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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

as preocupantes notícias da Marinha

Arrogante até dizer basta, é o mínimo que se pode dizer da atitude do Ministro da Defesa Santos Silva.
Um grupo de oficiais da Marinha está indignado com o Ministro da Defesa. São membros do Clube Militar Naval, uma instituição com 150 anos que sempre funcionou como Conselho para os assuntos militares navais. O clube pediu para ser recebido por Santos Silva, a propósito da reforma dos serviços de saúde militares. Pela primeira vez em 150 anos, um ministro recusou recebê-los.
"Quer no tempo da Monarquia, quer no tempo da I República, quer no tempo da Ditadura nunca aconteceu uma coisa destas", manifestam-se indignados os oficiais da Marinha.
Não sabiam que há sempre uma vez para tudo, basta um tipo menor como Santos Silva assumir a pasta da Defesa e tudo pode acontecer...
Foi naquele Clube Naval que se realizaram muitas das reuniões que acabaram por conduzir a Marinha a aderir e participar no 25 de Abril, e só por isso mereciam ser recebidos..
Os oficiais da Marinha acabaram por elaborar uma Carta Aberta e afirmam ter ainda esperança de ser recebidos.
Depois aqui d’el rei que os militares querem manifestar-se na rua..

A notícia já tem mais de três semanas, é de de 11 de Julho. Nessa data exultava o Diário de Notícias - Comandante Alpoim Calvão já tem "única medalha" que faltava:
«O comandante Alpoim Calvão, o operacional que comandou a "operação Mar Verde" durante a guerra colonial na Guiné, recebeu ontem "a única medalha que não tinha" das mãos do comandante do Corpo de Fuzileiros.
"Acertámos contas com a justiça", cuja celeridade "levou 41 anos" a ser feita com a imposição da Medalha de Comportamento Exemplar, declarou o contra-almirante Luís Picciochi, nas cerimónias do "Dia do Fuzileiro" que ontem decorreram na Escola de Fuzileiros (Vale de Zebro, Barreiro).

Mas quem é este Oficial da Marinha com o seu «comportamento exemplar» e sua «brilhante folha de serviços», que se mostra em entrevista ao «Público» já lá vão uns anos?
«Havia também contactos com o CDS e com o próprio PS, mas a minha função do MDLP sempre foi essencialmente operacional...
(...)
... deslocava-me dentro do país, organizava as células, o MDLP chegou a ter uma estrutura complicada: um directório presidido pelo general Spínola; um Gabinete Político onde estavam o José Miguel Júdice, o José Vale Figueiredo, o Luís Sá Cunha, entre outros. E uma organização operacional composta pelo Gilberto Santos e Castro, pelo tenente coronel Pires de Lima e por mim próprio.
(...)
R- Aliámos o povo do norte, já que a rapaziada do Alentejo andava na euforia da reforma agrária.
P- Quem é o povo do norte?
R- É toda a gente, desde a Igreja a milhares de pessoas...
P- O cónego Melo , de Braga?
R- Sim, o cónego Melo foi uma pedra chave em toda esta movimentação.
P- Quem incendiou as sedes do PC no norte?
R- Havias já algumas outras movimentações no terreno. Por exemplo, havia um pirata chamado Paradela de Abreu, mas que era um pirata útil. E a ligação do seu movimento- "Maria da Fonte"- connosco, era feita pelo engenheiro Jorge Jardim, por quem eu tinha consideração e admiração. Houve assim alguns movimentos como este que se juntaram a nós e chegou a haver 10, 15, 20 mil pessoas como aconteceu em Braga e noutros sítios. Quando os da Dinamização Cultural chegavam a certas aldeias encontravam 50 burros à espera deles e a aldeia deserta... Incendiaram-se as sedes, reagiu-se... Gerou-se assim uma vaga de fundo em que uns entravam pelo rés-de-chão e os outros, saiam a voar pelo primeiro andar. Mas em muitas sedes os comunistas defenderam-se a tiro de caçadeira... Seja como for, arranjou-se muita gente o que explica que, a dada altura, o MDLP tivesse logrado uma certa expressão e importância.
(...)
Apareceram aí umas bombas que ninguém mandou pôr...
P- Já depois do 25 de Novembro?
R- Sim. Antes disso, podem dizer que fui eu quem as mandou pôr, a todas, que eu não desminto. Depois disso, nem uma! Bem, as coisas foram-se resolvendo pelo tempo e pelo diálogo, embora, dentro daquilo que restava do MDLP, houvesse ainda quem continuasse a pôr bombas quase por profissão... Já não tive nada a ver com isso.»

O referido capitão foi o chefe operacional do ELP/MDLP, organização que se distinguiu pela execução de sete assassinatos, 62 atentados contra habitações, 52 automóveis destruídos, 62 acções terroristas não especificadas, ataques a 102 sedes de partidos de esquerda com destruição de 70 delas. Tudo isso entre 1974 e 1977.
No tempo colonial, o referido cidadão fora o responsável pela "Operação Mar Verde", destinada a assassinar Amilcar Cabral e o presidente da Guiné Conakri.
O chefe político do ELP/MDLP era o general António Spínola (posteriormente guindado a marechal). Ainda este ano Cavaco Silva & António Costa inauguraram em Lisboa uma avenida com o nome do mentor daquela organização terrorista.

«Na noite de 4 de Outubro de 1975 Alpoim Calvão aproveitou as 11 horas que passou escondido no telhado do Seminário de São Tiago, em Braga, para... dormir. Pelo menos é o que conta o principal comandante operacional do movimento inspirado por Spínola no livro De Conakry ao MDLP (Ed. Intervenção), ao descrever o cerco feito por forças do Regimento de Infantaria de Braga, que conseguiram capturar o major Mira Godinho e o major-tenente Benjamim de Abreu, mas não descobriram o vulto mais procurado das redes bombistas de direita.Nos barrotes do sótão, o militar medalhado cujo nome terá sido apontado para chefiar a PIDE/DGS antes do 25 de Abril haveria de se voltar a encontrar com outro dos convivas no denunciado almoço em que o anfitrião era o cónego Melo - Paradela de Abreu, o fundador do movimento Maria da Fonte (espécie de compagnon de route do MDLP), anotou este outro conspirador em Do 25 de Abril ao 25 de Novembro (Ed. Intervenção).»