um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 29 de agosto de 2010

Até Amanhã, Camaradas - Filme de Joaquim Leitão



Portugal, 1944. Num país oprimido por uma ditadura retrógrada, servida por uma polícia política implacável (a PVDE), há quem resista e se organize para mobilizar o povo para a luta pelo pão e pela liberdade. Mesmo que isso lhe possa custar a prisão, torturas, ou até a vida. Pessoas como Vaz, Ramos, António e Paulo,militantes e funcionários do Partido Comunista, que desenvolvem a sua acção na clandestinidade, reorganizando o Partido nas zonas dos arredores de Lisboa e do ribatejo, ao mesmo tempo que preparam uma grande jornada de luta, com greves e marchas contra a fome. Esta série, adaptada da obra homónima de Manuel Tiago (pseudónimo de Álvaro Cunhal), mostra o dia-a-dia dessa luta clandestina, vivida por dentro, no terreno. Os seus personagens são um retrato dos homens e das mulheres que dedicaram as suas vidas a essa luta. Dos seus ideais, das suas paixões e dos seus sacrifícios. Dos que mostraram fraqueza e dos que deram a vida pelo que acreditavam.

Até Amanhã, Camaradas - Filme de Joaquim Leitão com António Alcântara, Pedro Alpiarça, Amélia Corôa, São José Correia, Carlos Curto, Juana Pereira da Silva, Pedro Efe, Cândido Ferreira, Ivo Ferreira, António Filipe, Sara Graça, Adriano Luz, Paula Só, Luís Soveral, Adelino Tavares, Francisco Tavares, Leonor Seixas, Gonçalo Waddington.

U2 - Wake Up Dead Man (Elevation Tour)

Há uma versão muito interessante da nossa Maria João / Mário Laginha

sábado, 28 de agosto de 2010

cumplicidade

Desabafo _ não quero ser cúmplice de uma política tenebrosa e acrescento:

"Coerente não parece ser a resposta dos autarcas da região ao encerramento das escolas básicas. São 75 as escolas previstas encerrar. Acomodados, sem voz, fingindo não ver as consequências, os executivos municipais expressam a mais completa incapacidade em resistir, em discutir, em pensar.
Aos sempre atentos e venerandos Presidentes de Câmara socialistas, juntam-se os venerandos e sempre atentos Presidentes da Câmara social-democratas. São iguais.
As Cartas Educativas são ultrapassadas nas suas projecções, nos compromissos negociados com o Governo, nos princípios que as determinam. Tudo passa, tudo convém, tudo é possivel para vereadores sedentos de protagonismo e vaidade. Que a informação não circule para os interessados, que importa, que a rede de transportes escolares não exista, que importa, que os orçamentos camarários futuros sejam um buraco negro, que importa! As crianças e o seu percurso/futuro escolar, a sua segurança, a sua tranquilidade, não interessam, as necessidades das famílias que se lixem, o que não abrir direito em Setembro, abre manco em Janeiro. Há sempre um contentor onde se pode fingir dar aulas.
A coerência é uma palavra linda. Mas não é para todos".

a dialética muito particular de Fazenda



Na última Convenção do Bloco, em 2009, os apoiantes da Moção C (minoritária) questionaram o provável apoio do BE a um candidato presidencial que também poderia ser apoiado por José Sócrates, o que se confirmou. Na altura, a resposta coube a Luís Fazenda, em nome da Moção A (maioritária). A resposta foi categórica e ficou registada em audio.

Afinal eles já "contaram" a todo o mundo...

Acrescento este texto "Bloco de quê?", muito bem escrito como sempre, em http://adargumentandum.wordpress.com/

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

All Angels Gone - (Stephen H.)



All Angels Gone é um grupo de post-rock francês e o tema (Stephen H.) é uma preciosidade que mostra como se esbatem as barreiras musicais.

ACTIVIDADE PARTIDÁRIA - Conferência de Imprensa de 27-8-2010

O VALE DO SOUSA E BAIXO TÂMEGA PERANTE UM GRAVE DESAFIO

O Governo decidiu o encerramento de 94 Escolas Básicas no distrito do Porto, 13% do total nacional das escolas a fechar. Acresce que segundo os dados disponibilizados pela DREN - Direcção Regional de Educação do Norte, este número corresponde a 10% do total de escolas básicas existentes na região.

Os 8 concelhos que compõem o Vale do Sousa e Baixo Tâmega (Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel) perdem desta forma 20% do total de escolas básicas existentes (são 75 as escolas previstas encerrar).

Estes números evidenciam o forte impacto negativo que é de esperar junto da vida de milhares de alunos e suas famílias, bem como no acentuar da desertificação das zonas mais periféricas.

A lógica economicista que preside a estas medidas decididas pelo Governo via Ministério da Educação nada tem a ver com os interesses dos alunos, das suas familias e dos concelhos abrangidos. Percebe-se assim a pressa da divulgação das escolas a encerrar, bem como a falsa negociação que a envolve com os interessados.

É revelador deste facto aliás, que o Governo decida encerrar escolas não previstas anteriormente, violando o que havia aprovado nas Cartas Educativas, como acontece em Paredes ou Marco de Canaveses, e que implicaram ou o deveriam ter feito, um período de discussão com a comunidade escolar, autarquias e DREN.

É revelador que ainda hoje não estejam decididas as transferências de alunos que frequentavam escolas a encerrar quando os Centros Escolares, destino final, não estejam prontos, como em Amarante (onde nenhum Centro Escolar iniciou sequer a construção), no Marco de Canaveses ou ainda em Penafiel.

A título de exemplo, atente-se no caso das escolas nas freguesias de Rio Mau e Sebolido, em Penafiel, cujo encerramento foi decidido sem que se perspective a conclusão do respectivo Centro Escolar antes de Janeiro/Fevereiro. Até ao momento a única informação dada à Associação de Pais (que aponta para manutenção das escolas em funcionamento até à abertura do Centro Escolar) foi prestada por professores e contradiz a informação prestada pela DREN, que especifica como sendo no distrito de Bragança os únicos casos em que o encerramento de escolas será adiado. Esta contradição, somada à falta de informação de fontes oficiais, é motivo para que subsistam justificadas dúvidas sobre o destino destas crianças.

É revelador que as questões relativas aos transportes de alunos, a rede, a segurança e custos, bem como o reflexo nas contas de gerência das Câmaras, não tenham sido ou acautelados ou objecto de negociação e concretização como se queixam os autarcas do Marco Canaveses, por exemplo. Em Telões (Amarante), fecham duas escolas (Freita e S. Braz) e a nova Escola – Escola Básica da Estradinha - dista 8 km das anteriores.

É revelador que em casos como Paredes não esteja pronto qualquer Centro Escolar previsto (Mouriz, Vilela ou Gandra) e se anuncie desde já o encerramento de 14 escolas. Em Mouriz, por exemplo, não está construído qualquer acesso digno, sendo completamente ridícula a antiga via rodoviária que o serve.

È revelador que os encargos financeiros assumidos pelas Câmaras com empréstimos bancários se apresentem como ruinosos e constituem um salto no escuro.

A Direcção Subregional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP vê com muita preocupação a presente situação e acusa o Governo e as autarquias envolvidas de procurar sacrificar o futuro estudantil da população escolar da região em nome de uma pretensa modernidade que só representa a estrita lógica economicista.

Não descurando a necessidade de novos equipamentos, e novas valências ao serviço da formação e sucesso educativo na Escola Pública, o PCP não pode calar a discordância com as soluções encontradas, com a irresponsabilidade que resulta de não haver condições claras de funcionamento das novas Escolas e com a desresponsabilização do Governo do funcionamento do sistema educativo.

Depois de finalmente ter sido tornada pública a lista de 701 escolas a encerrar a pretexto de um alegado “reordenamento” da rede escolar (75 das quais na região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega), a Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP denuncia os efeitos que esta medida terá no futuro educativo de milhares de jovens e crianças e suas famílias.

27.08.2010

A Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A INVENÇÃO DO AMOR - DANIEL FILIPE

A INVENÇÃO DO AMOR
Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e
detergentes na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa
esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração
e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
Embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem uma mulher um cartaz de denúncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta
fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique
Antes que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções paras os que auxiliarem os fugitivos

Chamem as tropas aquarteladas na província
convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos
Decrete-se a lei marcial com todas as suas consequências
O perigo justifica-o
Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade
É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los antes que seja demasiado tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas

Fechem as escolas
Sobretudo protejam as crianças da contaminação
Uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste
Inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo
Vai ser internado
e submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros. É absoIutamente vital que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que se fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade

Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio
das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas

Procurem os guardas dos antigos universos concentracionários
precisamos da sua experiência onde quer que se escondam
ao temor do castigo

Que todos estejam a postos
Vigilância é a palavra de ordem
Atenção ao homem e à mulher de que se fala nos cartazes
À mais ligeira dúvida não hesitem denunciem
Telefonem à polícia ao comissariado ao Governo Civil
não precisam de dar o nome e a morada
e garante-se que nenhuma perseguição será movida
nos casos em que a denúncia venha a verificar-se falsa

Organizem em cada bairro em cada rua em cada prédio
comissões de vigilância. Está em jogo a cidade o país a civilização do ocidente
esse homem e essa mulher têm de ser presos
mesmo que para isso tenhamos de recorrer às medidas mais drásticas


Por decisão governamental estão suspensas as liberdades individuais
a inviolabilidade do domicílio o habeas corpus o sigilo da correspondência
Em qualquer parte da cidade um homem e uma mulher amam-se ilegalmente
espreitam a rua pelo intervalo das persianas
beijam-se soluçam baixo e enfrentam a hostilidade nocturna
É preciso encontrá-los
É indispensável descobri-los
Escutem cuidadosamente a todas as portas antes de bater
É possível que cantem
Mas defendam-se de entender a sua voz
Alguém que os escutou
deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz
Lhe lembravam a infância
Campos verdes floridos Água simples correndo A brisa nas montanhas

Foi condenado à morte é evidente
É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo assim desprendia-se dele
um misterioso halo de uma felicidade incorrupta

Impõe-se sistematizar as buscas Não vale a pena procurá-los
nos campos de futebol no silêncio das igrejas nas boîtes com orquestra privativa
Não estarão nunca aí
Procurem-nos nas ruas suburbanas onde nada acontece
A identificação é fácil
Onde estiverem estará também pousado sobre a porta
um pássaro desconhecido e admirável ou florirá na soleira a mancha vegetal de uma flor luminosa
Será então aí
Engatilhem as armas invadam a casa disparem à queima roupa
Um tiro no coração de cada um
Vê-los-ão possivelmente dissolver-se no ar Mas estará completo o esconjuro
e podereis voltar alegremente para junto dos filhos da mulher

Mais ai de vós se sentirdes de súbito o desejo de deixar correr o pranto
Quer dizer que fostes contagiados Que estais também perdidos para nós
É preciso nesse caso ter coragem para desfechar na fronte o tiro indispensável
Não há outra saída A cidade o exige
Se um homem de repente interromper as pesquisas
e perguntar quem é e o que faz ali de armas na mão
já sabeis o que tendes a fazer Matai-o Amigo irmão que seja
matai-o Mesmo que tenha comido à vossa mesa e crescido a vosso lado
matai-o Talvez que ao enquadrá-lo na mira da espingarda
os seus olhos vos fitem com sobre-humana náusea
e deslizem depois numa tristeza líquida
até ao fim da noite Evitai o apelo a prece derradeira
um só golpe mortal misericordioso basta
para impor o silêncio secreto e inviolável

Procurem a mulher e o homem que num bar
de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo
que inventou o amor com carácter de urgência

Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua
No inquérito oficial atónito afirmou
que o homem e a mulher tinham estrelas na fronte
e caminhavam envoltos numa cortina de música
com gestos naturais alheios Crê-se que a situação vai atingir o climax
e a polícia poderá cumprir o seu dever

Um homem uma mulher um cartaz de denúncia
A voz do locutor definitiva nítida
Manchetes cor de sangue no rosto dos jornais

É PRECISO ENCONTRÁ-LOS ANTES QUE SEJA TARDE

Já não basta o silêncio a espera conivente o medo inexplicado
a vida igual a sempre conversas de negócios
esperanças de emprego contrabando de drogas aluguer de automóveis
Já não basta ficar frente ao copo vazio no café povoado
ou marinheiro em terra a afogar a distância
no corpo sem mistério da prostituta anónima
Algures no labirinto da cidade um homem e uma mulher
amam-se espreitam a rua pelo intervalo das persianas
constroem com urgência um universo do amor
E é preciso encontrá-los E é preciso encontrá-los

Importa perguntar em que rua se escondem
em que lugar oculto permanecem resistem
sonham meses futuros continentes à espera
Em que sombra se apagam em que suave e cúmplice
abrigo fraternal deixam correr o tempo
de sentidos cerrados ao estrépito das armas
Que mãos desconhecidas apertam as suas
no silêncio pressago da cidade inimiga

Onde quer que desfraldem o cântico sereno rasgam densos limites entre o dia e a noite E é preciso ir mais longe destruir para sempre o pecado da infância erguer muros de prisão em circulos fechados impor a violência a tirania o ódio

Entretanto das esquinas escorre em letras enormes
a denúncia total do homem e da mulher
que no bar em penumbra numa tarde de chuva
inventaram o amor com carácter de urgência

COMUNICADO GOVERNAMENTAL À IMPRENSA

Por diversas razões sabe-se que não deixaram a cidade o nosso sistema policial é óptimo estão vigiadas todas as saídas encerramos o aeroporto patrulhamos os cais há inspectores disfarçados em todas as gares de caminhos de ferro

É na cidade que é preciso procurá-los
incansavelmente sem desfalecimentos
Uma tarefa para um milhão de habitantes
todos são necessários
todos são necessários
Não sem preocupem com os gastos a Assembleia votou um crédito especial
e o ministro das Finanças
tem já prontas as bases de um novo imposto de Salvação Pública

Depois das seis da tarde é proibido circular
Avisa-se a população de que as forças da ordem
atirarão sem prevenir sobre quem quer que seja
depois daquela hora Esta madrugada por exemplo
uma patrulha da Guarda matou no Cais da Areia
um marinheiro grego que regressava ao seu navio

Quando chegaram junto dele acenou aos soldados
disse qualquer coisa em voz baixa e fechou os olhos e morreu
Tinha trinta anos e uma família à espera numa aldeia do Peloponeso
O cônsul tomou conhecimento da ocorrência e aceitou as desculpas
do Governo pelo engano cometido
Afinal tratava-se apenas de um marinheiro qualquer
Todos compreenderam que não era caso para um protesto diplomático
e depois o homem e a mulher que a policia procura
representam um perigo para nós e para a Grécia
para todos os países do hemisfério ocidental
Valem bem o sacrifício de um marinheiro anónimo
que regressava ao seu navio depois da hora estabelecida
sujo insignificante e porventura bêbado

SEGUE-SE UM PROGRAMA DE MÚSICA DE DANÇA

Divirtam-se atordoem-se mas não esqueçam o homem e a mulher
Escondidos em qualquer parte da cidade
Repete-se é indispensável encontrá-los
Um grupo de cidadãos de relevo ofereceu uma importante recompensa
destinada a quem prestar informações que levem à captura do casal fugitivo
Apela-se para o civismo de todos os habitantes
A questão está posta É preciso resoIvê-la para que a vida reentre na normalidade habitual
Investigamos nos arquivos Nada consta
Era um homem como qualquer outro
com um emprego de trinta e oito horas semanais
cinema aos sábados à noite
domingos sem programa
e gosto pelos livros de ficção cientifica
Os vizinhos nunca notaram nada de especial
vinha cedo para casa
não tinha televisão, deitava-se sobre a cama logo após o jantar
e adormecia sem esforço

Não voltou ao emprego o quarto está fechado
deixou em meio as «Crónicas marcianas» perdeu-se precipitadamente no labirinto da cidade
à saída do hotel numa tarde de chuva
O pouco que se sabe da mulher autoriza-nos a crer
que se trata de uma rapariga até aqui vulgar
Nenhum sinal característico nenhum hábito digno de nota
Gostava de gatos dizem Mas mesmo isso não é certo
Trabalhava numa fábrica de têxteis como secretária da gerência
era bem paga e tinha semana inglesa
passava as férias na Costa da Caparica.

Ninguém lhe conhecia uma aventura
Em quatro anos de emprego só faltou uma vez
quando o pai sofreu um colapso cardíaco
Não pedia empréstimos na Caixa
Usava saia e blusa
e um impermeável vermelho no dia em que desapareceu

Esperam por ela em casa: duas cartas de amigas o último número de uma revista de modas a boneca espanhola que lhe deram aos sete anos Ficou provado que não se conheciam Encontraram-se ocasionalmente num bar de hotel numa tarde de chuva sorriram inventaram o amor com carácter de urgência mergulharam cantando no coração da cidade


Importa descobri-los onde quer que se escondam antes que seja demasiado tarde e o amor como um rio inunde as alamedas praças becos calçadas quebrando nas esquinas

Já não podem escapar Foi tudo calculado
com rigores matemáticos Estabeleceu-se o cerco
A policia e o exército estão a postos Prevê-se
para breve a captura do casal fugitivo
(Mas um grito de esperança inconsequente vem
do fundo da noite envolver a cidade
au bout du chagrin une fenêtre ouverte
une fenêtre eclairée)


DANIEL FILIPE (1925-1964)
Poeta caboverdiano

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Jeff Buckley - Eternal Life (Live at Sin-é)



Jeff Buckley (17 de Novembro de 1966 —29 de Maio 1997) foi um cantor, compositor e guitarrista norte-americano. Era filho do mítico cantor Tim Buckley. Conhecido por seus dotes vocais, Buckley foi considerado pelos críticos umas das mais promissoras revelações musicais de sua época. Entretanto, Buckley morreu afogado enquanto nadava no rio Wolf, afluente do Rio Mississipi, em 1997. Seu trabalho e seu estilo único continuam sendo admirados por fãs, artistas e músicos no mundo todo. E este Eternal Live possui um carácter premonitório de um percurso tão precocemente interrompido.

A Guerra de 1908 - Raul Solnado e a "guerra de 2010" - Santos Silva

Quase todos conhecemos, ou pelo menos ouvimos falar, do histórico sketch humorístico de Solnado sobre a sua ida à “Guerra de 1908”. Foi representado numa Revista à Portuguesa e depois gravado em disco, no princípio da passada década de sessenta. Temos agora, em alternativa e numa versão para 2010, o sketch do Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, que só por pouco não seguiu a excelente sugestão do “Cravo de Abril”: informar “o inimigo” sobre as identidades, horas e locais de chegada à guerra dos nossos futuros “espiões” militares no Afeganistão e no Líbano.

O primeiro sketch, cimentou o estatuto de Solnado enquanto grande comediante; o segundo, cimenta o estatuto do Ministro, enquanto perfeito idiota!

Tendo a possibilidade de colocar aqui o Solnado, não vou perder mais tempo com a miserável (embora hilariante) imitação de Santos Silva.


(retirado de samuel-cantigueiro.blogspot.com)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Suite Alentejana Nº 1 (Fandango) de Luís de Freitas Branco



Neste vídeo podemos escutar o "Finale" (Fandango), 3º e último andamento da Suite Alentejana Nº 1 de Luís de Freitas Branco, numa interpretação da Orquestra Sinfónica do Estado Húngaro, sob a regência do maestro Gyula Németh. E as imagens do Alentejo para lhe dar conteúdo.

PINTURA - ALMADA NEGREIROS

Candidatura Comunista nas Eleições Presidencais de Janeiro de 2011



Francisco Lopes candidato à Presidência da República

Dando seguimento à decisão tomada na reunião do Comité Central, em Abril, o PCP avança com uma candidatura própria: Francisco Lopes, membro da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central foi anunciado como candidato à Presidência da República.

Nesta sua reunião de hoje, o Comité Central do PCP analisou os aspectos mais recentes da situação económica e social do país, bem como linhas essenciais da acção e iniciativa política do Partido para o próximo futuro. Debateu e decidiu da candidatura a apresentar pelo PCP às eleições presidenciais de Janeiro de 2011.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Keith Jarrett - Köln Concert - Part 1 (1 / 3)

Keith Jarrett - The Köln Concert Part1 (2 / 3)

Keith Jarrett - The Köln Concert Part 1 (3 / 3)

Para mim, o Concerto de Colónia de Keith Jarrett Parte 1 é a peça musical mais completa que conheço.

UMA CAUSA NOBRE

Salvemos a vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani!

Extractos da petição promovida pela A.I.
Ayatollah Sayed Ali Khamenei
Líder de la República Islámica de Irão

Excelência,

Dirijo-me a V. ex.ª para exprimir a minha grande preocupação pela situación de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mujer iraniana condenada en 2007 por adultério e que poderia ser ser executada en qualquer momento.


(...) Por tudo isso, lhe peço que:

- comute a pena de morte imposta a Sakineh Mohammadi Ashtiani, assegurando-se de que não seja executada nem mediante lapidação nem por nenhum outro método.

- reveja de maneira exaustiva o processo aberto contra Sakineh Mohammadi Ashtiani no caminho até à abolição total da pena de morte, e se declare uma suspensão das lapidações até que se promulgue uma lei que proiba inequívocamente tanto a lapidação como o uso da flagelação. Devem também despenalizar-se as relações sexuais consentidas entre adultos.

- se garanta que o filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, Sajjad Qaderzadeh, não seja objecto de hostilidade pelas manifestações que realizou preocupando-se pela vida de sua mãe.


Apelo: Assina a PETIÇÃO da Amnistia internacional em http://www.es.amnesty.org/actua/acciones/iran-lapidacion-mujer

Não caiamos no discurso desculpabilizador do multiculturalismo, nem absolvamos as práticas selvagens da teocracia iraniana. Em nome do anti-imperalismo e do nacionalismo, exijamos uma civilização moderna, de direitos individuais e respeito pela liberdade de consciência.

domingo, 22 de agosto de 2010

Tori Amos - Whole Lotta Love/ Thank you Live

a cantora norte-americana Tori Amos numa singular versão ao piano de dois temas dos Led Zeppelin

A MÃE




A peça "A MÃE" de Bertolt Brecht foi representada pela Comuna- Teatro de Pesquisa em 1978,com música de José Mário Branco. Foram 12 as canções da peça, cuja capa do álbum, reeditado em 1996, se reproduz acima bem como a letra de uma das canções.

As canseiras desta vida

As canseiras desta vida
tanta mãe envelhecida
a escovar
a escovar
a jaqueta carcomida
fica um farrapo a brilhar

Cozinheira que se esmera
faz a sopa de miséria
a contar
a contar
os tostões da minha féria
e a panela a protestar

Dás as voltas ao suor
fim do mês é dia 30
e a sexta é depois da quinta
sempre de mal a pior

E cada um se lamenta
que isto assim não pode ser
que esta vida não se aguenta
- o que é que se há-de fazer?

Corta a carne, corta o peixe
não há pão que o preço deixe
a poupar
a poupar
a notinha que se queixa
tão difícil de ganhar

Anda a mãe do passarinho
a acartar o pão pró ninho
a cansar
a cansar
com a lama do caminho
só se sabe lamentar

É mentira, é verdade
vai o tempo, vem a idade
a esticar
a esticar
a ilusão de liberdade
pra morrer sem acordar

É na morte ou é na vida
que está a chave escondida
do portão
do portão
deste beco sem saída
- qual será a solução?

Letra e música: José Mário Branco

A DISTÂNCIA





Diferentes observações da distância entre ricos e pobres, aqui no Brasil mas generalizáveis em muitos lugares...tão perto e afinal tão longe.

sábado, 21 de agosto de 2010

Á PROCURA DA COERÊNCIA PERDIDA

O Presidente Socialista da Câmara de Castelo de Paiva Gonçalo Rocha mostrou-se indignado (TVS, de 16 de Julho de 2010) com a falta de médicos no SAP de Castelo de Paiva num fim de semana de Julho em que decorreu na Vila uma Feira de Vinho Verde. E atribuiu tal falta a uma “irresponsabilidade” da direcção do ACES do Tâmega Sul que tutela esse SAP. Mais, afirmou pretender apresentar ao Secretário de Estado da Saúde um voto de desconfiança na referida direcção, com vista á mudança de responsabilidades nessa função.
Alega o referido Presidente que com garrafas, vidros e álcool o referido evento criaria um contexto de risco, que aliada á falta de ligações directas rápidas aos Hospitais de referência (Santa Maria da Feira e Penafiel), tornaram a situação potencialmente grave.

Desconhece o voluntarioso Presidente socialista que não houve interessados extra em assegurar o referido SAP nesses dias, apesar da proposta ter circulado nos serviços de saúde da região. Preocupado com os cortes e outras lesões físicas, o presidente socilista deveria ter em conta outros “cortes”, os orçamentais, mais graves, nomeadamene do pagamento de horas extraordinárias, a que direcções dos serviços de saúde locais e os prestadores de serviços se sujeitam, por causa das orientações do PEC do seu Governo.
Desconhece igualmente que as dificuldades de acesso de Castelo de Paiva aos Hospitais de referência resultam também da manutensão das vias existentes, a que não é alheia a suspensão de obras entretanto decidida pelo seu Governo, afectando até as condições de atractibilidade de Castelo de Paiva para os mesmos prestadores.

Conclui-se que o Presidente da Câmara de Castelo de Paiva experimenta o veneno que por aí Sócrates e companhia têm vinculado. E o respeito pela Directora Executiva do ACES, igualmente socialista, o deveria ter limitado nos seus impulsos populistas. Passada a Feira do Vinho Verde , deverá acordar para a realidade. Com coerência.

Cristiano Ribeiro

Pink Floyd - Atom Heart Mother [1/4] (Alunos do conservatório de Paris)

Pink Floyd - Atom Heart Mother [2/4] (Alunos do conservatório de Paris)

Pink Floyd - Atom Heart Mother [3/4] (Alunos do conservatório de Paris)

Pink Floyd - Atom Heart Mother [4/4] (Alunos do conservatório de Paris)

VERSÃO VIDEO EM 4 PARTES DE ATOM HEART MOTHER DE PINK FLOYD, PELOS ALUNOS DO CONSERVATÓRIO DE PARIS

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

LUTO / LUTA PELAS ESCOLAS

Lista das Escolas Básicas a encerrar em Paredes por decisão do Ministério da Educação e a conivência da Câmara do Sr. Dr. Celso Ferreira

Escolas da Cunha, Noval e Calvário - Vilela
Escolas de Gandra da Moreira, Vilarinho de Cima, Vilarinho de Baixo, Moreiró, Granja, e
Trás-A-Vessada - Gandra
Escola de Astromil - Astromil
Escola da Insuela - Besteiros
Escola de Soutelo e Lourosa (Bairro) - Mouriz
Escola de Olho de Mouro- Vila Cova de Carros

Governo soma crise à crise encerrando 10% das Escolas Básicas do distrito do Porto

Depois de finalmente ter sido tornada pública a lista de 701 escolas a encerrar a pretexto de um alegado “reordenamento” da rede escolar, a DORP do PCP viu confirmada a justeza das suas preocupações.

Este processo tem sido conduzido pelo Governo de acordo com uma lógica estritamente economicista e em total desrespeito pelo futuro educativo de milhares de jovens e crianças.

O Governo decidiu o encerramento de 94 Escolas Básicas no distrito do Porto, 13% do total nacional das escolas a fechar. Acresce que segundo os dados disponibilizados pela DREN - Direcção Regional de Educação do Norte, este número corresponde a 10% do total de escolas básicas existentes na região.

Trata-se de uma situação particularmente grave nos 8 concelhos que compõem o Vale do Sousa e Baixo Tâmega (Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel) que perdem desta forma 20% do total de escolas básicas existentes (são 75 as escolas previstas encerrar).

Estes números evidenciam o forte impacto negativo que é de esperar junto de milhares de alunos que ficam assim com o seu percurso escolar comprometido, de inúmeras famílias que serão directamente afectadas. Também não deve ser ignorado o contributo que esta medida dará para o acentuar da desertificação das zonas mais rurais.
O Governo decidiu “cortar a direito”, sem atender às especificidades de cada escola e comunidade. Esta decisão decorre de uma estratégia profundamente errada, que relega para segundo plano o sucesso real das aprendizagens, privilegiando as preocupações estatísticas e financeiras.
Com esta medida o Governo vem somar “crise à crise”. Numa das regiões do país mais afectadas pelo desemprego, pela precariedade, pelos baixos salários e pela pobreza, o PS decide encerrar mais serviços públicos fundamentais.
A DORP do PCP exige a suspensão imediata deste processo e apela à mobilização das populações, de pais e encarregados de educação e forças vivas dos concelhos afectados na defesa da Escola Pública.

20.08.2010
O Gabinete de Imprensa da DORP do PCP

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

TARRAFAL E A VELHA HISTÓRIA DA FILHA-DA-PUTICE

Um jornalista cabo-verdiano lançou um livro sobre o campo de concentração do Tarrafal. "Tarrafal - Chão Bom. Memórias e Verdades", assim se chama o livro: dois volumes, mais de 600 páginas, a partir de entrevistas com 45 ex-presos do campo, editado pelo Instituto de Investigação e do Património Culturais de Cabo Verde.
Criado em 1936, o “campo da morte lenta" (como ficou conhecido) começou por receber antifascistas portugueses, sobretudo comunistas e anarquistas. No total foram 340, dos quais aí viriam a morrer 10% - incluindo o secretário-geral do PCP, Bento Gonçalves, e Mário Castelhano, líder da central sindical anarcosindicalista, CGT.
Encerrado por pressão internacional após a Segunda Guerra Mundial, foi reaberto em 1962, por ordem do então ministro do Ultramar, Adriano Moreira, destinado a militantes dos movimentos de libertação de Angola, Guiné e Cabo Verde.

O já conhecido José Pedro Castanheira, jornalista do Expresso, chamou a terreiro tal livro recente e dele extraiu a notícia de que fez título: o campo teria sido visitado por duas vezes pela Cruz Vermelha Internacional (quando?), que, segundo o relato do agente da PIDE/DGS que os acompanhou, se mostraram "espantados com as condições encontradas". De acordo com o mesmo relato, um dos emissários da Cruz Vermelha comentou mesmo que o Tarrafal "não era uma prisão mas sim um paraíso" (!).
Os responsáveis da Cruz Vermelha teriam ficado especialmente surpreendidos com "as idas semanais ao mar dos presos, as sessões de cinema, a biblioteca, as consultas ao Hospital da Praia, a possibilidade de estudar e fazer exames".
Nesta fase, e até ao 25 de Abril de 1974, estiveram no Tarrafal cerca de 230 nacionalistas africanos, tendo alguns falecido mas por razões que o autor não imputa directamente às condições carcerárias (!)Relevo entre os tarrafalistas para quatro escritores angolanos, todos do MPLA, que ali cumpriram pesadíssimas penas de prisão: Luandino Vieira, Mendes de Carvalho, António Cardoso e António Jacinto. Quase toda a obra de Luandino Vieira, posterior ao célebre "Luuanda", foi escrita na prisão, tendo conseguido fazer sair clandestinamente os respetivos manuscritos.

O Sr. Castanheira persiste no seu nojento trabalho de formiga. Não se tem poupado a esforços para tentar ilibar a PIDE e o regime colonial do assassinato de Amílcar Cabral. As suas investidas no Tarrafal têm o mesmo objectivo:descredibilizar a verdade histórica, e os testemunhos dos seus protagonistas /heróis. Ausentes as declarações dos presos vivos constantes do livro, ausentes os testemunhos dos guardas da prisão, ele procura convencer-nos de que o autor do livro acredita na tese do Tarrafal como “paraíso”, versão PIDE ou delegação da Cruz Vermelha Internacional. .
O fascismo assim branqueado nunca matou, nunca torturou, a frigideira nunca existiu, as celas nunca existiram, a própria morte não passava da desistência da vida. E até os FdP podem ser jornalistas.

saxon shore - marked with the knowledge

Grande instrumental dos Saxon Shore. E o video comercial da Sony (publicidade gratuita...) o que prova que algumas multinacionais têm bom gosto ah ah ah ah

Sony Tumble Spot - Saxon Shore "Marked With The Knowledge"

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

DA LEITURA - REFLEXÃO

DA LEITURA DO LIVRO “TEXTOS POLÉMICOS” (1971) – Organização e Prefácio de Zeferino Coelho, Edição Cruz dos Santos

O livro “Maio e a crise da civilização burguesa” foi escrito em 1970 pelo historiador António José Saraiva (e publicado em Edições Europa-América). Consiste em um diário, três ensaios e um posfácio, com três anotações. O polémico texto renegava teses fundamentais apresentadas anteriormente, nomeadamente em 1960 pelo mesmo autor (como em Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes).
Viveu AJ Saraiva em Paris desde 1960, como Investigador do Departamento de História Moderna do CNRS e assim assistiu á crise de 1968 em França, embora se diga como “observador marginal”. “Maio e a crise da civilização burguesa” nasce neste contexto, e é classificado por Zeferino Coelho, no seu texto, de um “cadáver pedante superfinamente enroupado segundo o dernier cri”.
É a discussão do percurso desse pensamento, que expressa paixão, ressabiamento e até uma autoflagelação quase mística, a que nos aparece em obra que reune textos críticos de outros intelectuais (Daniel G. Pinho, Jofre Amaral Nogueira, José Pacheco Pereira, Mário Sottomayor Cardia e do próprio Zeferino Coelho), publicados em 1971 com o título de “Textos Polémicos”.
A reflexão de AJSaraiva pressupunha em 1960 a “dissecação do mito do inimigo reputado principal”, o sistema politico económico e social de então. Apresentava então conceitos fundamentais como “esquerda” e “direita” como “coordenadas de orientação, exigidas pelo instinto”. Existia nessa reflexão uma diferenciação entre os que tinham direitos politicos, sindicais e culturais, e possuem bens / riqueza e eram sujeitos da vida politica e os que não tendo eram mero objecto da mesma vida politica. Senhores e servos, assim expressos, servidões naturais e sociais, assim identificadas.
Presidia nela uma análise marxista, objectiva, progressista da sociedade. Nesta era possível descortinar as limitações da lógica do lucro, perante as espectativas crescentes (e necessidades) dos sectores menos qualificados e sem bens, a luta pelo usufruto de bens sociais, as “paixões”.
Assinalavam-se historicamente os momentos de crise como o ascenso de regimes fascistas na Europa como resultantes da crise económica de classe média. Interrogava-se o carácter progressista da burguesia perante o ascenso da classe operária nos países industrializados e não só.
Assinalavam-se as vantagens da instrução pública como factor de libertação e emancipação social (contra a “inevitabilidade da miséria”, ou o “determinismo social do berço”) e de valorização de uma nação.
Reafirma-ve o direito natural à posse do fruto do trabalho e à igualdade de “oportunidades sociais”. Salientava-se a solidariedade como caracteristica progressista. Era 1960.


Mas com “Maio e a crise da civilização burguesa” há um refazer da teoria social, um revisionismo que é conformismo e abdicação, uma mudança de armas de intervenção social. AJSaraiva encontra a sua Estrada de Damasco, uma amálgama doutrinária, que justifica pela “experiência” em contraponto á anterior via doutrinária. Os modelos de análise substituem a realidade ou a tentam conformar.
A crise que em AJS nos é proposta analisar não é a de uma classe social ( a burguesia) ou do capitalismo de finais de 60, e também não é a crise da inserção de um grupo social nas relações de produção existentes. A crise para AJSaraiva é de uma mentalidade dita “burguesa” de uma “classe média”, a seu ver “massa única, homogénea”, em expansão.
Há a tentativa de abolir as classes, eliminando o proletariado que de “multidão enigmática” do século XIX passa a “multidão pacata” no século XX, caminhando para o seu desaparecimento. Não há mais explorados! proclama AJ Saraiva. Resta uma “ampla burguesia”, o campesinato, as “massas estudantis”, certos “intelectuais, o lumpen-proletariado...
A Escola segundo AJS teria fornecido conhecimentos ás massas trabalhadoras mas também teria provocado a assimilação de valores (“burgueses”, claro!). Não teria sido só ela. A própria Revolução Industrial teria integrado na cultura dominante, “burguesa”, os deslocados do campo, assim assimilados, após o desenraízamento dos seus valores. A cidade assimila.. e assim afasta a revolução! AJ Saraiva dixit.
Nega-se a conciência histórica como aceleradora da História e inventa-se outras dimensões para negar o progresso material como resultado da ciência ao serviço da possibilidade de transformar o mundo. Proclama-se a suprema virtualidade para um mundo melhor de uma “mudança espiritual” num idealismo que sente o Homem como único e excepcional .
Inventa AJ Saraiva um capitalista parasitário que só recebe os juros do capital e que geraria cada vez menos a empresa, e um capital de dinâmica subjectiva, não respondendo a lógicas e a principios.

( a continuar...)

poema

Problemas do subdesenvolvimento (cultural)

Monsieur Dupont chama-te inculto,
porque ignoras qual era o neto
preferido de Victor Hugo.

Herr Müller pôs-se aos berros,
porque não sabes o dia
(exacto) em que morreu Bismark.

Teu amigo Mr. Smith,
inglês ou ianque, não sei...,
irrita-se quando escreves shell.
(Parece que apagas um ele,
e, além disso, pronuncias chel.)

Bom... e depois?
Quando for a tua vez,
manda-os dizer otorrinolaringologista
pergunta-lhes o que fica para lá do Marão,
se sabem onde desagua o Guadiana,
e em que lugar deste planeta
morreu Bento Gonçalves.

Ah!... e um favor:
que te falem sempre em português

Poema de Nicolas Guillén, poeta cubano 1902-1989, traduzido e “adaptado” por Sérgio Ribeiro
(em anónimo século xxi)

da leitura da blogosfera, com nojo



Ex-soldado israelita põe fotos com prisioneiros no Facebook

Eden Aberyl, antiga soldado israelita, colocou no Facebook fotos onde posa sorridente rodeada de prisioneiros palestinianos vendados e de mãos atadas. "Exército: Os melhores dias da minha vida" foi o título dado por Eden Aberyl às fotografias tiradas durante o serviço militar obrigatório que a antiga soldado israelita colocou na sua página do Facebook.
O caso já suscitou vivas críticas quer por parte da Autoridade Palestiniana, quer do próprio exército de israel. "Não fiz nada de errado. Não há violência ou intenção de humilhar quem quer que seja nas fotografias", disse hoje ao fim da manhã Eden Aberyl, de 26 anos de idade, numa entevista à Rádio do Exército.
Eden Aberyl confessou-se surpreendida com a polémica gerada pela fotos e disse ter sido ameaçada de morte depois do caso se ter tornado público.
Tiradas em 2008 numa base perto de Gaza, as fotografias estão a provocar grande polémica em Israel. A página do Facebook foi entretanto retirada depois de ter estado acessível durante algumas semanas.
As fotografias "mostram a mentalidade do ocupante, orgulhoso de humilhar os palestinianos", disse o porta-voz da Autoridade Palestiniana, Ghassan Khabib. "Não há nada que possa justificar esta humilhação, que faz parte das práticas diárias da ocupação israelita".
"É um comportamento vergonhoso por parte da soldado", disse, em comunicado, um porta-voz do exército israelita. O caso será investigado pelas autoridades militares embora Eden Aberyl tenha passado à disponibilidade há cerca de um ano, ficando por isso fora do alcance da Justiça militar.

(em Expresso on line)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Fado triste - Vitorino & Elba Ramalho



FADO TRISTE

Vai ó sol poente
vai e não voltes
sem trazer no primeiro raio
notícias de quem se foi
Numa madrugada amarga e triste
um navio de proa em riste
levou tudo o que eu guardei

Na caixa escondida dos afectos
no lembrar dos objectos
que enfeitavam o meu quarto
Tudo perde a cor a forma o cheiro
ficaram só coisas esquecidas
da importância que tiveram

Volto sempre ao rio
às sextas feiras p'ra lembrar
dias descuidados noites à toa
Espero que o navio sempre queira
trazer de volta o sussurro
dos teus passos
numa rua de Lisboa.

O INCONCEBÍVEL RETROCESSO NO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

É sobejamente conhecido que Portugal tem taxas de acesso ao ensino superior que estão muito aquém das que se verificam, não apenas na generalidade dos países da União Europeia, mas mesmo em países que são considerados como menos desenvolvidos. Impunha-se por isso um grande esforço do Estado português no apoio ao acesso ao ensino superior por parte dos jovens portugueses, em nome da superação do atraso nacional e a bem das possibilidades de acesso a emprego qualificado por parte das gerações futuras.

Fez-se precisamente o contrário. As propinas no ensino superior público, que meados dos anos noventa tinham um valor simbólico, estão hoje acima dos 900 euros anuais. Isto nas licenciaturas e nos mestrados integrados, já que nos mestrados não integrados as propinas ascendem a milhares de euros anuais. Acresce que o famigerado processo de Bolonha se encarregou de desgraduar as licenciaturas, fazendo com que a habilitação exigida para o acesso a profissões qualificadas seja o mestrado.

Não tenho qualquer dúvida que existe hoje uma grave selecção económica no acesso ao ensino superior. Basta olhar para a média salarial praticada em Portugal e para o crescente empobrecimento do extracto social a que se convencionou chamar “classe média” para perceber que grande parte das famílias portuguesas não tem condições económicas para que os seus jovens frequentem o ensino superior público, e por maioria de razão, privado.

Dizia hipocritamente o ministro Mariano Gago que o problema se resolvia por via da concessão de bolsas de estudo aos jovens de famílias carenciadas para que pudessem frequentar o ensino superior. Demagogia. É mais que sabido que as condições de acesso a bolsas são de tal modo restritivas que deixam de fora amplas camadas da população que vivem com sérias dificuldades económicas. E para piorar as coisas, vem agora o PEC retirar as bolsas de estudo a 20 % dos actuais beneficiários.

Portugal, os jovens portugueses do presente, e as gerações futuras, vão pagar muito caro o retrocesso inconcebível que a doutrina neoliberal posta em prática pelos Governos PS/PSD/CDS impôs ao nosso país em matéria de ensino superior. A menos que esta política seja travada. A menos que o acesso à formação superior deixe de ser considerada como um privilégio individual de alguns privilegiados e volte a ser encarada como um desígnio estratégico para o desenvolvimento económico, social e cultural de Portugal.

(em Caderno de Apontamentos - Blog da António Filipe - Deputado do PCP)

domingo, 15 de agosto de 2010

OPINIÃO

DA ESCOLA AO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

José Henriques Soares na última edição de O Verdadeiro Olhar surpreende-nos com um artigo sobre Educação, cujo conteúdo não desdenhariamos subscrever.
Sublinhe-se o registo histórico feito da evolução das escolas na Finlândia, Reino Unido e Estados Unidos da América para centros de menor dimensão, evitando assim, a sobrelotação. Esta orientação é completamente discordante do trilho de Maria Lurdes Rodrigues/ Isabel Alçada / Celso Ferreira.
José Henriques Soares, certamente com o conhecimento resultante de ter sido Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara de Paredes, no anterior mandato, fala da Carta Educativa de Paredes e do contexto que presidiu á sua elaboração. E aqui as revelações são transcendentes, embora as dúvidas há muito tempo que pairam nos espíritos: o pagamento foi a “peso de ouro” tanto à empresa que elaborou o documento como ao arquitecto que projectou os equipamentos.
E os alertas de Henriques continuam, tanto para as deslocações de autocarros em crianças tão jovens, como para a segurança assim tão sacrificada,como para a exposição ás contingências do tempo, como para as horas retiradas ao sono e ao lazer, para uma concentração que não é condição de resultados de excelência. Bem pelo contrário.
Chamar “campo de concentração” ao grandes centros escolares é excessivo. Mas para ouvir uma orientação discordante, que possa influenciar a decisão política, nunca é tarde. Os que não quiseram ou souberam ouvir a CDU de Paredes têm uma oportunidade de ouvir o mesmo pela boca do PSD.

To Our Children's Children's Children

Em 1969, a 5ª missão tripulada do Programa Apollo, a Apollo 11, permitiu que o primeiro Homem pusesse a pé na Lua. Neil Amstrong e Edwin Aldrin transformaram o sonho em realidade. Em 1969 foi publicado um álbum dos The Moody Blues intitulado "To our children's children's children". O video expressa a feliz coincidência de 1969, a viagem espacial e a viagem pelas três primeiras faixas (Higher and higher, Eyes of a child, Floating) do álbum dos The Moody Blues.

sábado, 14 de agosto de 2010

Maria João & Mário Laginha - Beatriz

um tema de Edu Lobo /Chico Buarque de Holanda na interpretação de Maria João & Mário Laginha

um vídeo fabuloso

GRIPE

A pandemia da Gripe A acabou. A declaração é da Organização Mundial de Saúde, que suspendeu a fase 6 de alerta da pandemia de gripe. Desde Abril de 2009, teria havido em Portugal 1 milhão de casos, 1436 internamentos e 124 casos mortais.
A infeção humana do vírus H1N1 despertou preocupação, mobilizou recursos extraordinários e criou cenários hipotéticos que felizmente não se concretizaram.
Dúvidas persistem sobre se não terá havido um alarmismo desnecessário, se não terá havido um condicionamento das autoridades de saúde á lógica empresarial das multinacionais do medicamento, se certezas científicas não são senão conjunturais correntes de opinião maioritárias.
Mas com esta ameaça de epidemia da gripe á escala mundial criou-se uma maior responsabilidade de todo o cidadão, baseado na sensibilização correcta e na informação recebida, alheios os factores económicos que certamente existirão no futuro.

cartoon


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ennio Morricone, "The Ballad Of Sacco And Vanzetti", Warsaw



Ennio Morricone - Concerto em Varsóvia. "The Ballad Of Sacco And Vanzetti" - canta Dulce Pontes

basta fazer as contas

BASTA FAZER AS CONTAS

No ano de 2008, havia em Portugal 10 400 milionários (indivíduos com fortunas superiores a um milhão de dólares).

No ano de 2009, esse número subiu para 11 000 - mais 600, portanto, o que corresponde a um aumento de 5,5%.

Assim sendo, também o número de pobres vai aumentando: segundo a Eurostat, existem em Portugal cerca de 2,5 milhões de pobres, dos quais mais de 200 mil em situação de miséria extrema.

Posto isto, basta fazer as contas e encontraremos a resposta à pergunta formulada há mais de um século por Almeida Garrett:

«E eu pergunto aos economistas, aos políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria (...) para produzir um rico?»

(em cravodeabril.blogspot.com)

história da História


A fotografia mais reproduzida em todo o mundo, a do revolucionário Che Guevara com sua boina de guerrilheiro e cabelos ao vento, comemorou 50 anos. Ela foi produzida pelo fotógrafo cubano Alberto Diaz Gutiérrez, mais conhecido com Alberto Korda.
Em 5 de Março de 1960, Che, decretado "cubano de nascimento" por seu companheiro Fidel Castro, assistia com outros líderes da revolução recém nascida ao funeral de mais de cem vítimas do atentado contra o porto de Havana e o vapor francês " La Coubre", carregado de armas.
Era um dia cinzento, com temperatura abaixo de 20 graus, e Korda não dimensionou a princípio a importância da imagem captada com sua câmara Leika, que, anos depois, correria o planeta, estampada em livros, cartazes, fachadas de edifícios e camisetas da moda. A fotografia tornou-se não só a mais reproduzida, como uma das mais veneradas e comercializadas no século XX.
Foi naquele dia também que o líder da revolução, Fidel Castro lançou pela primeira vez a sua não menos famosa palavra de ordem "Pátria ou Morte!", no caloroso discurso para milhares de pessoas que assistiam ao funeral-manifestação, com Che em segundo plano.
Perto do argentino, estavam os intelectuais franceses Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, a quem perseguia Korda, fotógrafo do jornal Revolución. A foto do guerrilheiro foi quase acidental. A tribuna do evento estava repleta de autoridades e Korda teve apenas 45 segundos para fotografá-la.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

pergunta

Assunto: Utilização das forças de segurança para cobrança das facturas
da Águas de Paredes

Destinatário: Ministério da Administração Interna

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República


O Sr. Firmino Soares de Oliveira, com 94 anos de idade, reside em Baltar,
concelho de Paredes e tem duas facturas em divida à Águas de Paredes
(Grupo Veolia Água) que é a concessionária da Exploração e Gestão dos
Sistemas de Abastecimento de Água para Consumo Público e da Recolha,
Tratamento e Rejeição de Efluentes do Concelho de Paredes.
Essas facturas em dívida dizem respeito ao pagamento de uma tarifa de
disponibilidade no valor de 5 e de 4,96 euros respectivamente.
Importa referir que este nosso concidadão recusou pagar porque, não tendo
dinheiro para fazer as obras de ligação da casa ao ramal principal de água e
tendo água própria (poço), não usa nem a água nem o saneamento.Uma vez
que não usa os serviços desta empresa não pagou a dita taxa de
disponibilidade e mandou uma carta à Veolia dizendo isso mesmo.
Perante o atraso no pagamento, no dia 26-07-2010 pelas 8:30 horas
representantes desta empresa acompanhados com dois guardas da GNR foram
a residência do Sr. Firmino Soares da Olivefra com o objectivo de o "notificar"
por incumprimento e que tinha de pagar uma "multa".
Em tom pouco simpático e com a presença dos guardas da GNR disseram
que tinha que pagar 1500 euros, caso não pagasse a taxa de disponibilidade ou
caso não se tornasse um novo cliente da Veolia.
Como é óbvio o Sr. Firmino, com 94 anos de idade, ficou perturbado física e
psicologicamente e face aos resultados desta "visita" os guardas da GNR
foram-se embora sem entregar a dita carta.
Importa referir, embora resulte do acima disposto, que não se trata de uma
notificação judicial ou cobrança de uma dívida por via judicial, trata-se sim de
uma dívida de 9,96 euros a uma empresa privada.
Assim, ao abrigo da alínea d) do artigo 156° da Constituição e nos termos e
para os efeitos do 229° do Regimento da Assembleia da República, pergunto ao
Ministério da Administração Interna o seguinte:

1.° Que razões justificam a presença da GNR na cobrança de uma dívida a
uma empresa privada?
2.° Considera, este Ministério, que se justificou a presença destes dois
elementos da GNRnesta"visita"?
3.° Qual foi o objectivo da presença destes dois guardas da GNR nesta
"visita"?
4.° Tem este Ministério consciência que a presença da GNR nesta "visita"
serviu para intimidar este concidadão de 94 anos de idade?
5.° Que medidas vai este Ministério tomar quanto a este caso concreto e para
evitar situações idênticas no futuro?

Palácio de São Bento, 6 de Agosto de 2010
Deputado
Jorge Machado

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

a nossa triste realidade

Estudo INE sobre Índice de Poder de Compra Concelhio

O Instituto Nacional de Estatística publicou o estudo acima descrito.

Os concelhos do Vale do Sousa e Baixo Tâmega ficam todos do meio da tabela para baixo. Penafiel é o "melhor" situado na escala e Baião o pior.

Nota: São dados publicados em Agosto/2010 mas referentes ao ano de 2007

Ordenação Concelho Indicador per capita do IpC

151.º Penafiel 67,90

163.º Felgueiras 66,34

164.º Paredes 66,34

165.º Paços de Ferreira 66, 29

200.º Marco de Canavezes 61,56

201.º Amarante 61,55

218.º Lousada 59,11

287.º Baião 50,45

açores e natureza





a TIMES, os EUA e os talibans



No «arrastão» discutem-se seriamente os «limites éticos» a respeito da capa acima da última edição da TIME que, entre outras barbaridades dos bárbaros, repugnantes e odiosos (os adjectivos são mesmo meus, qual é a dúvida) taliban do Afeganistão, denuncia o desfigurament0 de uma bela jovem. Por mim, limito-me a achar que ficava tudo mais rigoroso, mais justo, mais educativo e mais sério se a capa da TIME tivesse incluído aquelas duas linhas em baixo (quase ilegiveis) a vermelho que eu lá pus e que dizem : «See the work of the monsters who grow with our money and support». Dito isto, é bom lembrar que, entre 1978 e 1992, nunca a TIME se lembrou de dedicar uma capa às dezenas e dezenas de jovens alfabetizadores rurais que foram assassinados ou torturados pelos rebeldes mujahedine, fossem eles taliban ou semi-taliban.

(in tempodascerejas.blogspot.com)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

desenterrado do baú

O TEMPO SEGUINTE

Éramos um dos pouquíssimos países da Europa que mantinha a criminalização da mulher na sua lei penal pela prática do aborto.
Organizações internacionais como a ONU, a OMS e a Associação Internacional para o Planeamento Familiar apelavam ao fim da perseguição e humilhação em julgamento das mulheres.

Maria sempre teve vida difícil. Vida de mulher. Chamar-lhe interrupção da gravidez, aborto ou desmancho, tanto fazia. Mas a sua experiência de vida permitia-lhe saber efectivamente de que se tratava.
Maria já tinha calcorreado os caminhos da angústia de uma gravidez não desejada ou desprotegida. O método contraceptivo que usara não era cem por cento seguro, ou tinha-se descuidado (“enganou-se nas contas”) ou não teve acesso em tempo útil á contracepção de emergência (pílula do dia seguinte).
Maria sabia que a vida lhe impõe opções dolorosas, caminhos sem alternativas. E sabia que já teve de recorrer á clandestinidade de uma “curiosa”, de uma “abortadeira” ou mais recentemente, de alguns profissionais de saúde em “regime liberal”. E só mais tarde compreendeu que esse acto era julgado crime e portanto podia ser julgada, humilhada em tribunal e condenada. Era uma revolta, uma dor adicional para quem correu risco de hemorragias, infecção, de esterilidade e de morte quando andou pelo mundo sórdido de um negócio.
Maria anseia por outra vida. Uma vida plena com direitos humanos e sociais, com sentido e capacidade de uma maternidade e paternidade responsável, com liberdade de consciência, direito de decidir o momento e o número de filhos que deseja e pode ter. Uma vida sem recurso ao aborto mas se tal for estritamente necessário efectuado em condições de legalidade, segurança e acessibilidade universal, como preconiza uma resolução do Parlamento Europeu de 3 de Julho de 2003.
Na sua consciência, Maria é soberana. Ela tem capacidade moral, intelectual ou ética para decidir. Contra os médicos, os juízes, os políticos, os padres. A lei por que lutou aí está.
A vida de Maria não é um conjunto de letras maiúsculas que se coloca num cartaz. É fome, cansaço, dor, raiva, protesto, submissão. É pão, é dignidade, é paixão, é projecto, é saber. É contradição, certamente. Mas é vida de gente.

A luta pela despenalização do aborto, possuindo um valor e urgência próprios, é indissociável da garantia de protecção da função social da maternidade e paternidade, da implementação dos serviços de saúde e de uma adequada rede de consultas de planeamento familiar e da implementação da educação sexual nas escolas.
Há um tempo seguinte.

Cristiano Ribeiro

(publicado algures e repetido aqui)

Junius - "The Mourning Eulogy"



a proposta dos Junius, de Boston (EUA)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

amiga é um sentimento dúbio

Amiga era um sentimento
sem fazer calor nem frio
tudo entre nós era simples
como as coisas em pousio

Foi qualquer gesto que fizeste
qualquer coisa que disseste
que mudou a situação

Amiga é um termo dúbio
desses que a língua contém
vê-se a linha de fronteira
dá-se um passo e está-se em terra de ninguém

Carlos Tê/ Rui Veloso

fotografias de família (sem ofensa para os Metralhas)


domingo, 8 de agosto de 2010

leitura

“Filhos da Guerra" é um romance da escritora Pearl Buck, Prémio Nobel de Literatura em 1938
A escritora americana, filha de pais missionários presbiterianos, viveu na China muito tempo da sua vida. E escreveu muito sobre as relações interculturais, sobre as tradições dos povos asáticos.
Com “Filhos da guerra” (tradução de The New Year, 1968), é a simplista visão americana da Guerra da Coreia e dos seus dramas, que Pearl Buck expõe. E a história de um jovem , fruto de uma relação de amor de um soldado por uma coreana, não deixa de reflectir a imagem da terra prometida, onde preside a tolerância, a América dos anos 60. Um livro cor-de-rosa, politicamente patrioteiro, obviamente bem escrito.

As novas e modernas incursões guerreiras dos EUA no mundo possuem novas expressões e conteúdos ideologicos nos meios de comunicação social.

O Segredo 4/4

O Segredo 3/4

O Segredo 2/4

O Segredo 1/4

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Magyar Posse - Intercontinental hustle

Hoje, 0s finlandeses MAGYAR POSSE

reflexão sobre USF's

“A realidade das Unidades de Saúde Familiares (USF), estruturas funcionais de prestação de cuidados de saúde no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, não Hospitalares, parece impôr-se crescentemente. São cerca de 200 USF, envolvem cerca de 4.000 profissionais de saúde e atingem cerca de 2,5 milhões de portugueses.
As questões relativas à Qualidade e Boas Práticas efectuadas são sempre pedra de toque de qualquer reforma do Serviço Público. O utente e a sua saúde estará sempre na primeira linha de preocupações dos programas e actividade geral das USF. Uma outra dimensão é a relativa aos prestadores (médicos, enfermeiros e secretários clínicos), tendo em conta os valores em causa como a autonomia relativa, a solidariedade, os objectivos comuns, o grau de satisfação.
Importa pouco pesar a responsabilidade relativa (e eventual mérito) que se deve atribuir às dinâmicas governamentais versus o esforço dos agentes da reforma no terreno. Certamente muito se deve a uns e a outros nesta reforma em curso e que parece prometer grandes avanços. A aprendizagem, a melhoria contínua e a avaliação são possibilidades reais que partem do local de trabalho e terminam em indicadores mensuráveis.
Penso que estaremos, descontado algum excesso de optimismo, perante a mais importante rede de mudança social em Portugal deste início de século. Certamente limitado geograficamente, restrito a parte dos cuidados de saúde, enfrentando restrições orçamentais ou entraves burocráticos, esta rede de USF’s contudo absorveu capacidades e disponibilidades que a tornarão exemplar. A Comissária Europeia do sector em visita ao nosso País reconheceu no exemplo português um modelo a replicar por muitos países europeus”

Cristiano Ribeiro

(já publicado algures)

ouvindo Beethoven

OUVINDO BEETHOVEN

Venham leis e homens de balanças,
mandamentos d'aquém e d'além mundo.
Venham ordens, decretos e vinganças,
desça em nós o juízo até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade
a luz vermelha brilhe inquisidora,
risquem no chão os dentes da vaidade
e mandem que os lavemos a vassoura.

A quantas mãos existam peçam dedos
para sujar nas fichas dos arquivos.
Não respeitem mistérios nem segredos
que é natural os homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,
relógios a marcar a hora exacta.
Não aceitem nem queiram outra arte
que a prosa de registo, o verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
cercados de bastões e fortalezas,
hão-de ruir em estrondo os altos muros
e chegará o dia das surpresas.

José Saramago

sacrificio "para todos"


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Jimi Hendrix - Little Wing

uma referência musical

as preocupantes notícias da Marinha

Arrogante até dizer basta, é o mínimo que se pode dizer da atitude do Ministro da Defesa Santos Silva.
Um grupo de oficiais da Marinha está indignado com o Ministro da Defesa. São membros do Clube Militar Naval, uma instituição com 150 anos que sempre funcionou como Conselho para os assuntos militares navais. O clube pediu para ser recebido por Santos Silva, a propósito da reforma dos serviços de saúde militares. Pela primeira vez em 150 anos, um ministro recusou recebê-los.
"Quer no tempo da Monarquia, quer no tempo da I República, quer no tempo da Ditadura nunca aconteceu uma coisa destas", manifestam-se indignados os oficiais da Marinha.
Não sabiam que há sempre uma vez para tudo, basta um tipo menor como Santos Silva assumir a pasta da Defesa e tudo pode acontecer...
Foi naquele Clube Naval que se realizaram muitas das reuniões que acabaram por conduzir a Marinha a aderir e participar no 25 de Abril, e só por isso mereciam ser recebidos..
Os oficiais da Marinha acabaram por elaborar uma Carta Aberta e afirmam ter ainda esperança de ser recebidos.
Depois aqui d’el rei que os militares querem manifestar-se na rua..

A notícia já tem mais de três semanas, é de de 11 de Julho. Nessa data exultava o Diário de Notícias - Comandante Alpoim Calvão já tem "única medalha" que faltava:
«O comandante Alpoim Calvão, o operacional que comandou a "operação Mar Verde" durante a guerra colonial na Guiné, recebeu ontem "a única medalha que não tinha" das mãos do comandante do Corpo de Fuzileiros.
"Acertámos contas com a justiça", cuja celeridade "levou 41 anos" a ser feita com a imposição da Medalha de Comportamento Exemplar, declarou o contra-almirante Luís Picciochi, nas cerimónias do "Dia do Fuzileiro" que ontem decorreram na Escola de Fuzileiros (Vale de Zebro, Barreiro).

Mas quem é este Oficial da Marinha com o seu «comportamento exemplar» e sua «brilhante folha de serviços», que se mostra em entrevista ao «Público» já lá vão uns anos?
«Havia também contactos com o CDS e com o próprio PS, mas a minha função do MDLP sempre foi essencialmente operacional...
(...)
... deslocava-me dentro do país, organizava as células, o MDLP chegou a ter uma estrutura complicada: um directório presidido pelo general Spínola; um Gabinete Político onde estavam o José Miguel Júdice, o José Vale Figueiredo, o Luís Sá Cunha, entre outros. E uma organização operacional composta pelo Gilberto Santos e Castro, pelo tenente coronel Pires de Lima e por mim próprio.
(...)
R- Aliámos o povo do norte, já que a rapaziada do Alentejo andava na euforia da reforma agrária.
P- Quem é o povo do norte?
R- É toda a gente, desde a Igreja a milhares de pessoas...
P- O cónego Melo , de Braga?
R- Sim, o cónego Melo foi uma pedra chave em toda esta movimentação.
P- Quem incendiou as sedes do PC no norte?
R- Havias já algumas outras movimentações no terreno. Por exemplo, havia um pirata chamado Paradela de Abreu, mas que era um pirata útil. E a ligação do seu movimento- "Maria da Fonte"- connosco, era feita pelo engenheiro Jorge Jardim, por quem eu tinha consideração e admiração. Houve assim alguns movimentos como este que se juntaram a nós e chegou a haver 10, 15, 20 mil pessoas como aconteceu em Braga e noutros sítios. Quando os da Dinamização Cultural chegavam a certas aldeias encontravam 50 burros à espera deles e a aldeia deserta... Incendiaram-se as sedes, reagiu-se... Gerou-se assim uma vaga de fundo em que uns entravam pelo rés-de-chão e os outros, saiam a voar pelo primeiro andar. Mas em muitas sedes os comunistas defenderam-se a tiro de caçadeira... Seja como for, arranjou-se muita gente o que explica que, a dada altura, o MDLP tivesse logrado uma certa expressão e importância.
(...)
Apareceram aí umas bombas que ninguém mandou pôr...
P- Já depois do 25 de Novembro?
R- Sim. Antes disso, podem dizer que fui eu quem as mandou pôr, a todas, que eu não desminto. Depois disso, nem uma! Bem, as coisas foram-se resolvendo pelo tempo e pelo diálogo, embora, dentro daquilo que restava do MDLP, houvesse ainda quem continuasse a pôr bombas quase por profissão... Já não tive nada a ver com isso.»

O referido capitão foi o chefe operacional do ELP/MDLP, organização que se distinguiu pela execução de sete assassinatos, 62 atentados contra habitações, 52 automóveis destruídos, 62 acções terroristas não especificadas, ataques a 102 sedes de partidos de esquerda com destruição de 70 delas. Tudo isso entre 1974 e 1977.
No tempo colonial, o referido cidadão fora o responsável pela "Operação Mar Verde", destinada a assassinar Amilcar Cabral e o presidente da Guiné Conakri.
O chefe político do ELP/MDLP era o general António Spínola (posteriormente guindado a marechal). Ainda este ano Cavaco Silva & António Costa inauguraram em Lisboa uma avenida com o nome do mentor daquela organização terrorista.

«Na noite de 4 de Outubro de 1975 Alpoim Calvão aproveitou as 11 horas que passou escondido no telhado do Seminário de São Tiago, em Braga, para... dormir. Pelo menos é o que conta o principal comandante operacional do movimento inspirado por Spínola no livro De Conakry ao MDLP (Ed. Intervenção), ao descrever o cerco feito por forças do Regimento de Infantaria de Braga, que conseguiram capturar o major Mira Godinho e o major-tenente Benjamim de Abreu, mas não descobriram o vulto mais procurado das redes bombistas de direita.Nos barrotes do sótão, o militar medalhado cujo nome terá sido apontado para chefiar a PIDE/DGS antes do 25 de Abril haveria de se voltar a encontrar com outro dos convivas no denunciado almoço em que o anfitrião era o cónego Melo - Paradela de Abreu, o fundador do movimento Maria da Fonte (espécie de compagnon de route do MDLP), anotou este outro conspirador em Do 25 de Abril ao 25 de Novembro (Ed. Intervenção).»

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

sócrates & passos, á meia noite...

Embora sejam, obviamente, para levar a sério, os ruidosos projectos de viragem à direita proclamados por Pedro Passos Coelho no seu projecto de Revisão Constitucional, ainda não resultaram em nada, a não ser terem possibilitado as hipócritas juras de esquerda e preocupações sociais do seu ex colega de JSD, José Sócrates.

A gritaria ofendida de Sócrates perante os ousados avanços neoliberais do seu parceiro de dança, lembra-me a dançarina que, depois de uma volta mais apertada, protestou afogueada e visivelmente “ofendida”:

- Tens meia hora para desencostar isso daí... senão...

(copiado em samuel-cantigueiro.blogspot.com)

poesias

ECOS NA CATEDRAL

Os teus olhos são vitrais
Que mudam de cor com o céu
E quando sorriem iguais
Quem muda de cor sou eu

Tomara teus olhos vissem
O amor que tenho por ti
Nem o entardecer me acalma
Na ânsia de te ter aqui

E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Apagam-se na solidão

Fui para um templo de pedra
Escolhi um local isolado
Que me faça esquecer tua voz
Esquecer-me da tua voz
Que me faça acordar do passado

Escondida em sítio sagrado
E não me apetece o perdão
Devo estar enfeitiçada
Naufrago do coração

Não sei se perdoo o meu fado
Não sei se consigo enfim
Um dia esquecer que teus olhos
Sorriem mas não para mim

Carlos Maria Trindade - Madredeus

SORRISO

O teu sorriso é
vendaval de águas revoltas
que irrompe pelas ameias do meu castelo
espalhando pelo chão
as minhas certezas
soltas

O teu sorriso é mouro:
impetuoso, cortante
cor de ameixa,
cheiro de hortelã
sabor a vinho de terra escura
sede de manhã

Quando te vejo,
e revejo
nesse momento preciso,
exausto fico
derrubado pela força
da adaga do teu sorriso