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terça-feira, 17 de abril de 2012
Nacionalização da petrolífera YPF na Argentina
Treme a burguesia espanhola. Já não bastavam as peripécias adstritas á Corte de Madrid, a que se juntam as desastrosas perfomances da economia, eis que Cristina Kirshner, Presidente da Argentina, acaba de anunciar a expropriação de 51 por cento da YPF, empresa petrolífera que está nas mãos da Repsol espanhola.
A chefe de Estado argentino justificou a expropriação pela falta de investimentos da filial e assegurou que, durante 2010, a Argentina se viu obrigada a importar combustíveis por quase 10 mil milhões de dólares. O Estado argentino pretende reassumir o controlo da petrolífera, cujo capital foi vendido a investidores privados em 1999, aquando da onda de privatizações lançada pelo então presidente, Carlos Menem. Durante as últimas semanas, vários governantes espanhóis lançaram várias ameaças e alertaram para as "consequências" de tal decisão. Uma notícia a acompanhar. Mas o que fez o neoliberal Menem, não é o que está a fazer o neoliberal Passos Coelho? Se o FMI levou a Argentina á bancarrota, não vai levar Portugal ao mesmo ponto de penúria?
Ao tomar a decisão, Cristina não deixou de recordar também que a Argentina era o único país da América do Sul que não controlava os seus recursos naturais. Uma gestão de equilíbrio dirão alguns, já que noutras partes se privatizam sectores importantes da economia dos respectivos países. Gestão de equilíbrios uma ova, roubo puro com a conivência dos traidores.
E para termos uma ideia da dimensão do roubo na Argentina bastará dizer que a Repsol obteve entre 1999 e 2011 um retorno de 16.492 milhões da YPF e cobrou em dividendos 13.246 milhões.
Adenda: Um representante do governo argentino entrou na sede da YPF e leu uma lista com nomes de funcionários a expulsar do edifício. Segundo o diário El País, vários foram forçados a arrumar os seus pertences e a sair para a rua.
Segunda Adenda: Um compungido Durão Barroso mostrou as dores da antiga colónia e dos seus serventuários, como se fosse um alto funcionário da Repsol. A União Europeia não passa de um projecto de integração económica de lógica capitalista, alguém tem dúvidas?
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