principal.
Sonha que os “seus” cientistas encontrem o remédio final contra o cancro e criou uma política externa de potência mundial, numa ilha 84 vezes mais pequena que o seu inimigo principal.
Tem a convicção que a conquista mais do ser humano é a boa
formação da sua consciência e que os estímulos morais, mais do que os estímulos
materiais, são capazes de mudar o mundo e empurrar a história.
Ouvi-o nas suas escassas horas de meditação à vida, evocar as coisas que poderia ter feito de outra maneira para ganhar mais tempo de vida. Ao vê-lo muito aborrecido pelo peso de tantos destinos de pessoas, perguntei-lhe o que quisera fazer neste mundo, respondeu-me de imediato: parar num local qualquer.
Ouvi-o nas suas escassas horas de meditação à vida, evocar as coisas que poderia ter feito de outra maneira para ganhar mais tempo de vida. Ao vê-lo muito aborrecido pelo peso de tantos destinos de pessoas, perguntei-lhe o que quisera fazer neste mundo, respondeu-me de imediato: parar num local qualquer.
Gabriel Garcia Marquez em
Rebellion
REFLEXÃO
Morreu, mas hoje o mundo tem uma nova vacina contra o cancro.
Morreu, mas deixou no mundo 25.000 médicos em 84 países.
Morreu, mas criou a maior faculdade de Medicina do Planeta.
Morreu, mas deixou a sua pequena e bloqueada ilha com 0% analfabetismo.
Morreu, mas enquanto os seus criminosos enviavam tropas, armas e morte ao mundo, ele mandava 30.000 médicos em missões humanitárias a 68 países.
Morreu, mas antes deixou na sua ilha 1 médico para cada 130 cubanos e nenhum cubano morre, como no ocidente, por não ter como pagar assistência médica.
Morreu, mas deixou o seu pequeno país sem desnutrição infantil e sem uma única criança dormindo na rua.
Morreu, mas no seu leito sabe que as crianças da sua pátria não correm o risco de cair nas garras do narcotráfico.
Morreu, mas na sua pátria cada criança tem uma expectativa de vida de 79 anos, a mais alta da américa latina e de muitos países do mundo.
Morreu, depois de ter erradicado a transmissão do HIV de mães para filhos.
Morreu, mas continua bem presente no coração de todo o Povo Cubano, e de todos os revolucionários do Mundo.
Morreu, mas deixou no mundo 25.000 médicos em 84 países.
Morreu, mas criou a maior faculdade de Medicina do Planeta.
Morreu, mas deixou a sua pequena e bloqueada ilha com 0% analfabetismo.
Morreu, mas enquanto os seus criminosos enviavam tropas, armas e morte ao mundo, ele mandava 30.000 médicos em missões humanitárias a 68 países.
Morreu, mas antes deixou na sua ilha 1 médico para cada 130 cubanos e nenhum cubano morre, como no ocidente, por não ter como pagar assistência médica.
Morreu, mas deixou o seu pequeno país sem desnutrição infantil e sem uma única criança dormindo na rua.
Morreu, mas no seu leito sabe que as crianças da sua pátria não correm o risco de cair nas garras do narcotráfico.
Morreu, mas na sua pátria cada criança tem uma expectativa de vida de 79 anos, a mais alta da américa latina e de muitos países do mundo.
Morreu, depois de ter erradicado a transmissão do HIV de mães para filhos.
Morreu, mas continua bem presente no coração de todo o Povo Cubano, e de todos os revolucionários do Mundo.
É este o ditador que se fala por aí????
Nao me parece que seja.
Nao me parece que seja.
Hasta Sempre Comandante Fidel Castro!!
Ana Duarte
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