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sexta-feira, 23 de março de 2012

NO REINO DA FRACA MEMÓRIA



[TSF, 25/05/2008]
Passos Coelho apelou, este domingo, ao Governo para que desça urgentemente o imposto sobre os combustíveis, a fim de evitar um «colapso económico».
(…) O social-democrata alertou que se o Governo mantiver a «taxa marginal de imposto demasiado elevada vai provocar uma diminuição da actividade económica, que seria contrariada se a taxa do imposto não fosse tão elevada».
(…) Para além dos automobilistas, existem muitas actividades económicas que dependem dos combustíveis», existindo neste momento «um custo económico muito diversificado que está a ser penalizado pela circunstância» dos aumentos dos preços dos combustíveis, adiantou.
(…) Pedro Passos Coelho alertou ainda que a economia portuguesa está a ser muito penalizada pelos sucessivos aumentos dos combustíveis.

[SOL, 14/01/2011]
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, garantiu hoje que o partido vai agir com «mais força e provavelmente de forma inovadora» para acabar com a «distracção» da Autoridade da Concorrência quanto aos preços dos combustíveis.
(…) «Garanto que agiremos com mais força e provavelmente de forma inovadora exigir da Autoridade da Concorrência, que seja verdadeiramente autoridade e que não ande distraída», disse o líder popular à Lusa. Afirmando que é «preciso ir mais além», mas sem especificar qual será a acção «provavelmente inovadora», Paulo Portas precisou que em causa está o «facto verdadeiro, verificável e comprovável: quando o petróleo sobe, os preços em Portugal sobem muito rapidamente, quando desce são muito lentos a descer os preços» no país.
«Todo o sistema está montado, favorecendo os interesses de uma posição dominante do mercado. Nós queremos que o sistema favoreça a concorrência entre as várias empresas, entre quem quer entrar no mercado e sobretudo que proteja o consumidor», defendeu.

(em adargumentandum.wordpress.com)

Era o tempo da desejável "economia de mercado", das 73 bombas de gasolina fechadas em 2010 junto á fronteira, do abastecimento das maiores empresas de transporte em Espanha. Era o tempo do oportunismo. Agora os "distraídos" Portas e Coelho perderam o pio perante as grandes empresas petrolíferas.

terça-feira, 13 de março de 2012

record



É um Record Absoluto!
12 de Março de 2012. Será surpresa para alguém?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Á VISTA AUMENTO DA ELECTRICIDADE EM 10%



Leia-se com atenção, e repare-se no que ele significa, o ponto 5.15 do «Portugal: Memorando de entendimento sobre condicionalismos específicos de política económica» que foi acordado pelo governo com a troika estrangeira e é apoiado pela troika nacional - PS, PSD e CDS:

«5.15. Aumentar a taxa de IVA da electricidade e do gás (actualmente em 6%), bem como os impostos sobre o consumo de electricidade (actualmente abaixo dos mínimos exigidos pela legislação da UE). »

Ora, partindo do príncipio benévolo que os preços da electricidade e do gás passarão ao escalão intermédio do IVA, ou seja 13%, e não para o escalão normal (23%), isto significa desde logo que no 4º trimestre deste ano esses preços iriam aumentar pelo menos 7%.

Mas acresce ainda que a electricidade vai ter um imposto específico sobre o consumo cujo montante se desconhece mas não é nada arriscado prever que, juntando «aumento normal», aumento do IVA e imposto especial, a electricidade vai aumentar mais de 10%. !!!

Agora é só fazer as contas sobre o reflexo disto nos orçamentos familiarese, já agora, antecipar a notável contribuição que este aumento da energia dará à competitividade das empresas portuguesa.

(em tempodascerejas.blogspot.com)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O PREÇO DA ENERGIA - estudo do economista Eugénio Rosa

O preço da energia pago pelas famílias em Portugal é muito superior ao preço médio dos países da União Europeia. E não se pense que são apenas os combustíveis, que têm merecido a atenção dos media. A situação é ainda mais grave em relação à electricidade e ao gás natural.
Para provar isso, vamos utilizar dados divulgados pela própria Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia. E para que depois as empresas e seus defensores não possam vir com a desculpa “esfarrapada” que a culpa é da elevada carga fiscal que existe em Portugal, como habitualmente fazem com o propósito de enganar a opinião pública, vamos utilizar, para fazer a comparação, preços sem impostos (sem IVA e e sem ISP), ou seja, preços que revertem totalmente para as empresas, e que constituem a fonte dos seus lucros.

Em Portugal, nos primeiros sete meses de 2010, o preço da gasolina95 sem impostos foi, em todos os meses, sempre superior ao preço médio da UE27 entre 3% e 7%, e o do gasóleo entre 6% e 7%. Isto determinou que só nos primeiros 7 meses de 2010 os portugueses tenham sido obrigado a pagar a mais às empresas 29,7 milhões € pela gasolina95 que consumiram e mais 143,8 milhões € pelo gasóleo. Em relação aos preços espanhóis também sem impostos, os cobrados em Portugal pelas empresas, só nos primeiros sete meses de 2010, determinaram que os portugueses tenham sido obrigados a pagar mais 2,5 milhões € pela gasolina95 e mais 56,7 milhões € pelo gasóleo que consumiram. Repetindo, tudo isto sem impostos para que as empresas e os seus defensores nos media não possam utilizar a justificação, como habitualmente fazem, que a culpa é da carga fiscal ser mais elevada em Portugal.

Mas a situação é mais grave em relação à electricidade. Em Portugal, a maioria das famílias têm consumos anuais entre 2500 e 5000 KWh e os preços, também sem impostos, cobrados pelas empresas a essas famílias, no 2º semestre de 2009, foram superiores em 13,6% aos preços médios da União Europeia, como revelam os dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia. Neste escalão de consumo, em apenas três países (Chipre, Holanda e Irlanda) os preços são superiores aos praticados pelas empresas em Portugal. E como tudo isto já não fosse suficiente, em Agosto deste ano, o governo criou mais um fundo para subsidiar as empresas de electricidade, que vai custar mais 60 milhões € por ano aos consumidores portugueses, ou seja,um aumento no preço da electricidade entre 1% e 2% (apoio ao mercado liberalizado, o que prova que a liberalização no lugar de reduzir preços aumenta-os). E tanto a ERSE, a entidade reguladora, como o próprio governo nada fazem para pôr cobro a esta situação

Mas é em relação ao gás natural consumido pelas famílias que a situação é ainda muito mais grave. Em Portugal, os preços sem impostos cobrados pelas empresas por consumos anuais inferiores a 20 GJ são superiores aos preços médios da União Europeia em 21,3%; e para consumos iguais ou superiores a 20Gj e até 200GJ os preços sem impostos em Portugal são superiores aos preços médios da UE27 em 37,6%. E estes dois escalões abrangem a totalidade das famílias em Portugal que consomem gás natural. Tudo isto de acordo com dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia. E ainda por cima a ERSE e o governo aprovaram um novo aumento de 3,2% que entrou em vigor em 1Julho 2010.

Segundos dados das próprias empresas o lucro líquido da GALP, no 1º semestre de 2010, foi de 260 milhões € quando, em idêntico período de 2009, tinha sido de 137 milhões €, ou seja, mais 89,8%; e o da EDP, no 1º semestre de 2010, atingiu 639 milhões € quando, em idêntico período de 2009, tinha sido 540 milhões €, ou seja mais 18,3%. Em conjunto, os lucros líquidos só destas duas empresas, no 1º semestre-2010, atingiram 899 milhões €, ou seja, mais 32,8% do que em idêntico periodo de 2009.
É de perguntar: Qual foi o português que viu os seus rendimentos aumentarem, em 2010, em 32,8%? Perante as dificuldades crescentes das famílias, e do próprio País, este aumento tão elevado dos lucros é um autêntico escândalo que as autoridades reguladoras (Autoridade da Concorrência e ERSE), e o próprio governo nada fazem para conter,o que prova que estão reféns dos grandes grupos económicos que operam em Portugal.