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sábado, 30 de dezembro de 2023
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
sábado, 2 de dezembro de 2023
Ukraine : Zelensky et le désastre occidental – Sylvain Ferreira dans Le ...
sábado, 18 de novembro de 2023
sexta-feira, 3 de novembro de 2023
Relembro texto publicado em 2011
DO
25 DE ABRIL À REFORMA ADMINISTRATIVA
Falar do 25 de Abril
pode ser muito como pode ser pouco. Mas num órgão autárquico aprovar uma Moção
sobre o 25 de Abril, tal como o vivemos em 2011, só pode ser importante. A
moção foi aprovada na última sessão da Assembleia Municipal de Paredes, com 36
votos favoráveis dos deputados da CDU (os proponentes) e do PSD e 14 votos
contrários do PS e do CDS. Dizia a Moção:
Abril de 2011,
volvidos 37 anos sobre a data que nos libertou de um regime retrógrado, totalitário
e opressor, podemos dizer que os valores que brotaram do 25 de Abril de 1974
estão seriamente ameaçados com esta política de subserviência ao capital
financeiro mundial, levando ao encerramento de milhares de pequenas empresas,
impondo grandes sacrifícios ao povo Português, especialmente ao que menos têm e
menos podem.
Apesar de todas as
ameaças, a luta vai continuar por uma nova politica que promova os valores de
Abril e dê Esperança a Portugal.
O País vive
confrontado com uma profunda crise económica e social. Mais de 700.000
portugueses estão no desemprego, centenas de milhar sem proteção social, a
precariedade alastra, empobrece-se a trabalhar, a emigração voltou a ser uma
necessidade
Mais de 2 milhões de
portugueses vivem na pobreza, o acesso a direitos essenciais, como a saúde, a
habitação digna, a ação social, o ensino de qualidade, estão em resultado da política
de direita cada vez mais longe de ser uma realidade para todos. Acentua-se as
assimetrias entre o litoral e o interior.
Traindo os valores e
ideais de Abril, o país está confrontado com uma intervenção externa por via da
União Europeia e do FMI em resultado de uma decisão tomada no quadro das
cedências do governo PS ao grande capital. Cedências que o povo português não
pode aceitar.
Este é cada vez mais
o tempo de defender e afirmar Abril! É tempo de respeitar, cumprir e fazer
cumprir a Constituição da República e não a subverter.
Esta Moção queima as
mãos dos que foram responsáveis pelo estado a que chegou a economia e as
finanças públicas. Percebe-se. O seu 25 de Abril já se extinguiu.
E igualmente se
percebe a discussão inoportuna da reorganização administrativa, que o PS e as
suas extensões mediáticas pretendem implementar. Parece até que tal desígnio
faz parte do pacote que a troika do capital quer implementar no processo dito
de “ajuda” financeira. Aqui, como noutras áreas, o PS atua preparando o
terreno da agiotagem internacional.
Reduzir concelhos,
extinguir freguesias, traçar cegamente a régua e esquadro uma futura divisão
administrativa, decidir contabilisticamente ganhos e perdas, receitas e
despesas, parece ser proposta de alguns. Percebe-se o propósito. Isso
permitir-lhes-ia criar uma gigantesca nuvem de suspeição sobre autarcas e sobre
o Poder Local. Se se discute a redução /extinção de autarquias, pensará o menos
avisado, é porque eles (autarcas) e elas (autarquias) gastam excessivamente ou
gastam indevidamente. Nada mais falso. As verbas distribuídas às freguesias são
pouco mais de 0,1% do Orçamento de Estado, são aplicadas em investimentos
visíveis e de proximidade e são sujeitas ao controlo democrático das
populações. E as competências e atribuições crescentes *as autarquias longe de
lhes dar autonomia e eficiência, amarram-nas a politicas e a práticas de
garrote centralista.
Importa defender a
capacidade das populações de terem autarcas da sua confiança, de participar nas
decisões que as interessam, de expressarem o são sentimento de pertença
territorial, de evidenciar a sua identidade. Uma freguesia não é uma unidade de
produção, um modelo racional de lógica empresarial. é uma comunidade de
interesses e afetividades.
Não alinhemos nesta
cortina de fumo onde se esconde que há responsáveis pelo roubo de milhões de
euros, ou politicas regressivas sociais, ou quem sacrifique impunemente a
produção nacional em nome de utopias e lógicas internacionais. Extinta a
escola, retiradas as unidades periféricas dos serviços públicos, extintas as
estações dos CTT, só falta acabar com as freguesias e os seus agentes locais de
intervenção. É o 24 de Abril.
CR
sábado, 28 de outubro de 2023
domingo, 22 de outubro de 2023
TEXTO
A COR-DE-ROSA
O Primeiro Ministro
António Costa reuniu com o Ministro da Saúde e com o Diretor Executivo do SNS.
E disso quis dar testemunho. Da reunião, em momento crítico, terá resultado
para um público interessado uma única conclusão: os problemas das urgências são
devidos à não utilização generalizada do SNS24 e ao comportamento dos utentes. Compreendo
a interessante conclusão. É o espetável.
Este António Costa
nunca reconheceria que o problema das Urgências estaria nos recursos humanos
disponíveis a montante, na motivação dos profissionais de saúde, na sua
indisponibilidade para realizar horas extraordinárias excessivas, na
incompetência de muitas Administrações da Saúde, na evolução demográfica. Isso
seria esperar demais para a auto-suficiência contentinha de um Poder por vezes absoluto,
autocrático e autista no sector. A atual crise, para António Costa,
resolver-se-ia com uma mera ligação telefónica dos utentes para o SNS24, chave
de resolução, pois este é considerado porta de entrada do SNS. Serão portanto
os utentes, iletrados e descuidados consumidores de serviços, os verdadeiros
responsáveis pelo caos existente. Compreendo a argumentação, mas discordo
completamente.
A realidade atual das
Urgências desmente quaisquer ilibações das responsabilidades do Governo e do
Ministério. As Urgências Hospitalares fechadas, os SASU`s sem médicos, o
condicionamento dos serviços públicos de saúde, a intransigência negocial, o
deixa-andar prolongado, a ineficácia na decisão, a falta de empenhamento,
contribuem para um resultado preocupante. A Saúde dos portugueses é assunto
demasiado importante para se restringir a um acesso a uma plataforma digital, pois
é sempre na presença física dos profissionais, na gestão oportuna dos
problemas, que está a solução. Não se tratam problemas de saúde na sua
esmagadora maioria por telefone.
Ousa-se falar em
crescente investimento ao longo dos anos com a Saúde. Ousa-se falar em
crescente número de consultas, de episódios de urgência, e de cirurgias
efetuadas. Costa estará no País das Maravilhas.
Talvez fosse
importante referir que 40% do investimento publico, do orçamento para a Saúde,
vai para os privados, para medicamentos, exames complementares de diagnóstico,
tratamentos, internamentos, cirurgias SIGIC, cuidados assistenciais na
comunidade, que assim o embolsam. Talvez fosse importante falar de uma
contabilidade “criativa” que conta como efetuadas consultas não presenciais,
oportunas “faltas” atribuídas a utentes, devoluções de pedidos de
referenciação, comunicações por e-mail, etc. Talvez fosse importante referir
que as boas práticas em Medicina Geral e Familiar, em Pediatria, em
Obstetrícia, e outras, estão há muito sacrificadas por falta de recursos, por
falta de equipamentos, por ausência de respostas, por não cumprimento de normas
orientadoras e protocolos.
Uma visão cor-de-rosa
desvirtua a necessidade de amplas medidas de salvaguarda do SNS público. Diz
António Costa que as novas gerações de médicos têm uns enigmáticos “novos
hábitos de trabalho”. Não sei de que fala. Talvez um jornalismo esclarecedor
pudesse tentar justificar com o próprio essa afirmação. O presente difere
necessariamente do passado, nas exigências colocadas. Importava ter planeado a
resposta. O que não aconteceu.
CR
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
terça-feira, 10 de outubro de 2023
LÁGRIMAS DE GAZA
UMA AULA
DE DESENHO
de Nizar
Qabbani
Meu filho põe a sua caixa de pintura à minha frente
E pede-me que desenhe um pássaro.
Ponho o pincel no pote de cor cinza
E pinto um quadro com fechaduras e grades.
Seus olhos arregalaram-se surpreendidos:
…Mas isso é uma prisão, pai,
Não sabes desenhar um pássaro?
E digo-lhe-: Filho, perdoa-me.
Esqueci-me da forma dos pássaros.
Meu filho pousa o caderno de desenhos à
minha frente
E pede-me que desenhe uma espiga de trigo.
Pego no pincel e desenho uma arma.
Meu filho ri-se da minha ignorância,
perguntando:
Pai, não sabes a diferença entre uma
espiga de trigo e uma arma?
E digo-lhe: “Filho, uma vez usei a
forma da espiga de trigo
a forma do pão
a forma da rosa
mas nestes tempos duros
as árvores da floresta juntaram-se
aos homens da milícia
e a rosa veste uniformes escuros.
Neste tempo de espigas de trigo armadas
de pássaros armados
de cultura armada
e de religião armada
não se pode comprar pão
sem se encontrar uma arma no seu interior
não se pode colher uma rosa do campo
sem que os seus espinhos nos rasguem a cara
não se pode comprar um livro
que não vá explodir entre os nossos dedos.
Meu filho senta-se na berma da cama
e pede-me que recite um poema.
Uma lágrima cai de meus olhos na almofada.
Meu filho pega-a, surpreendido e diz:
Mas isto é uma lágrima, pai, não é um
poema!
E digo-lhe: Quando cresceres, meu
filho,
e aprenderes o “Diwan” da poesia árabe
descobrirás que palavra e lágrima são
gémeas
e que o poema árabe
não é mais que uma lágrima chorada por
dedos que escrevem.
Meu filho pega nos pincéis,
na caixa de pintura que estava à minha
frente
e pede-me que lhe desenhe uma pátria.
O pincel treme nas minhas mãos
E eu afundo-me nas lágrimas.
quarta-feira, 4 de outubro de 2023
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
poema
Os Comunistas