ECOS NA CATEDRAL
Os teus olhos são vitrais
Que mudam de cor com o céu
E quando sorriem iguais
Quem muda de cor sou eu
Tomara teus olhos vissem
O amor que tenho por ti
Nem o entardecer me acalma
Na ânsia de te ter aqui
E o teu perfume, o incenso
Os ecos de uma oração
Misturam-se num esboço imenso
Apagam-se na solidão
Fui para um templo de pedra
Escolhi um local isolado
Que me faça esquecer tua voz
Esquecer-me da tua voz
Que me faça acordar do passado
Escondida em sítio sagrado
E não me apetece o perdão
Devo estar enfeitiçada
Naufrago do coração
Não sei se perdoo o meu fado
Não sei se consigo enfim
Um dia esquecer que teus olhos
Sorriem mas não para mim
Carlos Maria Trindade - Madredeus
SORRISO
O teu sorriso é
vendaval de águas revoltas
que irrompe pelas ameias do meu castelo
espalhando pelo chão
as minhas certezas
soltas
O teu sorriso é mouro:
impetuoso, cortante
cor de ameixa,
cheiro de hortelã
sabor a vinho de terra escura
sede de manhã
Quando te vejo,
e revejo
nesse momento preciso,
exausto fico
derrubado pela força
da adaga do teu sorriso
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