INICIATIVA DE "PAZ" EM TURISMO RURAL ALPINO
A Cimeira da Paz na Ucrânia realizada na
estância turística suíça foi a meu ver um fiasco previsível, atendendo às
circunstâncias e aos promotores. Foi previsível e foi lamentável. As circunstâncias
geradas incluíram o não-convite à Rússia, parte interessada, a ausência da
grande maioria dos países da ONU convidados (cerca de 160), o baixo nível da
representação de algumas delegações presentes, como a dos EUA, e o propósito
não escondido de prolongar a guerra. Da reunião, de positivo, ficaram só
imagens da bela paisagem rural local.
As conclusões estavam há muito pré-determinadas, sendo portanto resultado de uma manobra hipócrita das chancelarias ocidentais, com o beneplácito da Presidência Suíça, que se comportou como o cachorrinho merecedor de umas festinhas na testa…
Alguém afirmou que a realidade atual, do campo de batalha, neste junho de 2024, teria sacrificado as perspectivas iniciais. Talvez. É difícil antever uma vitória ocidental no espaço da Ucrânia. Mas não só.
A verdadeira Paz não passa pelo discurso simplista ou maniqueísta, devê-lo-iam saber todos. E nesse particular, a anfitriã Suíça, a neutral Suiça, desperdiçou um património anterior de autonomia estratégica e resvalou decididamente para a inutilidade diplomática. A recusa da paz negociada entre a Rússia e a Ucrânia não abre qualquer porta. A alternativa é a continuação da guerra, que não interessa a ninguém e especialmente à Ucrânia.
Dos líderes
ocidentais presentes, lamentavelmente só distinguiria Meloni, a Primeira-ministra
italiana, não por ser personalidade apresentável, mas por ser a única com
presente e algum futuro imediato. Os restantes, da Alemanha, França, Grã-Bretanha,
Canadá, Japão e Estados Unidos, são velhos poltrões, desprezados nos seus países,
com porta de saída da vida pública anunciada.
Das decisões desse
conclave, como se viu, nada ficará para a História. A encenação foi canhestra.
A fotografia oficial é elucidativa do compromisso (tal como a fotografia)
distante atingido. Até Portugal apareceu, em bicos dos pés, dando uma
verdadeira dimensão liliputiana da sua influência.
Apesar desta Cimeira ser uma inconsequente apreciação da guerra, sem estudo das
causas, das dinâmicas, sem avaliação das capacidades, numa apreciação unilateral
e no caso irrealista, desprezando o essencial, a paz é possível e desejável. A
Rússia, as comunidades russas existentes, no interior e no exterior, só pararão
quando virem respeitados os seus interesses vitais, a segurança colectiva
regional. A NATO e a Ordem Internacional vigente já o deveriam saber. Estender
armas nucleares para a fronteira russa é suicídio anunciado.
A guerra que nunca
deveria ter começado deve acabar.
CR