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domingo, 7 de setembro de 2014

APENAS DOIS KM


O fecho da Escola Primária de Parada de Todeia constituiria um duro revés para a população, para os seus alunos e para quem coerentemente se bate contra políticas de austeridade e de diminuição dos recursos humanos na área da Educação e da sonegação da relação de proximidade entre as comunidades e os serviços públicos que as servem.

Claro que há os que não enxergam mais do que a possibilidade de agradar aos poderes instituídos, alinhados sempre com a estratégia que conduz á elitização e privatização do ensino. E portanto estão sempre disponíveis a dizer SIM quando os reais interesses dos seus vizinhos os deviam mobilizar a dizer NÃO.

Refere um deles (ainda por cima, natural de Parada de Todeia) que “os vários km de distância” entre a escola actual e a de Cete são “apenas dois”. Confortável e “precisa” opinião: são “apenas dois km”. Claro que esses dois km separam as escolas, não separam a habitação dos alunos da escola que frequentam agora e da que lhes impõem no futuro. Claro que esses dois km podem ser percorridos de automóvel particular, de transporte público ou a pé, ao sol ou à chuva, por caminhos rurais ou na Estrada Nacional, sozinhos ou acompanhados por avós debilitados ou por irmãos pouco mais velhos, em deslocações 1,2,3 ou 4 vezes por dia. São “apenas dois km”.

Imaginemos que um dia destes a CP eliminava o apeadeiro de Parada de Todeia, colocando como estação de acesso Cete ou Sobreira. Eram talvez “apenas dois km” a mais.  Apareceria logo alguém (ou o mesmo!) que alegaria para “acalmar” que as melhores “condições reais” das estações citadas justificariam a mudança…

São “apenas dois km”. São “apenas” setenta alunos. São “apenas apreensões educativas”.

“Algumas” (muitas) pessoas de Parada de Todeia têm o péssimo hábito de não quererem transportar outros, mais “inteligentes”, às suas costas, independentemente do “olhar”, verdadeiro ou não que se desfrute lá de cima. Sejam dois km ou dez centímetros.


CR 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

informação de uma luta justa


No dia 14 de Agosto de 2014, por convocação da Junta de Freguesia de Parada de Todeia, reuniu-se a população, nomeadamente muitos pais e encarregados de educação dos alunos inscritos para frequentar o ensino pré-primário e 1º, 2º,3.º e 4. Anos de escolaridade.  O assunto  era relativo ao impasse criado pela tentativa de encerramento da Escola da Lage em Parada de Todeia e transferência para o Centro Escolar de Cete. 

O salão de festas da Junta de Freguesia encheu para ouvir da parte do Executivo da Junta as informações devidas ao processo, como o envolvimento da Câmara de Paredes e troca de correspondência com Ministério da Educação e Ciência e Direcção Regional da Educação do Norte.

A Escola Primária de Parada de Todeia reúne todas as condições exigidas pelo Ministério. No ano lectivo de 2013/2014 funcionou com 78 alunos em 4 turmas em 4 salas de aula. Não tem turmas mistas, ou seja, mais do que um nível em cada sala de aula. Está bem localizada, com excelentes acessibilidades e até tem uma rua fidelizada. Recentemente foram feitos grandes investimentos. Tem mobiliário adequado e aquecimento central. Os recreios são cobertos, tem salas de conforto e biblioteca. Tem um refeitório que pode servir refeições a 100 crianças em simultâneo. Tem um polidesportivo com medidas oficiais com relvado sintético adequado a várias modalidades. Tem 4 balneários com água quente e um espaço de cerca de 1500 m2 completamente vedado onde as crianças podem exercitar aprendizagens ligadas a várias áreas temáticas.  

O que falta? Nada.

Em Parada de Todeia todas as crianças têm transporte assegurado pela Junta de Freguesia, da escola para casa e de casa para a escola, todos os dias, todo o ano lectivo.

O que falta?

Só espíritos cegos, loucos e dogmáticos ousam fechar a Escola. A população reunida apoiou a decisão da Junta de Freguesia e Assembleia de Freguesia de lutarem contra o encerramento. Aprovou por unanimidade dos presentes uma RESOLUÇÃO PELA MANUTENÇÃO. E manifestou a vontade de se concentrar junto á DREN no dia 27 de Agosto.
Na mesa da Reunião esteve presente Agostinho Pinto (Presidente da Junta), Sérgio Cunha (do Executivo da Junta) e Álvaro Pinto e Cristiano Ribeiro, eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Paredes.


CR

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

VISITA DE PAULA BAPTISTA Á ESCOLA SECUNDÁRIA DO MARCO

Como forma de contactar com as dificuldades sentidas na Escola Secundária do Marco de Canaveses, Paula Baptista, deputada do PCP na Assembleia da República visitou este estabelecimento de ensino na manhã de 27 de Janeiro.

Em reunião com a direcção da escola, e acompanhada por elementos da Comissão Política Concelhia marcoense, Paula Baptista inteirou-se da suspensão das obras bem como do funcionamento global da escola e, no final, apresentou algumas das conclusões retiradas deste encontro
(em A VERDADE)

Os alunos da Escola Secundária do Marco de Canaveses vão deixar de ter aulas na parte velha da escola, garantiu o Presidente da Parque Escolar. A comunidade exige o levantamento da suspensão das obras das novas instalações. A escola vai receber para já um conjunto de monoblocos.

CR

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

a escola de Crato

"Informamos os encarregados de educação que após a reunião de professores do Centro Escolar de ..., ficou decidido que os pais devem contribuir com um donativo de 5 Euros / período (ou quem quiser 15 Euros anuais) para ajudar a suportar algumas necessidades de material (manutenção da fotocopiadora, material de desgaste, etc).

O dinheiro deverá ser entregue ás representantes dos pais  ... ou á Sr.ª Professora ... "


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

educação - a prepotência nem sempre vence



O colégio de Baltar, em Paredes, que despediu dois professores por terem colocado no Facebook uma fotografia tirada dentro da escola teve de pagar uma indemnização compensatória pelo despedimento dos docentes. Os dois professores vão receber 32 mil euros livres de impostos pela ilicitude do despedimento e por danos morais.

sábado, 1 de dezembro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Recarei

A FAVELIZAÇAO DA VIA COLECTIVA – O CASO DE RECAREI

Há dias desloquei-me por razões profissionais ao complexo desportivo do Nun’Alvares de Recarei, sito ao lugar do Outeiro. Para quem não saiba, o lugar do Outeiro, está disposto em diferentes níveis de cota, e servido por um conjunto de ruas estreitas, onde a circulação automóvel é difícil. Naquele dia, uma avaria de uma viatura automóvel obrigava à sua deslocação a pulso em sentido ascendente. O caos estava instalado e mais ficou quando do alto surgiram os 2 veículos de transporte escolar: é que o Centro Escolar de Recarei fica junto ao complexo desportivo, no alto do monte. Melhor ou pior lá se resolveu o problema. Fica no entanto a dúvida: por que raios foram construir tais equipamentos sem criar uma via de acesso alternativa? Quem se responsabiliza por um eventual desastre, de tão instáveis infraestruturas? Sabe-se que nesses autocarros escolares são transportadas crianças dos anteriores JI de Recarei e Aguiar de Sousa. E é esse o nosso MEDO.

Perguntei e responderam-me: em Recarei ninguém cede ou vende terrenos para obras públicas. Não fiquei satisfeito.

E mais perplexo fiquei quando soube da última polémica: há quem queira dar ao Centro Escolar a designação “de Recarei e Aguiar de Sousa”. Um compromisso. Uma habilidade. Uma politiquice. Vai acabar por se chamar “Rota dos Móveis”, como tudo o que não é consensual em Paredes.

CR   

domingo, 14 de outubro de 2012

educação em Paredes

A escola EB1/JI da Redonda, na Madalena, Paredes, foi fechada a cadeado
na manhã desta segunda-feira. Na base deste protesto está o facto de, em
15 dias de aulas, os alunos do segundo ano já terem tido três professores.
Esta é uma situação que se arrasta deste o ano lectivo passado, durante o
 qual a mesma turma teve cinco docentes.
O Agrupamento de Escolas de Paredes garante que o problema ficará 
resolvido na quinta-feira, mas os pais prometem endurecer as tomadas de 
posição se tal não acontecer.

sábado, 22 de setembro de 2012

texto


FECHOU A ESCOLA EM GRIJÓ

Dantes ouviam-se as crianças a caminho da escola

e eram como pássaros de som nas manhãs de Grijó.

Não eram muitas, mas as vozes joviais

Davam sinal de que a aldeia resistia,

continha à distância o deserto que a ronda

 

Agora as crianças, todas as manhãs,

são acondicionadas como mercadorias

numa viatura com vocação de furgoneta.

Lembram judeus em vagões jota

a caminho de Auschwitz.

Vão aprender em terra estranha o que os seus pais

e os pais dos seus pais aprenderam em Grijó.

 

Só se voltam a ouvir ao fim da tarde

quando a viatura as despeja no largo da aldeia

como artigos que ficaram por vender.

Mas ouvem-se pouco, porque vêm cansadas.

Ouvem-se pouco e triste porque o seu dia

_que devia ser dia de Grijó_

foi deportado para outra terra onde

não se lhe firmam as raízes.

 

O senhor ministro das Finanças está contente

porque poupa meia dúzia de euros

com a violenta trasfega da infância.

 

Mas está triste Grijó, porque já não ouve

as suas aves da manhã a caminho da escola

_ e por isso pode dizer-se que a aldeia encolheu,

ficaram uns metros mais perto as areias de amanhã.

 

Caladas as vozes tagarelas das crianças,

nos dias de Grijó poucas mais se ouvem

do que as de alguns velhos que antecipam

em palavras raras, conformadas,

o dia em que o silêncio cobrirá com estrondo

o (des)povoado definitivamente.

 

O senhor ministro das Finanças terá poupado

mais alguns euros com a instalação

deste opressivo silêncio final,

 e ficará contente. Grijó não.

 

(A.M.Pires Cabral, em Cesto da Gávea, colaboração do autor em Repórter do Marão, de 12 de Setembro de 2012, reproduzido aqui contando com a sua benevolência e permissão)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"A normalização da anormalidade"

1. Eis uma história simples... O pai do Francisco morre inesperadamente e ninguém sabe como dar-lhe a terrível notícia. Até que surge um voluntário, o António, que, emboscando o Francisco à saída do trabalho, lhe diz: "Francisco, aconteceu uma tragédia, morreu a tua família toda!". O Francisco dá um grito sem som, e o António não espera mais: "Tem calma, pá, estou a brincar, não foi bem assim, morreu apenas o teu pai!". Com um ronco de alívio do tamanho da vida, o Francisco grita: "Ena, pá, que grande susto me pregaste, vamos mas é beber uns copos para festejar!".

2. É que há qualquer coisa que me está a escapar neste dia-a-dia em que fomos mergulhados. Leio no jornal que o governo decidiu o encerramento de mais 239 escolas do 1.º ciclo do ensino básico. Duzentas e trinta e nove escolas, por extenso, não haja confusões. Peço-vos que experimentem contar em voz alta de 1 até 239, e verificarão que no último terço da contagem a nossa voz começa a ficar entaramelada... Mas, tanto quanto o encerramento das escolas, incomodou-me – a acreditar nos jornais – a passividade com que ele foi aceite, por dirigentes das escolas, por docentes, por pais, por autarcas, com o extraordinário argumento de que, desta feita, tudo havia sido previamente acertado. Ora, estas 239 não constituem senão a última fatia – até agora – de um total de 3720 escolas encerradas desde 2005. Três mil setecentas e vinte! Contar em voz alta de 1 até 3720 deixa-nos seguramente sem fôlego – um reflexo fisiológico menor da brutalidade concretizada neste impiedoso e sistemático encerramento. Já nem falamos dos sérios inconvenientes que existem na substituição de uma escola humanizada, de pequena dimensão, próxima da família – tudo o que se recomenda, enfim, para crianças com estas idades –, por uma outra a quilómetros de distância, por vezes a muitos quilómetros, onde os alunos passam de pessoas a números, fruto de uma gestão cada vez menos pedagógica por força dos mega-agrupamentos.

3. O nosso país está a ser reduzido a duas faixas litorais: uma, a oeste, que se estende no sentido norte-sul, entre Viana do Castelo e Setúbal, com não mais de 40 km de profundidade, e uma outra, a sul, no Algarve, no sentido leste-oeste, com menos de 10 km de profundidade – não existem praias tão largas – e entregue à monocultura do turismo. (Devido à sua especificidade geográfica, não falo aqui da Madeira e dos Açores). Fora destas faixas, existem alguns enclaves: Évora, Viseu, Vila Real e, sem ofensa, pouco mais. Porque quando se encerram 3720 escolas, e esse encerramento é acompanhado pelo de maternidades, centros de saúde, valências hospitalares, tribunais, linhas de caminho de ferro, estações de correio, postos da GNR, esquadras de polícia – o que é que afinal está a ser encerrado? Ou, de outro modo, que país nos resta? Na definição de "país", até na componente estratégica da defesa, a ocupação do território é essencial – e nós não estamos a ocupar mais do que 30.000 dos 89.000 km2 do nosso território continental.

4. Ouço na televisão um sindicalista docente dizer, à saída de uma reunião com o Senhor Ministro da Educação e da Ciência: "Há possibilidades de não haver condições de sucesso para os alunos". Bem, eu sei que devemos ser cuidadosos com as palavras – mas tanto?!... Com as alterações curriculares, com o aumento do número de alunos por turma, com a constituição dos mega-agrupamentos, com o despedimento, no imediato ou a prazo, de milhares de professores (não dezenas de milhares, mas apenas [?] milhares), com a promessa feita pelo Ministério de que as melhores escolas (o que quer que isto queira dizer) poderão vir a contratar mais professores (quando qualquer pessoa de bom senso pensaria que, a existir essa possibilidade, ela se destinaria às escolas mais problemáticas), com a instabilidade e a insegurança instaladas na vida profissional, pessoal e familiar dos docentes por meio de uma brutal guerra contra eles desencadeada pelo Ministério, concretizada no bombardeamento das escolas com sucessivas e contraditórias orientações sobre a vinculação e os concursos – e não se diz mais do que "Há possibilidades de não haver condições de sucesso para os alunos"?!... Uma frase que é exactamente o mesmo que nada dizer.

5. A anormalidade já está normalizada?...

José Calçada (texto publicado no Público)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

as promessas de Mendes

A propósito de uma reportagem da RTP sobre o encerramento da Escola de Moinhos em Lordelo, Paredes, importa ter em atenção a partir do minuto 16 a opinião de pais, Associação de Pais e funcionários. São 352 crianças de Lordelo numa mesma escola, 1628 alunos do Básico e Jardim de Infancia em 5 centros escolares (a substituir 17 escolas).

ver http://www.rtp.pt/programa/tv/p1103/c88651

a "promessa" do Sr. Dr. Pedro Mendes, vice-presidente da Câmara:
"todas as crianças que estão a estudar em Paredes nos novos centros escolares têm um transporte dedicado e até mesmo (posso dizer) muito diferenciado porque quase que vamos buscar as crianças a casa"

sexta-feira, 8 de junho de 2012

a aplicação do memorando da troika em Paredes


A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) quer impedir que sejam criadas, já no próximo ano, novas turmas do 10º ano de escolaridade em Rebordosa e Lordelo. Caso a proposta da DREN seja implantada, os alunos de Rebordosa terão de frequentar o ensino secundário em Baltar e os de Lordelo em Vilela.

A revelação foi feita, na segunda-feira, por Honório Novo. No final de uma visita à EB 2,3 de Rebordosa, o deputado do PCP desvendou também que as cerca de 200 turmas dos Cursos de Educação e Formação (CEF) actualmente existentes no Vale do Sousa e Baixo Tâmega serão reduzidos a 22. "Vou perguntar ao Governo se acha isto razoável", prometeu.

Turmas dos cursos CEF reduzidas a 22

A visita à EB 2,3 de Rebordosa teve como pano de fundo a criação do mega-agrupamento escolar que já foi alvo de uma manifestação do povo rebordosense. Mega-agrupamento esse que Honório Novo critica severamente. "Em Julho de 2010, apresentámos um projecto de resolução para suspender os mega-agrupamentos. O PSD e o CDS votaram a favor, mas hoje a maioria está a fazer exactamente o que reprovou em 2010. Isto é exactamente o que o Governo de Sócrates propunha", afirmou.

Para Honório Novo, o único critério que sustenta esta reforma é o da "poupança através do despedimento de centenas de professores, funcionários e auxiliares administrativos". "O desnorte e o economicismo presidem hoje ao Ministério da Educação com uma intensidade nunca vista", acrescentou.

À saída de uma reunião com a direcção da escola rebordosense, o deputado comunista revelou dados que podem inflamar a comunidade escolar e civil nos próximos dias. "Foi-me comunicado pela direcção da escola que há uma proposta da DREN para que Rebordosa e Lordelo não tenham novas turmas do 10º ano de escolaridade em Setembro". Se a proposta for avante, explicou Honório Novo, os alunos de Rebordosa que quiserem seguir o ensino secundário terão de ir para a Escola de Baltar. Já os alunos de Lordelo vão para Vilela. "Isto é brincar com as pessoas. Parece que quem está a fazer os agrupamentos não está no mesmo andar de quem faz esta proposta", defendeu.

Na mesma altura, o deputado criticou a redução dos cursos CEF sugerida igualmente pela DREN. "Na região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega, estes cursos passarão de cerca de 200 para 22. E isto na sub-região mais pobre da Europa", evidenciou.

Segundo Honório Novo, todas estas alterações retirarão autonomia às escolas, aumentarão o abando escolar e afastarão os pais dos estabelecimentos de ensino.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ATITUDES E SOCIEDADE

O Ministério da Educação arquivou a queixa feita pelo pai de uma aluna contra uma educadora e contra a Escola Básica 2,3 António Bento Franco, da Ericeira por suposta violação do direito de liberdade de escolha por aí ser cantada uma versão da canção infantil «Atirei o pau ao gato», com o final alterado para «batata frita, viva o Benfica».

Após “investigação” (!), o Director da DRE de Lisboa concluiu que “não foram apurados factos (!) susceptíveis de indícios de infracção disciplinar” (dos jornais).

A queixa do encarregado de educação contém argumentação e factualidades que deveriam ter sido consideradas pelos intervenientes no processo educativo da escola da Ericeira (a educadora, os superiores hierárquicos, a tutela, os restantes pais), com o objectivo da sua correcção. Mas como sempre optou-se pela solução mais fácil, pela solução imbecil. A cantiga infantil deixou de ser cantada na sua totalidade e não foi reposta na sua versão devida. O encarregado de educação foi acusado de ser “fanático” e “conflitual” por não se contentar com o espírito prevalecente na escola, que se estende aliás a outras escolas de Mafra e Oeiras, e foi mesmo pressionado a retirar a filha da escola pública. Foi feita a contagem das opções clubistas, como se fosse o primado da maioria a legitimar ou não direitos e comportamentos da área da liberdade, de opção e de tolerância na escola pública no Portugal Democrático.

A impunidade e a apropriação indevida do espaço público ganharam mais alguns pontos. Há quem ache que “educar” é transmitir o “valor supremo” de se “ser” do Benfica, do Porto ou do Sporting. Independentemente dos conteúdos concretos analisados aqui, relembra-se que a escola pública tem regras que a colocam fora de critérios de exclusividade ou preferência em opções filosóficas, religiosas e estéticas.

Recentemente tive conhecimento de um problema grave no decurso de uma visita de estudo de um grupo de estudantes de uma escola da região. Também aqui houve um excesso de “liberalismo” na abordagem do expressar em público de opções clubísticas. A escola fica mal quando não sabe ou não quer impor a disciplina do convívio e da sã tolerância e se comporta como uma extensão diária de uma bancada fervorosa de claques incontroláveis.

O comentador desportivo João Govern foi dispensado pela direcção de informação da RTP, depois de ter sido filmado a festejar um golo na última edição do Programa Zona Mista, da RTP Informação (dos jornais).

CR

domingo, 11 de setembro de 2011

Camila Vallejo, uma protagonista da luta





Camila Vallejo tem 23 anos e é estudante do curso de Geografia, atuando há cinco anos na Juventude Comunista. Foi eleita presidente da Federação Estudantil da Universidade do Chile (Fech). Ela comanda as grandes mobilizações que há meses mantém em xeque o governo do presidente Sebastián Piñera, mostrando-se capaz de movimentar milhares de pessoas em protestos pelo centro de Santiago.

terça-feira, 24 de maio de 2011

um texto IMPORTANTISSIMO de IVO RAFAEL SILVA (em adargumentandum.wordpress.com)



Os “Agitadores (Hipócritas) de Facebook”

Duas ou três palavras a propósito desta iniciativa perfeitamente legal da CDU Coimbra. A pintura que se vê na fotografia foi feita nos degraus das escadas monumentais da cidade, inclusive na presença das autoridades, diligentemente chamadas ao local por sacrossantos benfeitores civis sempre muito atentos a “vandalismos”. E não havendo dúvidas sobre a legalidade de um acto consagrado na Constituição, é curioso aqui verificar como esses zelosos guardiões da aparência da cidade, se moveram hipocritamente no que mais e melhor conseguem fazer pelo propalado “civismo” e defesa “de monumentos históricos”: criar paginazinhas no Facebook.

Esses agitadores da treta, irritadinhos de circunstância, pés-de-chumbo da sociedade, cuja acção reivindicativa e sentido cívico não vai além de um “Like” numa rede social, mostram-se mais preocupados com um acto partidário legal e criativo, do que em contestar as políticas de miséria, a educação propineira ou a estratégia bolonhesa de ensino. Vai daí, no expoente máximo do seu modus operandi, resolveram criar as páginas “Denunciar a página da CDU Coimbra por Vandalismo” e “Obrigar a CDU a limpar as Escadas Monumentais“. E se dúvidas houvesse quanto à natureza destas acções, elas ficam imediatamente desfeitas através da leitura de alguns dos comentários em cada uma delas, onde entre insultos baratos e ódio latente, se vomita preconceito contra a CDU por todos os lados.

Só que ou a memória é fraca ou a hipocrisia não conhece limites. Eu aposto na segunda hipótese. As fotos que se seguem, ou melhor, as pinturas “vândalas” que retratam, não tiveram direito a páginas no Facebook, nem consta que nenhum dos “defensores do civismo” tivesse protestado na altura. Estes “agitadores” só aparecem agora, em campanha eleitoral, para que, a pretexto da estética, de moralismos bacocos e de uma ilegalidade que não existe, contrariar a liberdade de expressão denegrindo e insultando uma força política que, pelos vistos, lhes causa sérios incómodos.







A alguns dos irritados, particularmente aos estudantes, refiro que não é necessário inventar pretextos para atacar a CDU. Assumam lá o vosso prazer no pagamento de propinas, assumam a vossa aceitação do estado geral de precariedade, assumam a vossa concordância com os salários de miséria e com a ausência de perspectivas futuras de emprego. Ou seja, manifestem claramente a vossa posição a favor daquilo que a pintura contesta.
Agora, criem lá as vossas paginazinhas no Facebook! Mas atenção, não se percam nas horas… lembrem-se do part-time no MacDonalds ou na caixa do Pingo Doce que forçosamente têm de ter para pagar um ensino que, segundo a mesma constituição que permite estas pinturas, deveria ser “tendencialmente gratuito”.

quinta-feira, 19 de maio de 2011