Começou por ser pequena personagem romântica e
sedutora da História, antes de se tornar símbolo indiscutível e perene de uma
revolução. E mais tarde, consciência da
Humanidade.
Foi na segunda metade do seculo xx, o dirigente do
chamado Terceiro Mundo com maior influência pela palavra e pela acção nos
acontecimentos mundiais, como a descolonização e as lutas contra o racismo e o
imperialismo.
Alcunhado por alguns de autoritário, mesmo de ditador,
essa avaliação rude e desajustada choca com o conhecimento profundo que dele
vamos tendo, do carisma e prestígio mundial que transporta, do exemplo reconhecido
de dignidade em vida, da qualidade de liderança pessoal. Não há calúnia mediática ou ódio que
resistam à prova da vida.
Disse muito lucidamente em 2 de janeiro de 1961: “Uma
revolução não é um leito de rosas. Uma revolução é uma luta até a morte
entre o futuro e o passado”. Certamente ele gostaria que fosse
diferente. Mas não é. O criminoso bloqueio económico e político que enfrentou
bem como as inúmeras tentativas de assassinatos vindas dos EUA provam que o
“leito de rosas” só existe no cérebro dos utópicos.
No turbilhão dos acontecimentos, condicionado
pelas razões da geopolítica, ousou desafiar a lógica da História, os manuais de
ciência politica, a lógica da submissão dos pequenos perante os grandes, com
inteligência, coragem e coerência.
Que importa que as embaixadas da França e dos
Estados Unidos em Cuba não tenham posto a bandeira a meia haste pela morte de
El Comandante? Que importa os quilómetros de prosa pútrida publicados em todo o
mundo sobre Fidel e a revolução cubana? Que importa a cegueira ideológica,
cultivada no vizinho do norte e nas corruptas capitais de Paris, Londres ou
Madrid? A imagem das exéquias fúnebres diz tudo: um líder não só respeitado,
como amado, interna e externamente.
Disseram que era rico, a Forbes inventou uma
fortuna colossal com capitais na Suiça e contudo vivia de forma espartana numa
vivenda de um só piso na periferia de Havana. A sua percepção das limitações da
condição humana tornou-o avesso á glorificação da sua pessoa. O nome e a figura
de Fidel Castro não vão ser utilizados em lugares públicos, ruas ou praças, nem
serão erigidos em sua memória monumentos, bustos ou estátuas, por desejo
expresso do falecido líder revolucionário, disse o Presidente cubano. "O
líder da revolução rejeita qualquer tipo de manifestação de culto à
personalidade e manteve essa atitude até às suas últimas horas de vida",
disse Raul Castro num discurso de homenagem ao seu irmão Fidel, realizado na
cidade de Santiago de Cuba.
Cultivava a palavra como poucos, a palavra
mobilizadora, criativa, escrita ou oral. Tinha uma concepção ética da vida,
avesso á excessiva autoridade pessoal. Deixou de fumar para ter a autoridade moral para combater o tabagismo. Manteve-se
em excelentes condições físicas com várias horas de ginástica diária e natação
frequente. Disciplina férrea, autodomínio completo.
Tinha um verdadeiro espirito universalista, solidário, quer fosse na
criação de brigadas médicas cubanas em todo o mundo, quer na política de
educação de adultos, quer nas batalhas militares do sul de Angola.
Retomo: a sua grandeza despertou muito ódio. Mas a sua existência iluminou
muita consciência adormecida. Viva Fidel!
CR
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