Preâmbulo
A
referenciação é uma etapa importante da gestão clinica de cuidados de saúde dos
utentes em Medicina Geral e Familiar. Com a utilização da rede de referenciação,
o médico dos CSP, conhecedor de limites de intervenção, assegura Cuidados de Saúde
mais especializados e/ou envolvendo Exames Auxiliares de diagnóstico mais especializados
e/ou terapêuticas exigindo monotorização, formação, experiência, colaboração interdisciplinar
e acompanhamento permanente. Atentas as necessidades específicas dos utentes, a
referenciação assenta em princípios de racionalidade, complementaridade, apoio
técnico e eficiência.
Existem porém lacunas na articulação dos cuidados
de saúde. Claramente o aperfeiçoar dos sistemas de informação em rede e o criar regras de
referenciação protocoladas podem melhorar a articulação dos cuidados. Mas na
prática surgem evidência de problemas como por exemplo a data prolongada no
tempo de efectivação da consulta, ou a ausência de informação de retorno, ou
mesmo o retorno sem resposta.
O Centro Hospitalar Tâmega e Sousa constitui o
epicentro de um gigantesco sistema de referenciação de coordenação e procura de
qualidade. Contudo em vez de ser uma unidade integrada e coerente, de resposta
adequada a necessidades, divide-se a meu ver em diferentes estruturas
orgânicas, em diferentes funcionalidades, em diversas disponibilidades, em
diferentes respostas, muitas vezes umbilicalmente ligadas às (boas ou más) práticas
de gestão de quem dirige ou dos seus profissionais.
Abundam (por excessivos) portanto os entraves, os encolhos
burocráticos, as indisponibilidades, os adiamentos, as más-vontades, os
critérios de acessibilidade variáveis com o(s) tempo(s), variáveis com os
recursos expressos, e a desumanidade. São por vezes tais critérios tão
irracionais que se torna difícil ao próprio MF perceber o que é urgente, o que
é fundamental, o que é necessário, o que é vital. Alguns serviços hospitalares
transformaram-se em meros e formais destinos finais de organigramas sem
correspondência com a realidade. Abandonou-se a clinica, a ciência do saber, em
nome de um tecnicismo de resposta de geometria variável.
Com uma rede de referenciação não funcionante ou em
risco de o ser, eivada de problemas, e incapaz de diálogo entre níveis de
cuidados, só sobrevive a realidade dura e indesejada de um Serviço de Urgência
indisciplinado, caótico, provocador de exaustão de profissionais, e de violência
latente em utentes.
Assim
Proposta
Proponho
que na rede de referenciação prevista (CSP- CHTS – CSP) haja participação
directa de Médicos dos CSP
Proponho
que os objectivos e instrumentos da referenciação sejam discutidos com a
participação directa de Médicos dos CSP
Proponho
que prazos de resposta a solicitação expressa em referenciações para C. Externas
Hospitalares sejam avaliados por médicos dos CSP
Proponho
que as não-respostas, devoluções e outras situações vistas como incongruências
sejam sujeitas e validadas por um instrumento arbitral com participação de Médicos
dos CSP
A
NÃO SER DISCUTIDA, APERFEIÇOADA E PROVAVELMENTE IMPLEMENTADA ESTA PROPOSTA,
CONSIDERO PROVÁVEL QUE ENTREMOS NUM CICLO DE DESRESPONSABILIZAÇÃO QUE NÃO INTERESSA
AOS PROFISSIONAIS E SOBRETUDO AOS UTENTES
CR




