um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 31 de maio de 2011

apontamentos dispersos para a biografia de Cavaco Silva (XII)

Como ser Presidente, comer bolo-rei e mandar bocas em tempo de crise...Como gastar 45 000€ diários e compensar a «fraca» reforma de 800 euros da esposa. E assim ser o verdadeiro HONESTO!!!

As contas do Palácio de Belém


O DN descobriu que a Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano (163 vezes mais do que custava Ramalho Eanes), ou seja, 1,5 euros a cada português.


Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República.


A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos servem para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes.


Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros) sendo apenas ultrapassado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros) e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que 'custa' 46,6 milhões de euros anuais.


E tem o senhor Aníbal Cavaco Silva, a desfaçatez de nos vir dizer que "os sacrifícios são para ser 'distribuídos' por todos os portugueses"...(... E não se pode 'privatizar' a Presidência da República?...)

grafismo



Oportuna reflexão...

sugestões musicais


Gulag Orkestar
Beirut
World Music
2006




Alligator
The National
Alternative
2005


Anna Calvi
Anna Calvi
Alternative
2011





Foxtrot
Genesis
Rock
1972

MISTÉRIO



Por onde andará Mister Gagá?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Primal Scream - Loaded ("Screamadelica Live" )

José Gomes Ferreira




POETA MILITANTE - POETA CAMARADA

«... A certa altura sou portanto considerado por toda a gente como comunista filiado. Não estava, mas todos achavam que estava, que devia estar. Alguns até talvez preferissem que eu continuasse nesta situação, que era a mais cómoda, que era talvez a melhor para o Partido. Para o Partido Comunista não sei se terá muita importância ter muitos "nomes"...
Eu sou um homem moral e, embora nunca fosse "seareiro", fui educado pela Seara Nova, não devem esquecer isso. Os homens morais são os mais importantes para mim. Daí a minha veneração pelo Vasco Gonçalves, um homem que leu com certeza a Seara Nova, um "seareiro" pela certa.

E então perguntavam-me: "Quando é que aderes ao Partido?".
E eu respondia: "Ainda não chegou o momento".
De qualquer maneira, comecei a aparecer mais depois do 25 de Novembro, numa época de baixa para o Partido, quando eu e outros escritores fomos expulsos do Monte Carlo, a nossa grande "honra", o nosso grande "feito", porque fomos mesmo expulsos do Monte Carlo por aquela malta, pá, uma malta sem biografia e que nem a queria ter.
Até que uma noite acordei com este pesadelo: mas eu estou a ter todas as pequeninas vantagens de ser comunista sem ter as respectivas desvantagens... não está certo. Quem me garante que o fascismo não volta a Portugal e os comunistas não começam de um momento para o outro a ser de novo presos como já foram tantas vezes? E eu, nessa altura, que farei?
Direi a "verdade", não? Uma "verdade" que me fará doer a boca porque sabe a mentira: "mas eu nunca pertenci ao Partido, nunca fui do Partido...".
Isso magoou-me e passei o resto da noite sem dormir.
Tenho de ter as desvantagens - pensava eu.

Então fui procurar um amigo que conhecia desde miúdo e agora é um homem que acho admirável, neste momento mais do que nunca: o Aboim Inglês.
Fui procurá-lo na Soeiro Pereira Gomes.
"Ele está?"
"Está, está" (tem piada, porque estão sempre visíveis).
O Aboim Inglês apareceu, deu-me um grande abraço, e eu disse-lhe:

"Aboim Inglês venho cá perguntar se o Partido quer dar-me a honra de me receber nas suas fileiras».
Ele respondeu:
"Mas ó Zé Gomes, você pode perguntar uma coisa dessas? Evidentemente que sim!".
Depois começámos a conversar e ele teve uma frase espantosa, em resposta a uma certa explicação que lhe dei: "Durante o fascismo, sempre me acompanhou um pouco o remorso de estar sempre de acordo com vocês e nunca ter seguido o que alguns dos outros fizeram: trabalhar na clandestinidade...".
Então o Aboim Inglês teve esta resposta extraordinária:
"Mas lá vem o Zé Gomes com isso... Vocês foram muito mais valentes do que nós!".
Confesso que nem respondi, espantado de ouvir um Aboim Inglês, que esteve dez anos preso, dez anos de juventude perdida numa cela, dizer-me: "Vocês combatiam a descoberto!, Vocês nunca se escondiam, toda a polícia sabia quem vocês eram, e, no entanto, assinavam papéis, havia o Avante! para certas classes mas vocês apareciam com papéis e assinavam-nos, trabalharam a descoberto, sem máscara, frente a frente!"
Esta resposta desarmou-me por completo. E comecei a pensar nos que foram para a cadeia e nos que morreram...

A história da minha adesão ao Partido é esta.
É uma posição moral, corresponde exactamente ao que eu penso e sinto.
Hoje sou um militante do PCP.
Devo dizer-lhe que antes me tinha informado das condições de admissão no Partido e do seu funcionamento, onde existe a maior liberdade possível.
O Partido é de facto democrático e trabalha para o povo, pelo povo e com o povo.»


«Pergunta: "Concretamente como se traduz a sua adesão ao PCP?".

José Gomes Ferreira: "Pertenço à célula dos escritores onde faço o que posso, quero, desejo e concordo.
Tenho oitenta anos e poupam-me certas coisas.
Não me vão dizer:"Rapaz, é preciso ir colar cartazes!".
Mas se mo dissessem eu até iria"».

(em cravodeabril.blogspot.com)

domingo, 29 de maio de 2011

humor

5 DE JUNHO



contra o catastrofismo-mete-medo,
contra o salve-se-quem-puder,
contra todos-ao-molhe-e-fé-em-deus,
contra os maria-vai-com-as-outras,
contra o são-todos-iguais,
contra o já-não-acredito-em-ninguém,




«(...) Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!»

Manuel da Fonseca




No Dia 5 de Junho vota em quem te merece confiança. VOTA ÚTIL, VOTA CDU

Gil Scott-Heron (1-4-1949 / 27-5-2011)





sexta-feira, 27 de maio de 2011

MENSAGEM










Á VISTA AUMENTO DA ELECTRICIDADE EM 10%



Leia-se com atenção, e repare-se no que ele significa, o ponto 5.15 do «Portugal: Memorando de entendimento sobre condicionalismos específicos de política económica» que foi acordado pelo governo com a troika estrangeira e é apoiado pela troika nacional - PS, PSD e CDS:

«5.15. Aumentar a taxa de IVA da electricidade e do gás (actualmente em 6%), bem como os impostos sobre o consumo de electricidade (actualmente abaixo dos mínimos exigidos pela legislação da UE). »

Ora, partindo do príncipio benévolo que os preços da electricidade e do gás passarão ao escalão intermédio do IVA, ou seja 13%, e não para o escalão normal (23%), isto significa desde logo que no 4º trimestre deste ano esses preços iriam aumentar pelo menos 7%.

Mas acresce ainda que a electricidade vai ter um imposto específico sobre o consumo cujo montante se desconhece mas não é nada arriscado prever que, juntando «aumento normal», aumento do IVA e imposto especial, a electricidade vai aumentar mais de 10%. !!!

Agora é só fazer as contas sobre o reflexo disto nos orçamentos familiarese, já agora, antecipar a notável contribuição que este aumento da energia dará à competitividade das empresas portuguesa.

(em tempodascerejas.blogspot.com)

Pina Bausch / Wim Wenders

AVISO

Os titulares dos cargos autárquicos estão sujeitos ás reduções remuneratórias resultantes da Lei que aprovou o Orçamento de Estado para 2011, desde que aufiram remunerações totais ilíquidas mensais de valor superior a 1500 euros. A taxa aplicável varia entre os 3,5% e os 10%

Assim uma mera senha de presença nas sessões da Assembleia Municipal sujeita-se aos ditames orçamentais da troika nacional (PS, PSD e CDS), a mando da troika estrangeira.

O RESPEITO E A DIGNIFICAÇÃO DO PODER LOCAL VIVEM SUBMETIDOS Á SANHA ESPOLIATIVA DE UM GOVERNO DE INCOMPETENTES E DOS INTERESSES PARASITÁRIOS DA GRANDE FINANÇA

quinta-feira, 26 de maio de 2011

GRAFISMOS ANA BISCAIA






ANA BISCAIA
Desenho ContemporÂneo


Formada em Design de Comunicação, tirou um mestrado em Design Gráfico e Ilustração em Estocolmo, na Suécia, onde vive neste momento. Como designer gráfica e ilustradora já colaborou com inúmeras editoras como ETC, Edições Culturais do Subterrâneo, Edições Eterogémeas, Editora Canto Escuro e também com a revista Umbigo e o Teatro Efémero em Aveiro. O desenho é a sua maior paixão e a grafite uma das ferramentas de eleição.

The Gift - Primavera [Acústico na Rádio Comercial]

Noticias da feira das promessas...

O Jornal de Notícias complementa as reportagens diárias da Campanha Eleitoral de cada Partido ou Coligação Eleitoral com um Barómetro que pretende caracterizar os líderes em campanha. É uma muito discutível forma de apreciação da actividade politica. É uma sua perversão na linha da redução do político ao simplesmente mediático, da substituição do verdadeiramente importante ao acessório.

Nesse Barómetro há 4 escalas de 1 a 10, em que se avalia uma pretensa “convicção nas promessas”, uma subjectiva “empatia nos contactos”, uma pueril “clareza nas promessas” e uma extraordinária “capacidade de convencimento”. Vê-se assim sem dificuldade por onde anda o nosso jornalismo de referência, por onde navega o direito á informação do jornalismo do mainstream. Até a palavra “promessa” se destaca em tão foleira classificação em contraponto a uma adequada “mensagem” ou “conteúdo”.

Perguntar-se-á se quando Passos Coelho sobe por uma escada para apanhar cerejas, numa “iniciativa eleitoral” devidamente programada e divulgada, se não se deveria classificar com nota máxima a “convicção” do acto, a sua “clareza”, já não falando da “empatia” de Passos Coelho com as cerejas ou da “capacidade de convencimento” dos produtores de cereja, assim obtida.

O mesmo se diria de Sócrates na “empatia” do contacto com as comunidades asiáticas emigrantes cuja “capacidade de convencimento” pede meças aos Super-Dragões, acompanhando-o para todo o lado. São “claras” as intenções, a valorizar pelo avaliador “jornalístico”. A jornalista que “acompanha” Francisco Louçã não tem dúvidas: classifica-o de “10” a quase tudo, num esforço homérico de valorizar um desempenho, pisando o risco do proselitismo político. No dia 25 não houve barómetro para Louçâ, não se sabendo se houve um esquecimento, um “puxar de orelhas” ou o desempenho ter ultrapassado o cimo da escala…

As apreciações dos outros são mais comedidas, nomeadamente a de Carla Soares, que tem dificuldade em encontrar “convicção” em Jerónimo de Sousa, talvez por este não ser dado a fazer promessas mas sim a sublinhar compromissos para o futuro.

Também no Jornal i, predominam as criatividades. O título de uma notícia dizia: “Jerónimo de Sousa em terras perdidas para os comunistas”. E acrescentava “Campanha da CDU em Portalegre é uma batalha perdida”. O 2 deputados eleitos no Distrito excluem muitas pessoas que naquele desertificado Distrito não se reveêm no PS e no PSD. Mas esse raciocínio é demasiado profundo para uma qualquer Kátia Catulo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ao que chegou o PS!...(II)

O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde (dos jornais)

Será que Sócrates, de lobo-mau, virou lobo-marinho?

MAHLER - Adagietto, from Symphony No. 5 in C-Sharp Minor, 4th Movement

poesia

Para vós o meu canto...

-

Para vós o meu canto, companheiros da vida!

Vós, que tendes os olhos profundos e abertos,

vós, para quem não existe batalha perdida,

nem desmedida amargura,

nem aridez nos desertos;

vós, que modificais um leito dum rio;

- nos dias difíceis sem literatura,

penso em vós: e confio;

penso em mim e confio;

- para vós os meus versos, companheiros da vida!

Se canto os búzios, que falam dos clamores,

das pragas imensas lançadas ao mar

e da fome dos pescadores,

- penso em vós, companheiros,

que trazeis outros búzios para cantar...

Acuso as falas e os gestos inúteis;

aponto as ruas tristes da cidade

a crivo de bocejos as meninas fúteis...

Mas penso em vós e creio em vós, irmãos,

que trazeis ruas com outra claridade

e outro calor no apertar das mãos.

E vou convosco. - Definido e preciso,

erguido ao alto como um grito de guerra,

à espera do Dia de Juízo...

Que o Dia do Juízo

não é no céu... é na Terra!

-

Sidónio Muralha

terça-feira, 24 de maio de 2011

3º Festival Cantar Abril - Prémio José Afonso (tema original)



A Grande Final do 3º Festival Cantar Abril realizou-se no Teatro Municipal de Almada, dia 30 de Abril de 2011. O Prémio José Afonso (tema original) foi atribuído a Miguel Calhaz pelo tema "Estas Palavras".

um texto IMPORTANTISSIMO de IVO RAFAEL SILVA (em adargumentandum.wordpress.com)



Os “Agitadores (Hipócritas) de Facebook”

Duas ou três palavras a propósito desta iniciativa perfeitamente legal da CDU Coimbra. A pintura que se vê na fotografia foi feita nos degraus das escadas monumentais da cidade, inclusive na presença das autoridades, diligentemente chamadas ao local por sacrossantos benfeitores civis sempre muito atentos a “vandalismos”. E não havendo dúvidas sobre a legalidade de um acto consagrado na Constituição, é curioso aqui verificar como esses zelosos guardiões da aparência da cidade, se moveram hipocritamente no que mais e melhor conseguem fazer pelo propalado “civismo” e defesa “de monumentos históricos”: criar paginazinhas no Facebook.

Esses agitadores da treta, irritadinhos de circunstância, pés-de-chumbo da sociedade, cuja acção reivindicativa e sentido cívico não vai além de um “Like” numa rede social, mostram-se mais preocupados com um acto partidário legal e criativo, do que em contestar as políticas de miséria, a educação propineira ou a estratégia bolonhesa de ensino. Vai daí, no expoente máximo do seu modus operandi, resolveram criar as páginas “Denunciar a página da CDU Coimbra por Vandalismo” e “Obrigar a CDU a limpar as Escadas Monumentais“. E se dúvidas houvesse quanto à natureza destas acções, elas ficam imediatamente desfeitas através da leitura de alguns dos comentários em cada uma delas, onde entre insultos baratos e ódio latente, se vomita preconceito contra a CDU por todos os lados.

Só que ou a memória é fraca ou a hipocrisia não conhece limites. Eu aposto na segunda hipótese. As fotos que se seguem, ou melhor, as pinturas “vândalas” que retratam, não tiveram direito a páginas no Facebook, nem consta que nenhum dos “defensores do civismo” tivesse protestado na altura. Estes “agitadores” só aparecem agora, em campanha eleitoral, para que, a pretexto da estética, de moralismos bacocos e de uma ilegalidade que não existe, contrariar a liberdade de expressão denegrindo e insultando uma força política que, pelos vistos, lhes causa sérios incómodos.







A alguns dos irritados, particularmente aos estudantes, refiro que não é necessário inventar pretextos para atacar a CDU. Assumam lá o vosso prazer no pagamento de propinas, assumam a vossa aceitação do estado geral de precariedade, assumam a vossa concordância com os salários de miséria e com a ausência de perspectivas futuras de emprego. Ou seja, manifestem claramente a vossa posição a favor daquilo que a pintura contesta.
Agora, criem lá as vossas paginazinhas no Facebook! Mas atenção, não se percam nas horas… lembrem-se do part-time no MacDonalds ou na caixa do Pingo Doce que forçosamente têm de ter para pagar um ensino que, segundo a mesma constituição que permite estas pinturas, deveria ser “tendencialmente gratuito”.

A FARPA N.º 7 II SÉRIE



Ver edição em papel e em pcp-afarpa.blogspot.com

INICIATIVA




PCP organiza Festa do Marceneiro

O Sector Profissional do Mobiliário do PCP
vai realizar no próximo dia 29 de Maio (domingo, a partir das 15h) a Festa do Marceneiro, no Parque do Rio Ferreira, em Rebordosa.

Esta será a primeira edição mas, segundo o rebordense Bruno Santos, da JCP – Juventude Comunista Portuguesa, “é uma iniciativa que pretendemos que haja todos os anos numa freguesia ou concelho ligado ao sector do mobiliário. Por isso, se este ano é Rebordosa, para o ano pode ter lugar em Lordelo ou no concelho de Paços de Ferreira”. A Festa do Marceneiro terá uma forte componente lúdica, mas também uma componente política. Será mais uma iniciativa levada a efeito pelos comunistas que trabalham no sector do mobiliário.

Na verdade, esta organização do PCP tem já um percurso assinalável na defesa dos direitos laborais nas fábricas de móveis. Foi este sector que denunciou uma série de empresas que cometiam ilegalidades e atentados laborais ao ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho. Este organismo do Ministério do Trabalho realizou inspecções e obrigou as empresas a respeitarem a lei. Também os deputados comunistas à Assembleia da República eleitos pelo distrito do Porto, elaboraram requerimentos a exigir o respeito pelos direitos laborais em dezenas de empresas da região.

A par destas denúncias, com resultados vitoriosos para os trabalhadores, o PCP tem contactado directamente com os trabalhadores do mobiliário às portas das empresas, distribuindo documentos e escutando as suas reivindicações.
As zonas industriais de Lordelo e de Rebordosa e a fábrica do IKEA/Swedwood, sedeada em Paços de Ferreira, foram alguns dos locais visitados pelos dirigentes e activistas do PCP e da CDU.

De assinalar também o desfile inédito que Lordelo assistiu no passado Verão contra o PEC, promovido por esta organização comunista.

Segundo Paulo Macieira, um dos dirigentes comunistas envolvido nestas actividades, “nem sempre é fácil enfrentar os patrões retrógrados e prepotentes que pensam que são donos dos trabalhadores, mas tem valido a pena, pois não só temos resolvido problemas concretos dos trabalhadores como é a forma de cada vez mais o Partido fortalecer a ligação àqueles que quer defender – os trabalhadores.

Para Macieira, é imperioso continuar este trabalho junto dos operários e organizar os militantes comunistas neste sector. Também a Festa do Marceneiro é “uma forma de envolver os trabalhadores do mobiliário, as suas famílias e a população em geral para a necessidade de não se resignarem e lutarem pelos seus direitos”.

Esta iniciativa contará com a presença do candidato da CDU Jorge Machado, actual deputado à Assembleia da República.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

65daysofstatic - Come To Me

poesia





Bertold Brecht










a INSPIRAÇÃO em BERTOLD BRECHT, com a ACTUALIDADE de SÉRGIO RIBEIRO

Dizem terem-nos dado o direito de votar.
E, em troca, entregámos as nossas armas
(tudo!, até o que armas não era).
Eles fizeram-nos promessas,
e nós demos-lhe as nossas espingardas,
e a nossa confiança,
e as nossas poupanças em impostos tornadas… sem retorno.
(... e ainda lhes demos os votos que eles dizem ter-nos dado!)
E disseram-nos, solenes:
“os que quiserem poderão ajudar-nos,
a partir de hoje, nós teremos a dura tarefa de tomar as decisões,
e vocês farão tudo o resto… para nós”
.
Então,
assim nos deixámos enganar,
como tantas vezes na História…
e comportamo-nos como nos foi dito,
sossegados,
respeitadores,
veneradores e obrigados:
está tudo certo!
(até a chuva subir…
se for para cima que ela quiser cair
...)
E sempre, e em todos os lugares,
ouvimos dizer
que tudo está nos lugares devidos,
com as devidas dívidas e nada de indevidas dúvidas.
(Pensamento único dá muito jeito!)
Se um mal menor nós aguentamos até dele nos cansarmos,
logo nos será oferecida a prenda de um outro mal igual
ou de um outro mal tal-e-qual,
quando não de um outro mal maior
... ou menor, ou nem por isso.
Tanto faz como fez!
Só neste milénio terceiro da cristã era,
por aqui já convivemos uns mesitos com o beato Guterres,
que veio para não continuarmos a engolir o sapo Cavaco,
apanhámos, a seguir, com um durão Barroso,para não ter de suportar um ferro Rodrigues.
Mais perto, depois de termos aguentado um santana Lopes,
no lugar que sampaiamente lhe foi concedido e depois retirado,
entregámo-nos a um pragmatófilo e engenheirófobo Sócrates,
e aí tem andado ele,
de parceria com o mesmo Cavaco
de esquecida e má memória,
saltitando os dois
de cooperação estratégica em estratégica descooperação,
cá regressando, recuperados.à custa de alegres Soares e de sisudos Louçã(s),
e até dançando tangos com passos de Coelho.
Mas eis que a crise se instalou,
como foi previsto e prevenido foi,
e, depois de negada cá por casa,
logo a seguir passou a ter a culpa de tudo e mais alguma coisa.
Lépida e laparamente veio a alternância,
a alternância necessária para que nada se altere;
pela arreata dos banqueiros invadiu-nos, galopando, uma troika,
FMI-CEE-BCE (ió-ié), verdadeiros “reis magos” fora de prazo
para o beija-mão e o braço dado com a troika de cá,
os lusitanos 3 Mosqueteiros e o seu D’Artagnan de Boliqueime
Tudo em troikas e baldroikas
como se não houvesse senões de alternativas … nem eleições!
E aí estamos nós,
desarmados…
mas com as armas nossas que temos nas nossas mãos.
(… e, pasme-se, no entretanto a chuva nunca deixou de cair,
para baixo e não para cima,
sempre a (es)correr no sentido de sempre,
mais e mais a tombar lá do alto,
às vezes a cântaros, em doses colossais.)