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sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Relembro texto publicado em 2011

 

DO 25 DE ABRIL À REFORMA ADMINISTRATIVA

Falar do 25 de Abril pode ser muito como pode ser pouco. Mas num órgão autárquico aprovar uma Moção sobre o 25 de Abril, tal como o vivemos em 2011, só pode ser importante. A moção foi aprovada na última sessão da Assembleia Municipal de Paredes, com 36 votos favoráveis dos deputados da CDU (os proponentes) e do PSD e 14 votos contrários do PS e do CDS. Dizia a  Moção:

Abril de 2011, volvidos 37 anos sobre a data que nos libertou de um regime retrógrado, totalitário e opressor, podemos dizer que os valores que brotaram do 25 de Abril de 1974 estão seriamente ameaçados com esta política de subserviência ao capital financeiro mundial, levando ao encerramento de milhares de pequenas empresas, impondo grandes sacrifícios ao povo Português, especialmente ao que menos têm e menos podem.

Apesar de todas as ameaças, a luta vai continuar por uma nova politica que promova os valores de Abril e dê Esperança a Portugal.

O País vive confrontado com uma profunda crise económica e social. Mais de 700.000 portugueses estão no desemprego, centenas de milhar sem proteção social, a precariedade alastra, empobrece-se a trabalhar, a emigração voltou a ser uma necessidade

Mais de 2 milhões de portugueses vivem na pobreza, o acesso a direitos essenciais, como a saúde, a habitação digna, a ação social, o ensino de qualidade, estão em resultado da política de direita cada vez mais longe de ser uma realidade para todos. Acentua-se as assimetrias entre o litoral e o interior.

Traindo os valores e ideais de Abril, o país está confrontado com uma intervenção externa por via da União Europeia e do FMI em resultado de uma decisão tomada no quadro das cedências do governo PS ao grande capital. Cedências que o povo português não pode aceitar.

Este é cada vez mais o tempo de defender e afirmar Abril! É tempo de respeitar, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e não a subverter.

Esta Moção queima as mãos dos que foram responsáveis pelo estado a que chegou a economia e as finanças públicas. Percebe-se. O seu 25 de Abril já se extinguiu.  

E igualmente se percebe a discussão inoportuna da reorganização administrativa, que o PS e as suas extensões mediáticas pretendem implementar. Parece até que tal desígnio faz parte do pacote que a troika do capital quer implementar no processo dito de “ajuda” financeira. Aqui, como noutras áreas, o PS atua preparando o terreno da agiotagem internacional.

Reduzir concelhos, extinguir freguesias, traçar cegamente a régua e esquadro uma futura divisão administrativa, decidir contabilisticamente ganhos e perdas, receitas e despesas, parece ser proposta de alguns. Percebe-se o propósito. Isso permitir-lhes-ia criar uma gigantesca nuvem de suspeição sobre autarcas e sobre o Poder Local. Se se discute a redução /extinção de autarquias, pensará o menos avisado, é porque eles (autarcas) e elas (autarquias) gastam excessivamente ou gastam indevidamente. Nada mais falso. As verbas distribuídas às freguesias são pouco mais de 0,1% do Orçamento de Estado, são aplicadas em investimentos visíveis e de proximidade e são sujeitas ao controlo democrático das populações. E as competências e atribuições crescentes *as autarquias longe de lhes dar autonomia e eficiência, amarram-nas a politicas e a práticas de garrote centralista.   

Importa defender a capacidade das populações de terem autarcas da sua confiança, de participar nas decisões que as interessam, de expressarem o são sentimento de pertença territorial, de evidenciar a sua identidade. Uma freguesia não é uma unidade de produção, um modelo racional de lógica empresarial. é uma comunidade de interesses e afetividades.

Não alinhemos nesta cortina de fumo onde se esconde que há responsáveis pelo roubo de milhões de euros, ou politicas regressivas sociais, ou quem sacrifique impunemente a produção nacional em nome de utopias e lógicas internacionais. Extinta a escola, retiradas as unidades periféricas dos serviços públicos, extintas as estações dos CTT, só falta acabar com as freguesias e os seus agentes locais de intervenção. É o 24 de Abril.

CR

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