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quinta-feira, 12 de abril de 2012

ATITUDES E SOCIEDADE

O Ministério da Educação arquivou a queixa feita pelo pai de uma aluna contra uma educadora e contra a Escola Básica 2,3 António Bento Franco, da Ericeira por suposta violação do direito de liberdade de escolha por aí ser cantada uma versão da canção infantil «Atirei o pau ao gato», com o final alterado para «batata frita, viva o Benfica».

Após “investigação” (!), o Director da DRE de Lisboa concluiu que “não foram apurados factos (!) susceptíveis de indícios de infracção disciplinar” (dos jornais).

A queixa do encarregado de educação contém argumentação e factualidades que deveriam ter sido consideradas pelos intervenientes no processo educativo da escola da Ericeira (a educadora, os superiores hierárquicos, a tutela, os restantes pais), com o objectivo da sua correcção. Mas como sempre optou-se pela solução mais fácil, pela solução imbecil. A cantiga infantil deixou de ser cantada na sua totalidade e não foi reposta na sua versão devida. O encarregado de educação foi acusado de ser “fanático” e “conflitual” por não se contentar com o espírito prevalecente na escola, que se estende aliás a outras escolas de Mafra e Oeiras, e foi mesmo pressionado a retirar a filha da escola pública. Foi feita a contagem das opções clubistas, como se fosse o primado da maioria a legitimar ou não direitos e comportamentos da área da liberdade, de opção e de tolerância na escola pública no Portugal Democrático.

A impunidade e a apropriação indevida do espaço público ganharam mais alguns pontos. Há quem ache que “educar” é transmitir o “valor supremo” de se “ser” do Benfica, do Porto ou do Sporting. Independentemente dos conteúdos concretos analisados aqui, relembra-se que a escola pública tem regras que a colocam fora de critérios de exclusividade ou preferência em opções filosóficas, religiosas e estéticas.

Recentemente tive conhecimento de um problema grave no decurso de uma visita de estudo de um grupo de estudantes de uma escola da região. Também aqui houve um excesso de “liberalismo” na abordagem do expressar em público de opções clubísticas. A escola fica mal quando não sabe ou não quer impor a disciplina do convívio e da sã tolerância e se comporta como uma extensão diária de uma bancada fervorosa de claques incontroláveis.

O comentador desportivo João Govern foi dispensado pela direcção de informação da RTP, depois de ter sido filmado a festejar um golo na última edição do Programa Zona Mista, da RTP Informação (dos jornais).

CR

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