A recente rescisão de contrato dos jogadores profissionais do União de Leiria ilustra a situação terminal da actual fase do capitalismo, na sua expressão lusitana e na área do desporto profissional.
O não cumprimento dos compromissos salariais por parte da administração de uma excrescência do desporto e do associativismo que se chama SAD desencadeia uma situação insustentável para profissionais e adultera as regras da competitividade entre clubes.
O Presidente da SAD, João Bartolomeu, é conhecido por ser um homem de interesses na noite leiriense. Depois de despedir o treinador Pedro Caixinha, foi Vítor Pontes. Chegou depois a vez de Manuel Cajuda, que regressou a Leiria, onde fez um bom trabalho.
Ali por Leiria chamam ao Presidente do clube "O Cigano", o que normalmente é dito em tom quase elogioso, reportando as suas qualidades negociais. Bartolomeu é uma das figuras do nosso futebol. Com um estilo a roçar o rústico, comanda um clube sem adeptos e que hoje nem em Leiria joga num estádio que custou milhões aos contribuintes portugueses, um desses estádios nascido com um Euro festejado com champanhe por José Sócrates e Carlos Cruz, hoje dois banidos da atualidade nacional, cada um pelas suas razões...
A verdade é que os anos passam, os treinadores também (e por vezes a grande velocidade) e ele continua firme e hirto. Inimputável.
O CAB Madeira desistiu das meias finais do play off da Liga de Basket por não ter financiamento para as deslocações ao Porto. O mesmo aconteceu com o Portosantense em hóquei em patins e ao Machico em voleibol. As gravíssimas restrições orçamentais que atingem a Região Autónoma da Madeira impõem tal medida, após o descalabro da gestão de Jardim, e das imposições da Troika.
A minha solidariedade para os atletas atingidos. O meu desprezo para figuras como Bartolomeu e Jardim, que mereciam permanecer por muito tempo á sombra dos serviços prisionais.
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